A escalada do conflito entre Irã, Israel e Estados Unidos ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (2). A Guarda Revolucionária do Irã anunciou que realizou um ataque com mísseis contra o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em Tel Aviv. Até o momento da publicação dessa matéria, o governo israelense não confirmou oficialmente a ofensiva nem divulgou informações sobre possíveis danos ou vítimas.
Segundo comunicado divulgado pela agência iraniana Fars e repercutido pela AFP, também teriam sido alvos o quartel-general do comandante da força aérea israelense e prédios governamentais em Haifa e Jerusalém Oriental. O Irã afirma que utilizou mísseis do tipo Kheibar na ação, mas não detalhou o impacto do ataque.
Escalada após bombardeios de sábado (28)
Essa nova movimentação ocorre dois dias depois de Estados Unidos e Israel realizarem bombardeios contra o território iraniano, na madrugada de sábado (28). A ofensiva foi confirmada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, e pelo ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, sob a justificativa de “eliminar ameaças” à segurança regional.
“Garantiremos que os representantes terroristas do regime não possam mais desestabilizar a região ou o mundo, e que o Irã não obtenha uma arma nuclear. Este regime aprenderá em breve que ninguém deve desafiar a força e o poder das forças armadas dos Estados Unidos”, concluiu Trump em um vídeo divulgado nas redes sociais.
De acordo com informações divulgadas por autoridades iranianas, os ataques deixaram ao menos 555 mortos e 747 feridos em diferentes cidades do país. Entre as vítimas estaria o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos. Ainda não há confirmação independente sobre o número total de civis e militares atingidos.

Pelo menos 131 cidades iranianas teriam sido afetadas. Na capital Teerã, o Palácio de Golestan, patrimônio mundial da humanidade, sofreu danos após explosões que quebraram espelhos, janelas e portas do complexo histórico.
Irã descarta negociação e faz alerta a vizinhos
Em meio ao agravamento do conflito, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, afirmou que o país não pretende negociar com os Estados Unidos. “Não negociaremos com os Estados Unidos”, declarou em publicação nas redes sociais, contrariando afirmações de Trump de que Teerã estaria disposto ao diálogo.
Larijani também alertou países vizinhos sobre o uso de bases militares norte-americanas em seus territórios. Segundo ele, caso essas estruturas sejam utilizadas para operações contra o Irã, poderão se tornar alvos de retaliação.
Nos últimos dias, mísseis iranianos também teriam atingido instalações militares dos EUA em países como Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein, ampliando o temor de que o conflito ultrapasse as fronteiras regionais e se transforme em uma crise de maiores proporções no Oriente Médio.

ONU aponta possíveis violações do direito internacional
A Missão de Investigação da Organização das Nações Unidas sobre o Irã afirmou que os ataques atribuídos a Israel (incluindo bombardeios contra a televisão estatal iraniana, áreas residenciais e estruturas de saúde), podem ter sido desproporcionais e indiscriminados à luz do direito internacional humanitário.
Em nota divulgada, os especialistas alertaram que a destruição de infraestrutura civil e o alto número de vítimas levantam “sérias preocupações” quanto ao respeito aos princípios de proporcionalidade, distinção e precaução em conflitos armados.
A relatora especial da ONU para o Irã, Mai Sato, também assinou o documento, que reforça o apelo para que todas as partes envolvidas respeitem o direito internacional e priorizem a proteção de civis, diante do risco de ampliação da crise em toda a região.