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Brasileiros abandonam Portugal em meio à crise migratória e econômica

Alto custo de vida, dificuldades com documentação e falta de perspectivas fazem brasileiros deixar Portugal e buscar novos destinos
Pessoas com malas em trânsito, representando o êxodo de imigrantes brasileiros que deixam Portugal devido ao alto custo de vida e dificuldades documentais.

Se a greve geral do último dia 3 de junho, convocada pela CGTP (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses) em Portugal contra as novas medidas laborais que irão ao Parlamento, causou os transtornos que muitos já previam na saúde, nos transportes e na educação e, de certa forma, parou o país, há um novo problema a ocupar as páginas dos jornais portugueses: a saída em massa de imigrantes do país.

Isso mesmo, caro leitor, Portugal já não é mais o “sonho dourado” dos imigrantes, principalmente para a grande maioria dos brasileiros que moram por aqui há muitos anos.

Segundo os dados mais recentes da AIMA – Agência para a Integração, Migrações e Asilo – referentes ao ano de 2024, mais de 45 mil imigrantes deixaram o país naquele ano, o valor mais elevado desde 2015.

Fim do ‘sonho europeu’

Se a situação já era preocupante em 2024, hoje ela é muito mais perceptível. As redes sociais e as associações de imigrantes não deixam de relatar vários casos da saída de imigrantes do país, dia após dia: um êxodo nunca visto no país.

Basta entrar no Instagram ou em grupos de Facebook de brasileiros de várias cidades portuguesas para constatar a mesma história. Após viverem por um longo período em terras lusas, muitos imigrantes não acreditam mais que valha a pena viver em Portugal, seja sob o ponto de vista econômico, seja sob o das perspectivas de futuro.

Xenofobia e racismo

E as razões são inúmeras, e todas elas verdadeiras: custo de vida alto, preço dos aluguéis em patamares inacessíveis, salário mínimo baixo e, pior, xenofobia e racismo. Ou seja, um caldeirão de insatisfações que não passa despercebido.

Rumo à Espanha

Se voltar para casa é o destino de muitos desses brasileiros, há também outros tantos cujo destino é ir para a Espanha — o país vizinho —, que promete regularizar mais de 500 mil imigrantes indocumentados e cuja oferta de trabalho é, em termos de escala, bastante superior.

De volta ao Brasil

Contas feitas, muitos desses imigrantes só esperam o término do calendário escolar de seus filhos para voltar ao Brasil, uma justificativa bastante ouvida e que visa não causar mais problemas aos já existentes.

Reféns de Portugal

Mas a pá de cal, para quem ainda estava indeciso, foi o vídeo publicado no Instagram pela jornalista Mafalda Anjos, que revelou o problema da falta de eficiência de Portugal na emissão dos documentos dos imigrantes, que acabam por se tornar reféns do Estado.

Sem documentos legais, os imigrantes não podem trabalhar e, sem trabalho, não há como sobreviver de forma digna e honesta. Simples assim. Só para se ter uma ideia, na última semana de maio, mais de mil TVDEs (os conhecidos Ubers) deixaram Lisboa.

Com o verão à porta, não é preciso uma bola de cristal para antever que a falta de mão de obra em setores estruturais do turismo só tende a piorar e a fazer com que esse caldeirão entorne de vez.

Certamente Portugal irá ocupar cada vez mais páginas de jornais, e não pelos melhores motivos.


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Autor

  • Paulo Visani Rossi

    Paulo Visani Rossi é advogado especializado em Direito Autoral e assessor de imprensa, atua como consultor de marketing na Europa e vive há 9 anos em Portugal

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