A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira, 2, a quinta fase da Operação Unha e Carne. Os agentes prenderam o pastor Márcio Poncio pela manhã, em um flat na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. A operação apura um esquema de lavagem de dinheiro ligado à nova cúpula do jogo do bicho e possíveis repasses de propina a integrantes do Executivo e do Legislativo.
Além de Poncio, a polícia mira outras figuras influentes. O contraventor Adilsinho e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já cumpriam pena, seguem como alvos centrais. Paralelamente, os investigadores cumpriram mandado de busca e apreensão contra Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral.
A origem das investigações contra o jogo do bicho
A Polícia Federal iniciou esta fase após apreender listas com o contraventor Adilsinho, apontado pelos agentes como o capo da nova estrutura do jogo do bicho no Rio. Os documentos revelam registros de pagamentos indevidos, doações eleitorais e movimentações financeiras típicas de lavagem de dinheiro.
Portanto, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou o cumprimento de três mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão. Ademais, a Justiça determinou o sequestro de bens e valores dos investigados, totalizando aproximadamente R$ 22 milhões.
Quem é o pastor Márcio Poncio
Aos 52 anos, o pastor Márcio Poncio detém notoriedade nacional como o patriarca da família Poncio e figura frequente nas redes sociais. Além da presença digital, ele construiu sua trajetória empresarial no setor do tabaco, o que lhe rendeu o apelido de pastor do cigarro, e atua como membro da Igreja da Nuvem.
O empresário tentou ingressar na política em momentos distintos. Ele disputou uma vaga de deputado federal em 2022 e tentou a Prefeitura de Três Rios em 2025. Contudo, ele não obteve sucesso nas urnas. Sua filha, a deputada estadual Sarah Poncio, também ocupa espaço no cenário político da Alerj.
Contexto da Operação Unha e Carne
Esta ação faz parte de um desdobramento de investigações iniciadas em dezembro de 2025. O foco central reside na conexão entre grupos criminosos e agentes públicos, sob diretriz da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas.
Anteriormente, a Polícia Federal investigou vazamentos de informações sigilosas sobre operações contra o Comando Vermelho. Agora, os peritos analisam o material apreendido para identificar o fluxo financeiro completo e apontar todos os beneficiários do esquema criminoso.