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Ex-secretário de Guarujá nega perseguição a eleitores do PT e denuncia ameaças após exoneração

Airton Sinto pediu exoneração após repercussão de publicações sobre contratação de trabalhadores; à VTV News, advogado defendeu liberdade de expressão e manteve seu posicionamento
Airton Sinto pediu exoneração da Prefeitura de Guarujá após repercussão de publicações contra a contratação de eleitores do PT. Foto: Reprodução/Vídeo.

O advogado Airton José Sinto Júnior, conhecido como Airton Sinto, se manifestou após pedir exoneração do cargo de secretário-adjunto de Direitos Humanos e Cidadania de Guarujá, no litoral de São Paulo. A saída ocorreu após a repercussão de publicações nas redes sociais contra a contratação de pessoas identificadas com o Partido dos Trabalhadores (PT) e com a esquerda. Em nota enviada à VTV News, nesta quarta-feira (28), ele negou ter incentivado perseguições e afirmou que mantém suas opiniões.

Nas publicações que motivaram a repercussão, Airton declarou que não contratava nem prestava serviços advocatícios a eleitores do PT. Além disso, compartilhou mensagens orientando empresários a evitar a contratação de trabalhadores por posicionamento político.

Ao se manifestar, o advogado reconheceu a autoria de postagens e afirmou que fez uma análise sobre o cenário político brasileiro. Segundo ele, suas declarações não tiveram a intenção de ofender ou prejudicar outras pessoas.

“Expus meu pensamento, sem ofensa moral e sem ofensa legal a ninguém, seja de forma individual ou coletiva. Exerci meu Direito constitucionalmente garantido, de livre exercício de exposição de minhas opiniões. Não incitei perseguição a ninguém, não incitei violência, seja no âmbito moral ou físico”, declarou.

Advogado defende liberdade de expressão e mantém posicionamento

Na nota, Airton Sinto se apresenta como um homem de direita e destaca sua trajetória familiar e profissional. O advogado, que afirma exercer a profissão há quase 30 anos, também menciona suas origens e os valores que orientam suas convicções.

Ao comentar sua preferência por não manter relações pessoais ou profissionais com pessoas identificadas com a esquerda, ele reconheceu que a posição pode provocar discordâncias. Entretanto, rejeitou a interpretação de que sua escolha represente discriminação.

“Quanto à minha opção de não me relacionar, pessoal ou profissionalmente, com cidadãs ou cidadãos ligados à ideologia de esquerda, pode parecer antipática, porém, sem nenhum traço de preconceito ou segregação”, afirmou.

O advogado também argumentou que as manifestações foram feitas em caráter particular, sem relação com o cargo público que ocupava. Segundo ele, suas opiniões estão restritas à vida pessoal e à atuação profissional.

“Minha opinião, a qual está sendo censurada e utilizada para propagar discursos de ódio em meu prejuízo, foi proferida sem relação com a função de secretário adjunto de direitos humanos na prefeitura de Guarujá”, declarou.

Airton afirmou ainda que passou a receber ofensas e ameaças nas redes sociais após a repercussão das publicações. Apesar disso, reforçou que não pretende mudar de posicionamento.

“Por fim, mantenho minha posição, mantenho minha palavra, sem intenção alguma de ofensa qualquer pessoa. O exercício de minha liberdade de pensamento e posição política, não pode e não será alvo de patrulhamento ideológico, sob pena de ferir o último bastião de nossa combalida democracia”, concluiu.

Publicações provocaram repercussão e manifestação da OAB

O caso ganhou repercussão após a circulação de mensagens e vídeos publicados nas redes sociais do então secretário-adjunto.

Em uma das postagens, Airton afirmou que não comprava produtos, não contratava nem prestava serviços jurídicos a eleitores do PT. Em outra, compartilhou uma mensagem contrária à contratação de pessoas que demonstrassem oposição aos empresários.

Também circulou um vídeo no qual ele orientava empregadores a não manter funcionários que considerassem seus patrões opressores.

As declarações provocaram uma manifestação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por meio da Subseção de Guarujá.

Em nota, a entidade ressaltou que a liberdade de convicção política é um direito fundamental. No entanto, afirmou que a discriminação e a restrição de oportunidades profissionais por posicionamento político são incompatíveis com os princípios democráticos.

