Dois alunos da Escola Técnica Estadual (Etec) de Praia Grande, localizada no bairro Guilhermina, foram agredidos por um grupo de adolescentes após a aula. O ataque mais recente ocorreu nas proximidades da Avenida Presidente Kennedy e provocou indignação entre estudantes, que denunciam a insegurança constante no entorno da escola.
Em entrevista ao VTV News, uma das vítimas, que preferiu não se identificar, relatou que o grupo agressor, formado por cerca de cinco jovens em bicicletas, já vinha circulando pela região há semanas. Segundo o relato, momentos antes da agressão, na noite da última sexta-feira (12), eles teriam assaltado uma aluna que aguardava o ônibus.
Com 25 anos de idade, o estudante contou que tentou intervir para proteger colegas mais novos. “Foi tudo muito rápido. Torci o pé, caí, e mesmo no chão levei soco no rosto. Meu amigo também foi atacado e ficou com o nariz sangrando bastante”, afirmou.
Medo diário e falta de segurança
Após a agressão, ele e o colega buscaram abrigo em um restaurante fast-food próximo, onde funcionários prestaram os primeiros cuidados até a chegada do socorro, por volta de 23h. Ambos apresentavam ferimentos e sangravam bastante (veja imagens a seguir). “A polícia não falou com a gente, não chamou ambulância, nada. Foi revoltante”, disse a vítima.
Segundo os alunos, a violência na saída das aulas não é novidade. Há mais de dois meses, um grupo de adolescentes circula pelo local, ameaçando e agredindo estudantes, principalmente os que saem sozinhos ou esperam ônibus. “É fácil esses caras abordarem meninas. A gente não teme só roubo, tem medo do que mais pode acontecer”, desabafa o estudante.
Ele afirma que se sente aliviado por ter sido a vítima, e não alguém mais novo. “Tem muita gente ali com 15, 16 anos. Prefiro que tenha sido comigo do que com um desses moleques. O problema é que a gente está cansado de pedir segurança e ninguém faz nada. Quando a PM chegou, nem desceu da viatura. Ficou cinco minutos e foi embora”.

Escola cobra policiamento, mas ocorrência não foi registrada
Segundo o relato, a vítima está esperando uma consulta com um ortopedista por causa da torção no pé que sofreu na agressão. O amigo, que também se machucou, foi levado ao hospital pelo pai. Mesmo com o que aconteceu, os dois decidiram não registrar boletim de ocorrência (BO). “Vi que não ia mudar nada”, disse a vítima.
Em nota, o Centro Paula Souza (CPS), responsável pela administração da Etec, informou que a direção da escola reforçou nesta segunda-feira (15) o pedido de patrulhamento escolar junto à Polícia Militar e à Guarda Civil Municipal (GCM). A instituição afirma que orienta os alunos a registrarem boletins de ocorrência (BOs) em casos como esse.
A PM, por sua vez, informou que não encontrou registro oficial do caso. Já a Prefeitura de Praia Grande disse que faz patrulhamento regular na área e reforçou as rondas próximas à escola. A administração municipal também destacou a importância de registrar ocorrências para melhorar a segurança.