A Prefeitura de Sumaré descredenciou a creche particular Pipa Amarela, no Jardim Bom Retiro, depois que uma bebê de 1 ano e 2 meses voltou para casa com diversas lesões no rosto. A unidade mantinha convênio com o Programa Bolsa-Creche (Proeb) e atendia cerca de 70 crianças da rede municipal. Enquanto a Secretaria de Educação conduz uma apuração interna, a Polícia Civil investiga o caso.
Segundo a família, a menina permaneceu normalmente na creche no dia 9 de junho. Horas depois, a coordenação entrou em contato com a mãe e pediu que ela buscasse a filha mais cedo. Ao chegar à unidade, a responsável ouviu que a criança havia sofrido apenas uma “mordidinha” no rosto.
No entanto, ao reencontrar a filha, a mãe percebeu que os ferimentos eram mais graves do que os informados inicialmente.
Mãe encontrou bebê com o rosto inchado
De acordo com a família, a menina apresentava inchaço na lateral do rosto, além de cortes no nariz e hematomas na boca e na orelha. Diante da situação, a mãe levou a filha para atendimento médico, onde a criança passou por exames, incluindo tomografia.
Um laudo particular anexado ao boletim de ocorrência apontou que as lesões eram compatíveis com agressões. Em seguida, a família procurou o Conselho Tutelar, registrou a ocorrência e acionou a Secretaria Municipal de Educação.
Ainda conforme os parentes, funcionários da escola disseram que outra criança teria provocado os ferimentos.

Família cobra acesso às imagens
Em busca de explicações, a mãe solicitou as imagens das câmeras de segurança da creche. Inicialmente, uma funcionária informou que a direção precisaria autorizar o acesso. Posteriormente, a família recebeu a informação de que não existiam câmeras nos espaços onde as crianças permanecem durante o dia.
Segundo o relato, a unidade instalou os equipamentos de monitoramento apenas em áreas administrativas.
Além disso, a mãe retirou as duas filhas da instituição e afirma que não recebeu esclarecimentos da escola até o momento.
Prefeitura identificou outro caso semelhante
A Prefeitura de Sumaré informou que a Secretaria de Educação já investigava um episódio anterior envolvendo mordidas em outra criança. Apesar de menos grave, a ocorrência reforçou a necessidade de uma análise mais ampla das condições de funcionamento da unidade.
Diante do segundo caso, a administração municipal decidiu romper imediatamente o convênio com a instituição.
Município suspendeu repasses e transferiu alunos
Após concluir uma análise técnica e jurídica, a Prefeitura oficializou o descredenciamento da creche Pipa Amarela. Além disso, suspendeu os repasses financeiros do Programa Bolsa-Creche e interrompeu novos encaminhamentos para a unidade.
Ao mesmo tempo, a Secretaria de Educação iniciou a transferência das cerca de 70 crianças atendidas pela instituição para outras escolas credenciadas, com prioridade para evitar prejuízos às famílias.
Segundo o secretário municipal de Educação, Lucas Gomes Lima, o município também abriu um processo administrativo para apurar responsabilidades e acolher as famílias envolvidas.

Família relata mudanças no comportamento da criança
Além das lesões físicas, a mãe afirma que a filha passou a demonstrar medo e comportamentos diferentes dos habituais. Segundo ela, a menina chora quando alguém tenta pegá-la no colo e se assusta até durante brincadeiras.
Para a família, as reações indicam que a criança pode ter sofrido um trauma após o episódio.
Polícia Civil e Prefeitura mantêm investigações
A Secretaria Municipal de Educação segue apurando as circunstâncias do caso para identificar se as lesões foram provocadas por mordidas ou por outro tipo de agressão.
Paralelamente, a Polícia Civil também conduz as investigações. Até agora, as autoridades não divulgaram um prazo para a conclusão dos trabalhos.