Moedas colocadas nos olhos, na boca e em outros orifícios do corpo marcam a cena do assassinato da empresária Barbara Denise Folha de Oliveira, de 34 anos, encontrada morta dentro de um apartamento, em São Vicente, na Baixada Santista. A Polícia Civil descreve o crime como “cruel e perturbador”.
Segundo a autoridade policial, o autor do feminicídio é o ex-marido da vítima, Manoel Ferro de Melo, de 38 anos. Em depoimento, ele afirmou que as moedas nos olhos fariam parte de um “ritual de passagem” inspirado na mitologia greco-romana, em que a alma precisaria pagar um barqueiro para alcançar o mundo espiritual.
De acordo com o delegado Rogério Nunes Pezzuol, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São Vicente, a justificativa apresentada revela um comportamento extremamente perturbado. “É uma mente completamente doentia”, afirmou o delegado, ao comentar a frieza do relato feito pelo investigado.
Vingança após o fim do relacionamento
Ainda conforme a polícia, o ritual não explica toda a cena encontrada no apartamento. O suspeito admitiu que “as demais moedas e o dinheiro inseridos em outros orifícios do corpo da vítima foram colocados como forma de vingança pessoal” contra Barbara. Houve, ainda, a inserção de um cartão bancário na vagina dela.
Segundo o depoimento, o ex-marido não aceitava o término do casamento, que teve duração de 18 anos, e se incomodava com frases ditas por ela, como o “desejo de viver em paz, sem um companheiro, e com independência financeira”. Foi então que, durante uma discussão, Barbara foi asfixiada dentro do quarto.
Peritos identificaram vestígios de sangue no rosto da vítima, na cama, no lençol e no travesseiro (veja abaixo). O corpo da empresária foi encontrado pela mãe e pelo filho de 14 anos, fruto do relacionamento com Manoel, e mobilizou equipes da Polícia Técnico-Científica, que isolaram o local para a realização da perícia.

Relação conturbada
Em depoimento, a mãe e o irmão de Barbara relataram que Manoel esteve no apartamento da vítima nos dias que antecederam a morte. Segundo os familiares, o relacionamento era marcado por discussões frequentes, e Barbara não demonstrava interesse em retomar a relação. Eles tiveram um filho, hoje com 14 anos.
O delegado Rogério Pezzuol afirmou ao VTV da Gente que o relacionamento terminou após a mulher se cansar de cumprir exigências enquanto ele estava preso. O homem tem passagens anteriores pela polícia e havia deixado o sistema prisional recentemente. “Ela precisava levar drogas para ele na prisão”, afirmou o delegado.
Ainda conforme o delegado, o homem já havia sido condenado a mais de 19 anos de prisão por roubo e outros crimes. Apesar do histórico criminal, não havia registros anteriores de violência doméstica nem a existência de medida protetiva em favor da vítima. No momento do crime, ele estava em liberdade provisória.


Prisão
Após o crime, na terça-feira (20), Manoel fugiu e chegou a se esconder em uma área de mata, segundo a Polícia Civil. No entanto, ele acabou entrando em contato com os investigadores afirmando que queria se entregar, por temer represálias do chamado “tribunal do crime”. O suspeito foi localizado e preso na capital paulista.
“O crime horrendo aconteceu porque a vítima não queria mais o convívio com esse elemento”, disse o delegado.
O caso segue sob investigação, com exames solicitados ao Instituto Médico Legal e ao Instituto de Criminalística. A defesa do investigado não foi localizada até a publicação desta reportagem. Conforme apurado pelo VTV News, o velório de Barbara aconteceu na tarde desta quinta-feira (22), na Funerária Osan, em Praia Grande.