Um bebê morreu em Praia Grande, no litoral de São Paulo, um dia antes de completar um ano de idade, após receber diversas doses de um medicamento de uso adulto e bater a cabeça. Levado a um hospital já em parada cardíaca e com sinais de trauma no rosto, a criança não resistiu. A mãe e o padrasto foram presos.
Em depoimento à Polícia Civil, a mulher de 30 anos, Thais Daniel Costa, afirmou que o bebê tinha hidrocefalia – acúmulo excessivo de líquido no cérebro que provoca pressão na cabeça – e estava “agitado”. Ela disse que, ao tentar fazê-lo dormir, acabou batendo a cabeça do bebê no carrinho, na noite desta segunda-feira (9).
Testemunhas ouvidas pela polícia relataram que o casal brigava com frequência e agredia as crianças, além de manter a casa, na Rua Jorge Tavares Quintas, no bairro Glória, em condições precárias de higiene. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP), o caso está sendo investigado como homicídio.
Mãe relata uso de medicamento
Segundo o boletim de ocorrência (BO), acessado pelo VTV News nesta terça-feira (10), Thais afirmou que tem quatro filhos, mas que três moram com o pai no interior do estado. O bebê, que vivia com ela e o padrasto, também tinha desvio na coluna e estaria “mais agitado do que o normal nos últimos dias”.
Ela disse que decidiu dar um medicamento para fazê-lo dormir e, em determinado momento, acabou batendo a cabeça do bebê no carrinho enquanto tentava colocá-lo ali. Ainda conforme o relato à Polícia Civil, ao perceber que a criança estava estranha, a mãe resolveu levá-la ao Pronto Socorro (PS) Central, mas já era tarde.
A mãe chegou a afirmar que havia dado ao filho um remédio de uso controlado e que também havia ingerido a mesma medicação. Segundo ela, depois disso o bebê começou a passar mal e chegou a espumar pela boca.
Padrasto confirma excesso de remédios e agressões
Já o padrasto, Marcelo Pereira de Oliveira, de 38 anos, relatou que a criança estava chorando muito e que a mãe decidiu conceder várias doses do remédio carbamazepina, indicado para adultos. Segundo ele, durante mais de sete horas foram dados dez comprimidos, e os quatro últimos fizeram o bebê enfim dormir.
Ele acrescentou no depoimento que, em determinado momento, a mãe pediu que colocasse a mão na boca do bebê para fazê-lo parar de chorar. Marcelo disse que fez isso por pouco tempo e retirou a mão ao perceber que a criança estava sem ar. Antes de ir ao hospital, o bebê ainda respirava, mas de forma fraca.
Oliveira contou ainda que viu a companheira dar tapas no braço da criança e afirmou que a mulher estava muito nervosa. Ele disse também que a mãe chegou a agir de forma agressiva em alguns momentos. Após a morte da criança no hospital, o casal deixou a unidade de saúde, mas acabou localizado pouco tempo depois pela polícia.

Casal tentou fugir
Conforme o registro, a Polícia Militar (PM) foi acionada pelo Centro de Operações (Copom) enquanto fazia patrulhamento nos arredores, por volta de 21h50. Um funcionário do hospital informou que um bebê havia chegado em parada cardíaca e com lesões no rosto. Apesar das tentativas de reanimação da equipe médica, a criança não resistiu.
Após o atendimento, a mãe e o companheiro fugiram do hospital. Com apoio do sistema de monitoramento da cidade, os policiais conseguiram rastrear o trajeto do casal, que foi registrado pelas câmeras entrando em casa.
Os agentes se dirigiram ao endereço indicado e fizeram contato com os moradores. A entrada foi autorizada por uma mulher que vive na parte superior do imóvel. Dentro da residência, os policiais encontraram a mãe e o companheiro do bebê, que foram então abordados e levados à Central Policial Judiciária (CPJ).
O que a investigação aponta?
Uma vizinha contou à polícia que costumava ouvir discussões frequentes no imóvel. Segundo ela, o local apresentava condições precárias de higiene, com lixo acumulado e até presença de ratos. Naquele dia, relatou ter ouvido gritos vindos da residência, mas não percebeu quando a criança foi levada ao hospital.
O bebê já havia passado por cirurgia e tinha outro procedimento marcado. Já o casal, junto há três meses, afirmou fazer uso de drogas como cocaína, mas declarou que não havia consumido a substância naquele dia.
Com base nos depoimentos, nas informações médicas e nos demais elementos da investigação, o delegado concluiu que há indícios de que o casal agiu em conjunto na morte do bebê. Por isso, ambos foram autuados em flagrante por homicídio qualificado e permaneceram presos. A perícia também foi solicitada.
Segundo o BO, a polícia representou ainda pela conversão da prisão em flagrante em preventiva, medida que será analisada pela Justiça. A reportagem procurou o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) para confirmar a situação, mas ainda não obteve retorno, portanto, o texto poderá ser atualizado.