Um menino de 12 anos foi agredido dentro de uma escola municipal em Santos, na Baixada Santista, durante uma prática conhecida como “corredor polonês” – suposta brincadeira em que alunos formam um túnel e agridem quem passa por ele com tapas, socos e chutes. A denúncia foi feita pela mãe da vítima, Amanda Baptista de Oliveira, de 31 anos.
Segundo Amanda, por volta das 13h40 de terça-feira (11), ela foi avisada pela escola de que o filho havia se envolvido em uma briga. Como estava no trabalho, pediu que a mãe fosse até o local. “Quando cheguei, a diretora já estava indo embora. Meu filho estava com o olho roxo, o joelho ralado e a boca machucada. Fiquei desesperada”, relatou ao VTV News.
A mãe afirma que o menino recebeu atendimento apenas da psicóloga da unidade. Mas ao solicitar acesso às imagens das câmeras de segurança, diz ter sido impedida e orientada a “procurar seus direitos”. “A escola não me deu nenhum suporte”, lamentou. O caso aconteceu na Unidade Municipal de Ensino (UME) Ayrton Senna da Silva, no bairro Campo Grande (leia posicionamento da Prefeitura de Santos ao final da reportagem).
“Meu filho estava todo machucado”
Segundo Amanda, a psicóloga da escola explicou que o corredor polonês é uma “prática comum” na entrada da unidade e, às vezes, também ocorre durante o recreio. “Eles fazem um túnel e obrigam os alunos a passar por baixo. Quem passa, apanha. Meu filho disse que não gostava, mas eles mandam todo mundo passar”, contou.
Durante a ação, o menino levou um tapa forte no rosto e reagiu com um soco. “Ele já estava cansado de ser provocado. Depois que revidou, outros meninos deram uma rasteira e começaram a chutar ele no chão”, relatou. Ela afirmou ainda que o filho vinha sendo alvo constante de ameaças e xingamentos por parte de um colega, e que já estava “de saco cheio”.
No entanto, no momento da agressão, foi cercado e não conseguiu identificar todos os envolvidos. Foi levado para casa pela avó e, depois, encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Central. “Quando vi ele daquele jeito, fiquei revoltada. O olho roxo, a boca machucada por causa do aparelho, o corpo todo ralado… Era impossível aquilo ser só uma brincadeira”.



Mãe diz que escola não protegeu o filho
Segundo a mãe, a psicóloga chegou a dizer que o menino “agiu errado” por ter revidado a agressão. “Ela falou que ele devia ter chamado um adulto, mas a escola não protegeu ele em momento nenhum”, criticou. Amanda também contou que o filho já havia sido ferido meses antes, quando levou uma tesourada no peito por parte de uma colega. “Nem fui avisada”.
Após o novo caso de violência, a avó do garoto acionou a Polícia Militar (PM) e a Guarda Civil Municipal (GCM). “Quem acolheu a gente foram eles. Fizeram o boletim de ocorrência e me orientaram a procurar a Casa dos Direitos”, relatou Amanda. A mãe afirmou que pretende denunciar o caso à Secretaria de Educação de Santos e cobrar segurança.
“Eu quero justiça. Não é só pelo meu filho, é por todos os alunos que passam por esse tipo de violência e ninguém faz nada”, concluiu.
Posicionamento
Em nota, a Secretaria de Educação (Seduc) informou que “funcionários da escola presenciaram um episódio de conflito entre dois alunos, durante a entrada o horário da entrada”. Mas que “a intervenção foi imediata, garantindo a segurança de todos e encaminhando os alunos envolvidos para espaços adequados, a fim de acolhê-los e compreender melhor a situação”.
Ainda segundo a administração municipal, as famílias envolvidas foram contatadas pela unidade escolar, e uma delas compareceu, sendo “acolhida pela coordenadora pedagógica e pela psicóloga educacional para diálogo e orientação”. A direção também acionou a Guarda Municipal, que “registrou o ocorrido conforme os protocolos previstos”.
Por fim, a Seduc reafirmou o compromisso da rede com a promoção de uma cultura de paz, do respeito mútuo e da escuta ativa entre os alunos. Informou que serão planejadas ações baseadas nos princípios da Justiça Restaurativa e destacou a implementação do projeto Semeadores da Paz, Vozes da Paz, desenvolvido com a participação de alunos do Grêmio Estudantil, do programa Santos Jovem Doutor e de Alunos Ouvidores.