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Em Terras Lusas – Railander, não!

Como é de praxe, o INR publica, no final do ano, uma lista dos nomes mais comuns dados em Portugal
Portugal bandeira Annie Spratt Unsplash

A coluna dessa semana começa com um pedido formal de desculpas às inúmeras pessoas que carregam nomes estranhos ou bizarros, ou, ainda, considerados, pela maioria das pessoas, de gosto duvidoso. Exemplos não faltam, mas se os discriminasse por aqui seria execrado e cancelado na internet.

Certamente, quem carrega um nome tão peculiar, se tivesse a oportunidade de trocá-lo, muito provavelmente, não incorreria no mesmo erro de seus pais e, escolheria para si um nome simples para carregar mundo à fora.

Vá lá que, com o passar do tempo e, após chacotas e bullyings de praxe, muitas dessas pessoas já se acostumaram e incorporaram seus nomes às suas personalidades, mas sabe-se lá a que custo.

Em Terras Lusas Paulo

Muitos disfarçam seus verdadeiros nomes com artifícios linguísticos para melhor conviver em sociedade, utilizando-se desde o uso da corruptela até os abomináveis diminutivos, tudo na vã tentativa de se evitar um desconforto social.
Falo com propriedade de causa, pois minha mãe chama-se Neyde e, muitas vezes, reclamou de seu nome ao longo da vida. Hoje aos 86 anos, isso já não é uma questão, mas seu nome pouco usual sempre foi um problema para ela. Virou ‘Neydinha’ para alguns, mas o codinome não pegou.

Gostos à parte, a coluna dessa semana foi inspirada em um caso que aconteceu com um casal de amigos, que foi dissuadido por um cartório português, a mudar o nome que queriam dar à sua filha recém-nascida. Motivo? O nome escolhido suscitava dúvidas quanto ao sexo do bebê.

Pois bem, foi por conta desse incidente que fui ler a lei que estabelece nomes próprios em Portugal.

Em primeiro lugar, o nome só pode ser constituído por seis vocábulos, correspondendo dois ao nome próprio e quatro aos apelidos (leia-se sobrenomes).

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Segundo essa regra, meu falecido tio Carlos Donato Francisco António Santoro Di Cunto Junior, não poderia ter seu nome registrado ‘Em Terras Lusas’. O mesmo aconteceria com a atriz Bruna Lombardi que tem registrado em seu RG o nome: Bruna Patrícia Maria Teresa Romilda Lombardi.

De toda a forma, a vida de meu tio foi facilitada com o codinome Carlito, para alívio de minha tia Lucy (corruptela de Lúcia), esposa dele.

Já para a atriz brasileira, o nome composto talvez fosse um prenúncio para quem viveria tantas personagens, mas ela ficou mesmo conhecida nacionalmente como Bruna Lombardi.

Em segundo lugar, os nomes devem ser portugueses ou adaptados, gráfica e foneticamente, à língua portuguesa, não devendo suscitar dúvidas sobre o sexo do registrado. Portanto, nada de Gal, Bel, Ben, Cae, Ully, Jazz e afins.

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No entanto, para esta regra há algumas exceções se o registrado for estrangeiro, tiver nascido no estrangeiro ou tiver outra nacionalidade além da portuguesa, ou se algum dos progenitores for estrangeiro ou tiver outra nacionalidade além da portuguesa, caso em que podem ser escolhidos nomes estrangeiros na sua grafia original.

Para facilitar a vida dos pais e não causar dissabores desnecessários o Instituto dos Registros e do Notariado (IRN), sob a tutela do Estado Português, disponibiliza uma lista de nomes próprios permitidos em Portugal, impedindo assim, nomes que possam trazer descrédito à pessoa.

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Quando por aqui cheguei, fiquei surpreso, no melhor sentido, com alguns nomes compostos femininos, mas que tem como segundo nome, um nome próprio masculino. São eles: Maria João, Maria Carlos e Maria Francisco.

Mas há outros também interessantes, como Margarida, Madalena, Matilde, Leonor e, Filipa, o que mais gosto. Já em relação aos nomes masculinos, gosto de Martim, Dinis, Salvador, Santiago e Bernardo, o meu preferido.

Como é de praxe, o INR publica, no final do ano, uma lista dos nomes mais comuns dados em Portugal.

Em 2025, os nomes foram: Alice, Sophia, Lara, Aurora, Laura, Ema, Inês, Eva, Carolina, Matilde, David, Noah, Guilherme, Gabriel e Martim, Hugo, Santiago, Samuel e Vicente.

A atribuição de um nome é muito mais do que um simples gosto pessoal, é um legado social que se dá a um filho/a e que pode facilitar ou complicar muito a sua vida.

Portanto, caro leitor, esqueça os modismos e opte pelo simples.

Em Terras Lusas Paulo
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Autor

  • Paulo Visani Rossi

    Paulo Visani Rossi é advogado especializado em Direito Autoral e assessor de imprensa, atua como consultor de marketing na Europa e vive há 9 anos em Portugal

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