A OAB também destacou que o exercício da advocacia exige respeito à dignidade humana e aos direitos fundamentais. Além disso, lembrou que agentes públicos devem atuar com impessoalidade, sem distinções baseadas em preferências políticas.

Prefeitura de Guarujá confirma exoneração

A Prefeitura de Guarujá confirmou que Airton Sinto pediu exoneração do cargo de secretário-adjunto de Direitos Humanos e Cidadania. A saída foi publicada no Diário Oficial do Município, com efeitos a partir desta quarta-feira (28).

Em nota, a administração municipal afirmou que as manifestações ocorreram em caráter pessoal e não representam o posicionamento do governo.

Em seu posicionamento à VTV News, Airton também mencionou sua atuação como advogado da família de Fabiane Maria de Jesus, vítima de linchamento em Guarujá, em 2014. Ele relacionou o episódio às ameaças que afirma estar recebendo nas redes sociais.

“Estou sendo ofendido e ameaçado por postagens nas redes sociais de forma vil e covarde, a lembrar o caso Fabiane de Jesus, ocorrido em Guarujá no ano de 2014, o qual por coincidência, sou advogado da família”, afirmou.

Segundo o advogado, ele continua buscando a responsabilização de plataformas digitais pela divulgação de conteúdos que, em sua avaliação, contribuíram para a violência contra Fabiane.

Confira a nota de Airton Sinto na íntegra

O texto abaixo foi encaminhado pelo advogado à VTV News e está reproduzido integralmente, sem alterações de conteúdo ou de redação.

“Sou um homem de Direita, pai de família, Advogado há quase 30 anos, filho de um Metalúrgico que iniciou sua vida profissional no ABC paulista, no final da década de 1.970. Filho de uma Mulher, que se tornou Funcionária Pública do Estado de São Paulo, na década de 1.960. Meus ancestrais vieram da Itália, fugindo da fome e da pobreza, para trabalhar na roça de café, no interior paulista. Portanto, minha origem vem de pessoas honradas, humildes e apegadas a valores da família Cristã.

Quanto aos fatos recentes, afirmo que, através de algumas postagens em rede social, fiz uma análise a respeito da dicotomia que o Brasil enfrenta em relação ao momento político eleitoral.

Expus meu pensamento, sem ofensa moral e sem ofensa legal a ninguém, seja de forma individual ou coletiva. Exerci meu Direito constitucionalmente garantido, de livre exercício de exposição de minhas opiniões. Não incitei perseguição a ninguém, não incitei violência, seja no âmbito moral ou físico. Quanto à minha opção de não me relacionar, pessoal ou profissionalmente, com cidadãs ou cidadãos ligados à ideologia de esquerda, pode parecer antipática, porém, sem nenhum traço de preconceito ou segregação.

Minha posição nesse sentido é exclusivamente no âmbito de minha atividade profissional e pessoal, frisando que há milhares de posicionamentos similares nas redes sociais.

Minha opinião, a qual está sendo censurada e utilizada para propagar discursos de ódio em meu prejuízo, foi proferida sem relação com a função de secretário adjunto de direitos humanos na prefeitura de Guarujá.

Estou sendo ofendido e ameaçado por postagens nas redes sociais de forma vil e covarde, a lembrar o caso Fabiane de Jesus, ocorrido em Guarujá no ano de 2014, o qual por coincidência, sou advogado da família, onde ainda luto, até hoje, para responsabilizar os provedores da rede social por divulgação e manutenção de discursos de incitação à violência que levaram Fabiane a uma morte com requintes medievais de crueldade.

Por fim, mantenho minha posição, mantenho minha palavra, sem intenção alguma de ofensa qualquer pessoa. O exercício de minha liberdade de pensamento e posição política, não pode e não será alvo de patrulhamento ideológico, sob pena de ferir o último bastião de nossa combalida democracia.

Airton Sinto”


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Autor

  • Fernanda Paes

    Jornalista com mais de oito anos de experiência em televisão e plataformas digitais. Cobriu o cotidiano da Baixada Santista em reportagens, entrevistas e entradas ao vivo. É formada em Jornalismo pela Unisanta e tem MBA em Marketing Digital.

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