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O que é o Conselho de Paz anunciado por Trump e que o Brasil avalia participar?

Organismo internacional criado durante o Fórum de Davos reúne líderes de 17 países; Europa se ausenta e Brasil ainda analisa participação
Conselho de Paz anunciado por Trump

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (22), durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, a criação do Conselho da Paz, iniciativa com foco na reconstrução da Faixa de Gaza e projeção internacional de influência norte-americana no pós-guerra.

O anúncio foi feito em cerimônia com a presença de dezenas de líderes globais, entre eles chefes de Estado da Ásia Central e do Oriente Médio, mas com ausência notável dos países da União Europeia.

Trump afirmou que a proposta nasce como resposta à instabilidade internacional dos últimos anos e às ofensivas militares promovidas pelos Estados Unidos. Ele citou ações no Irã, Síria, Nigéria e Venezuela — esta última com a captura do ex-presidente Nicolás Maduro — como parte de um novo paradigma de atuação bélica com fins “restaurativos”.

O presidente norte-americano classificou o mundo de 2025 como “uma bagunça”, e atribuiu o cenário atual a “mudanças obtidas graças aos investimentos massivos em defesa realizados durante seu primeiro mandato”. O Conselho, segundo ele, representa “a oportunidade de reposicionar o mundo em direção à estabilidade” e será um organismo “do qual todos querem fazer parte”.

Estrutura e composição inicial

O rascunho do estatuto, divulgado à imprensa durante o evento, estabelece que cada país-membro terá um mandato de até três anos, com possibilidade de renovação mediante contribuição de US$ 1 bilhão para financiar as atividades do Conselho. A Casa Branca já confirmou os integrantes do Conselho Executivo fundador, entre eles o secretário de Estado Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff, o ex-premiê britânico Tony Blair e Jared Kushner, ex-assessor sênior do governo Trump.

Até o momento, ao menos 17 países assinaram o acordo de adesão ao Conselho, incluindo:

  • Israel;
  • Arábia Saudita;
  • Catar;
  • Jordânia;
  • Emirados Árabes Unidos;
  • Egito;
  • membros da OTAN como Hungria e Turquia.

A lista também inclui Cazaquistão, Paquistão, Uzbequistão, Mongólia, Azerbaijão, Kosovo, Indonésia e Bulgária, além da Argentina, representada pelo presidente Javier Milei. A Rússia e a China foram convidadas, mas ainda não deram resposta. O governo brasileiro analisa internamente o convite, sem previsão de anúncio formal.

Fachada do Palácio do Itamaraty em Brasília, sede da diplomacia que avalia integrar o Conselho da Paz.
Itamaraty avalia integrar o Conselho de Paz de Trump (Foto: Divulgação / Itamaraty)

Assinaturas e ausência europeia

Ao fim da solenidade, os líderes presentes participaram da assinatura simbólica do tratado de fundação do Conselho da Paz. Todos foram posicionados ao lado de Trump, reforçando o simbolismo político do ato. A ausência de países europeus foi interpretada por analistas como um sinal de distanciamento diplomático em relação à condução norte-americana das últimas ações militares no Oriente Médio e América Latina.

Enquanto isso, interlocutores da diplomacia brasileira confirmaram que o Itamaraty estuda os termos do convite, mas avaliam com cautela os impactos regionais da adesão a um organismo internacional sem participação plena da ONU ou da União Europeia.

Trump encerrou o discurso classificando o novo órgão como um dos “mais relevantes já criados” e afirmou que é “uma honra servir como o primeiro presidente do Conselho da Paz”.


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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