A Justiça de Guarujá, no litoral de São Paulo, encerrou nesta terça-feira (20) a fase de produção de provas no processo que apura o feminicídio da empresária Brenda Bulhões, morta a tiros em novembro de 2024 enquanto abria o próprio estabelecimento comercial no distrito de Vicente de Carvalho.
Durante a sessão, foi ouvida a última testemunha de acusação que faltava, além de três testemunhas de defesa. Na sequência, ocorreu o interrogatório do réu Bruno dos Santos Campos, ex-namorado da vítima, que negou a autoria do crime. O processo foi feito de forma online e concluiu a etapa iniciada em dezembro do ano passado.
Segundo a defesa, a instrução foi finalizada, restando apenas a juntada de laudos periciais aos autos. Mesmo assim, o juízo decidiu manter a prisão do acusado, entendendo que a fase processual ainda não está formalmente concluída devido à pendência desses documentos.
Interrogatório do réu
Para os advogados que representam a família de Brenda, a versão apresentada pelo réu não condiz com o conjunto de provas reunidas ao longo do processo. “O réu, como já era esperado, negou os fatos. No entanto, todas as provas produzidas até aqui e todos os depoimentos colhidos ao longo do processo demonstram de forma categórica a autoria e a materialidade do crime”, afirmou Leandro dos Santos, assistente de acusação.
Já a advogada Ana Carolina Oliveira, que também representa os familiares da vítima, afirmou esperar que o caso seja submetido ao Tribunal do Júri, o ‘júri popular’. “Esperamos que o acusado seja pronunciado e levado a júri, para que a sociedade possa julgar um crime tão grave como o feminicídio”, declarou.

Expectativa de julgamento
A defesa de Bruno informou que a instrução processual realizada até então foi “completamente positiva”. O advogado Marcos do Nascimento Jesuíno Junior disse confiar que, com a juntada dos laudos periciais, ficará demonstrado que o réu “não teve qualquer envolvimento com os fatos que lhe foram erroneamente imputados”.
Por fim, conforme apurado pelo VTV News, o encerramento da instrução dá à acusação, à defesa e ao Ministério Público (MP-SP) um prazo de cinco dias, cada um, para apresentar as alegações finais. Em seguida, caberá ao juiz decidir se o acusado será pronunciado e levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.
O crime
Brenda Bulhões foi assassinada em novembro de 2024, por volta das 8h, enquanto abria o próprio estabelecimento comercial na Rua Pará, em Vicente de Carvalho, distrito de Guarujá. Uma câmera de segurança registrou o momento em que um homem passa de motocicleta e atira ao menos cinco vezes contra a vítima.
O ex-namorado da empresária é acusado de executar o crime e responde por feminicídio duplamente majorado. De acordo com a investigação, o ataque foi premeditado e ocorreu em via pública, pela manhã.
Bruno dos Santos Campos foi preso quase dois meses depois, já em janeiro de 2025, em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, fronteira com o Paraguai, durante uma operação conjunta da Polícia Civil e da Polícia Nacional paraguaia. Em março, após a conclusão do inquérito, a Justiça decretou a prisão preventiva do acusado.
Para denunciar casos de violência contra a mulher
- Disque 190 – Polícia Militar
- Disque 180 – Polícia Militar – Central de Atendimento à Mulher
- Disque 181 – Disk Denúncia
- Delegacias de Defesa da Mulher – https://www.spportodas.sp.gov.br/sp-por-todas/seguranca_mulher/delegacias_da_mulher
- Delegacia Eletrônica da Polícia Civil – delegaciaeletronica.policiacivil.sp.gov.br/ssp
- Atendimento presencial em delegacias da polícia e salas DDM Online – https://prefeitura.sp.gov.br/web/direitos_humanos/w/mulheres/rede_de_atendimento/2096