⚠️ Aviso: esta reportagem aborda a morte de uma criança, suspeitas de violência sexual e outros crimes. O conteúdo pode ser sensível para alguns leitores. Recomenda-se cautela durante a leitura.
De uma morte inicialmente tratada como possível suicídio a prisões por suspeitas de favorecimento à prostituição e estupro de vulnerável, a Polícia Civil tenta entender o que aconteceu com Samyra Roberta Almeida, de apenas 10 anos, em Peruíbe, no litoral de São Paulo. Ela foi encontrada morta em casa.
A mãe da menina, Angélica de Lima Tenorio, de 33 anos, foi presa temporariamente na última terça-feira (25). Na sexta-feira (28), a Polícia Civil prendeu também João dos Santos, de 74 anos, vizinho da família, por suspeita de estupro de vulnerável. O caso é investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Peruíbe.
Nesta reportagem, o VTV News reúne o que já foi descoberto pela investigação, os principais pontos que ainda precisam ser esclarecidos e o que levou às prisões. Confira os tópicos que serão abordados:
- Como Samyra morreu
- Possíveis crimes sexuais
- Reconstituição do caso
- Celulares apreendidos
- Mãe e vizinho são presos
- Como era a rotina da menina
- Quais crimes são investigados

Como Samyra morreu
Samyra foi encontrada desacordada dentro da casa onde morava, no bairro Caraguava, pelo próprio irmão, de apenas 9 anos. A menina estava com uma corda usada para prender cachorro presa ao pescoço.
Segundo o boletim de ocorrência (BO), a mãe e dois vizinhos próximos ajudaram a retirá-la da situação e a levaram para uma unidade de saúde, mas a morte foi constatada logo no hospital. O caso foi registrado inicialmente como morte suspeita, com a hipótese de suicídio entre as possibilidades investigadas.
Quando a polícia esteve no local, identificou indícios de que a casa havia sido limpa.
Possíveis crimes sexuais
O BO aponta que, durante a avaliação médica preliminar, foram identificadas na menina lesões compatíveis com atos de natureza sexual. A constatação levou a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Peruíbe a aprofundar as diligências sobre uma possível violência sexual, posteriormente confirmada pelo Instituto Médico Legal (IML).
Para a delegada Izabela Coelho, responsável pelo caso, a descoberta exigia uma investigação específica. “Não é comum uma criança de dez anos chegar a essa situação. Então precisa ser averiguado”, afirmou. Diante disso, a polícia passou a considerar as hipóteses de estupro de vulnerável e favorecimento à prostituição.
Reconstituição do caso
A mãe prestou depoimento à Polícia Civil logo após o ocorrido e, no dia 19 de agosto, voltou a ser ouvida, assim como os dois vizinhos que ajudaram no socorro à menina – o idoso de 74 anos e o filho dele, de 47. No dia seguinte, os investigadores realizaram uma reconstituição na residência onde Samyra foi encontrada.
Conforme apurado pela repórter Eliane Antunes, da VTV, emissora afiliada do SBT, o procedimento serviu para confrontar as versões apresentadas pelos envolvidos e reconstruir a sequência de acontecimentos no imóvel. À imprensa, a delegada classificou a reconstituição do caso como “satisfatória” e “esclarecedora”.
Celulares apreendidos
Os celulares de Samyra, da mãe e dos dois vizinhos foram apreendidos durante a investigação e, segundo a delegada Izabela Coelho, ainda serão periciados para a extração de mensagens, arquivos e outros dados. O aparelho de Samyra, um Xiaomi Redmi, está bastante danificado e não funciona normalmente.
Mãe e vizinho são presos
A primeira prisão ocorreu na terça-feira (25), quando Angélica, mãe de Samyra, foi presa temporariamente. Segundo a delegada, a permanência dela em liberdade poderia prejudicar o andamento das investigações. A Justiça reconheceu a existência de indícios de materialidade e a necessidade da medida para o avanço das diligências. Angélica não ofereceu resistência, mas afirmou à polícia ser inocente.
Já na última sexta-feira (28), o borracheiro João também foi preso temporariamente. Vizinho da família, ele é investigado por suspeita de estupro de vulnerável, e foi localizado em uma residência na Rua Diana, no bairro Laranjeiras, em Itanhaém, durante o cumprimento de um mandado de prisão expedido pelo Anexo de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Peruíbe, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
O filho de João, de 47 anos, que também é investigado no caso, permanece em liberdade.
Como era a rotina da menina
Ao VTV News, a delegada revelou que a menina vivia em uma situação de isolamento social. Samyra estava havia alguns meses sem celular, depois que o aparelho foi danificado pela própria mãe e, segundo a polícia, tinha uma vida social restrita, sem amigas da mesma idade. A frequência escolar também chamou a atenção: informações da Secretaria de Educação apontam que a menina teve poucas presenças durante o ano letivo.
“Ela era uma aluna praticamente ausente, pouquíssimas presenças durante o ano letivo. Situação semelhante à do irmão caçula”,
afirmou.
Quais crimes são investigados
Além das circunstâncias da morte, a DDM de Peruíbe investiga possíveis crimes de estupro de vulnerável e favorecimento à prostituição. As investigações ainda estão em andamento e, até o momento, não houve conclusão sobre a responsabilidade criminal dos envolvidos. A perícia dos celulares pode ajudar.
A defesa dos investigados ainda não foi localizada pelo VTV News, mas o espaço segue aberto.
Como denunciar casos de violência contra crianças e adolescentes
Casos de violência física, psicológica, ameaças, abuso, violações de direitos ou situações que coloquem crianças e adolescentes em risco podem ser denunciados por diferentes canais de atendimento. As denúncias podem ser feitas de forma anônima. Os principais canais são:
- Disque 100 – serviço nacional de denúncias de violações de direitos humanos;
- Polícia Militar – pelo telefone 190, em casos de emergência;
- Polícia Civil – presencialmente em delegacias;
- Conselho Tutelar – responsável por acompanhar situações que envolvam menores;
- Delegacias especializadas como as Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) e unidades de proteção à criança e ao adolescente.
Segundo especialistas, denúncias podem ser fundamentais para interromper ciclos de violência, garantir proteção às vítimas e auxiliar investigações. Mesmo em casos de suspeita ou quando não há confirmação dos fatos, informações podem contribuir para o acionamento da rede de proteção.