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Caso Samyra: vizinho de 74 anos é preso por suspeita de estupro de vulnerável

Mãe da menina também está presa temporariamente

A Polícia Civil prendeu um homem de 74 anos, nesta sexta-feira (28), investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Peruíbe, no litoral de São Paulo, pela possível participação nas circunstâncias que levaram à morte de Samyra Roberta Almeida, de 10 anos. A mãe da menina, Angélica de Lima Tenorio, de 33 anos, também foi presa temporariamente durante a investigação, na terça-feira (25).

O investigado é João dos Santos. Segundo o boletim de ocorrência (BO), ele e o filho, de 47 anos, ajudaram Angélica a levar Samyra para o hospital depois que a menina foi encontrada desfalecida. A morte foi constatada na unidade de saúde, e a avaliação médica identificou lesões compatíveis com atos de natureza sexual.

O caso foi registrado em 10 de agosto como morte suspeita e, inicialmente, a Polícia Civil considerou as hipóteses de suicídio, acidente ou participação de terceiros. A mãe voltou a ser ouvida no dia 19 e, no dia seguinte, a corporação realizou uma reconstituição para confrontar as versões apresentadas pelos envolvidos.

Conforme apurado pelo VTV News, João foi localizado e preso em uma residência na Rua Diana, no bairro Laranjeiras, em Itanhaém, durante o cumprimento de um mandado de prisão temporária. A ordem judicial foi expedida pelo Anexo de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Peruíbe, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), e está relacionada à investigação de estupro de vulnerável.

Como era a rotina de Samyra

Segundo a delegada Izabela Coelho, responsável pela DDM, Samyra vivia uma rotina de isolamento antes de morrer. A menina estava há alguns meses sem celular, depois que o aparelho foi danificado pela mãe, e tinha uma vida social restrita, sem amigas da própria idade. Ela também apresentava baixa frequência escolar.

“Foi verificado junto à secretaria de ensino, a escola em que a família estava matriculada. Ela era uma aluna praticamente ausente, pouquíssimas presenças durante o ano letivo. Situação semelhante à do irmão caçula”,
afirmou a delegada ao VTV News.

Prisão da mãe

Angélica, que inicialmente colaborou com a investigação e participou da reconstituição, foi presa temporariamente na terça-feira (25). De acordo com a delegada, a mãe afirmou ser inocente.

“Eu representei pela prisão entendendo que a permanência em liberdade da genitora poderia ser prejudicial às investigações por uma série de fatores”, disse Izabela. A Justiça reconheceu a existência de indícios de materialidade e a necessidade da medida para o avanço das diligências.

Mãe é presa em Peruíbe após filha ser encontrada morta com corda no pescoço – Foto: reprodução e Portal Junior Santos

João e o filho dele – que ajudaram no resgate da menina – também foram ouvidos por terem proximidade com a família. Eles prestaram esclarecimentos sobre as circunstâncias em que encontraram Samyra e sobre a relação que mantinham com a criança. Os celulares dos dois homens foram apreendidos, assim como os aparelhos de Samyra e da mãe.

Crimes investigados

Ao VTV News, a delegada afirmou que a DDM investiga os crimes de favorecimento à prostituição e estupro de vulnerável, além das circunstâncias da morte da menina, considerando as lesões identificadas pelo Instituto Médico Legal (IML), que são compatíveis com crimes de natureza sexual.

“Não é comum uma criança de dez anos chegar a essa situação. Então precisa ser averiguado”,
avaliou a delegada.

Os aparelhos apreendidos ainda serão submetidos à perícia para a extração de mensagens, arquivos e outros dados que possam ajudar a esclarecer o que aconteceu antes da morte. O celular de Samyra está bastante danificado e não funciona normalmente, o que pode dificultar o acesso às informações.

A mãe da menina e João permanecem presos temporariamente e, conforme apurado pelo VTV News, as prisões podem ser prorrogadas caso seja necessário, mediante decisão judicial. Até a última atualização desta reportagem, a defesa dos envolvidos não havia sido localizada. O espaço permanece aberto para manifestação.

Samyra, de 10 anos, vivia isolada e quase não ia à escola antes de ser achada morta em Peruíbe – Foto: reprodução

Como denunciar casos de violência contra crianças e adolescentes

Casos de violência física, psicológica, ameaças, abuso, violações de direitos ou situações que coloquem crianças e adolescentes em risco podem ser denunciados por diferentes canais de atendimento. As denúncias podem ser feitas de forma anônima. Os principais canais são:

  • Disque 100 – serviço nacional de denúncias de violações de direitos humanos;
  • Polícia Militar  pelo telefone 190, em casos de emergência;
  • Polícia Civil – presencialmente em delegacias;
  • Conselho Tutelar – responsável por acompanhar situações que envolvam menores;
  • Delegacias especializadas como as Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) e unidades de proteção à criança e ao adolescente.

Segundo especialistas, denúncias podem ser fundamentais para interromper ciclos de violência, garantir proteção às vítimas e auxiliar investigações. Mesmo em casos de suspeita ou quando não há confirmação dos fatos, informações podem contribuir para o acionamento da rede de proteção.


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Autor

  • Renan da Paz

    Jornalista com três anos de experiência em comunicação multiplataforma, com atuação em televisão (apresentação, reportagem, produção, direção, roteirização e edição), assessoria de imprensa e produção de conteúdo para redes sociais. Atualmente, é produtor na VTV SBT e repórter web do VTV News.

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