Nesta quinta-feira (19), a Argentina vive um novo capítulo de tensão política e social com a greve geral convocada por centrais sindicais, resultando na paralização de aeroportos em diversas cidades do país e de voos de fora, como é o caso do Brasil. Essa mobilização ocorre dias após o Senado aprovar, em 12 de fevereiro, a ampla reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei.
A greve, liderada pela Confederación General del Trabajo, é uma resposta direta à votação no Congresso e marca ao avanço do embate entre o governo e os sindicatos. A situação, no entanto, ultrapassou as fronteiras argentinas e atingiu passageiros que tinham viagem marcada para o país.
Voos cancelados em Guarulhos
A paralisação afetou diretamente passageiros no Brasil, com o anúncio da Aerolíneas Argentinas cancelando mais de 255 voos, incluindo 21 ligações entre Brasil e Argentina.
Companhias que operam rotas a partir de Guarulhos, como Gol Linhas Aereas, LATAM Airlines e JetSMART, também informaram cancelamentos e reprogramações. A adesão de pilotos, funcionários aeroportuários e trabalhadores responsáveis pelo abastecimento de aeronaves inviabilizou as operações nos aeroportos de Buenos Aires, Córdoba, Mendoza e Rosário.

Entenda o cenário
No dia 12 de fevereiro, o Senado argentino aprovou a reforma trabalhista por 42 votos a 30, após mais de 13 horas de debates e sob forte tensão política dentro e fora do Congresso. Uma semana depois, nesta quinta-feira (19), as centrais sindicais convocaram a greve geral contra o projeto.
Para os sindicatos, a proposta reduz direitos históricos e enfraquece a proteção trabalhista. No outro lado, o governo afirma que a reforma é necessária para modernizar regras consideradas ultrapassadas, reduzir a informalidade – que atinge cerca de 40% da força de trabalho – e atrair investimentos.
O que muda com a reforma trabalhista?
Entre os principais pontos aprovados na Argentina, estão:
- Ampliação da jornada de trabalho de 8 para até 12 horas diárias, com compensação por banco de horas;
- Criação de “salários dinâmicos”, vinculados a metas e produtividade;
- Possibilidade de pagamento em pesos ou moeda estrangeira;
- Redução da base de cálculo das indenizações por demissão sem justa causa;
- Ampliação das atividades consideradas essenciais, exigindo funcionamento mínimo de 75% durante greves.
Considerada uma das maiores mudanças na legislação trabalhista argentina em décadas, a reforma agora segue para análise na Câmara dos Deputados. Enquanto o debate avança no Congresso, os reflexos já são sentidos pela população, mostrando que a disputa política está longe de terminar.