Israel dos Santos, de 64 anos, foi preso, em Peruíbe, no litoral de São Paulo, suspeito de envolvimento em crimes de exploração sexual contra Samyra Roberta Almeida. O caso é investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e, segundo a Polícia Civil, a menina foi vítima de estupro antes de ser encontrada morta.
Conforme noticiado anteriormente, Samyra foi encontrada desfalecida em casa, com marcas de uma corda do tipo guia para cachorro no pescoço. A mãe, Angélica de Lima Tenorio, de 33 anos, levou a menina para um hospital com a ajuda de dois vizinhos, um idoso de 74 anos e o filho dele, de 47. No local, foram constatadas lesões de natureza sexual, posteriormente reconhecidas em laudo do Instituto Médico Legal (IML).
O caso foi registrado como morte suspeita no dia 10 de agosto, com dúvida sobre a possibilidade de suicídio. No dia 20, foi realizada uma reconstituição do crime para confrontar as versões apresentadas pelos envolvidos, entre eles a mãe e os dois vizinhos. Posteriormente, Angélica foi presa por favorecimento à prostituição.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP), Israel foi localizado por policiais civis na Avenida São João, na manhã desta quarta-feira (16). Havia um mandado de prisão contra ele. O homem foi encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) para exame de integridade física e, em seguida, conduzido à DDM.
Outras prisões
A mãe de Samyra foi a primeira a ser presa, no dia 25 de agosto, no Jardim Caraminguava. Segundo a delegada Izabella Coelho, a prisão ocorreu após o reconhecimento de “indícios de materialidade”. Ela afirmou ser “inocente”, mas, conforme a delegada, sua permanência em liberdade poderia ser prejudicial às investigações.
Já no dia 28, o borracheiro João dos Santos, de 74 anos, também foi preso temporariamente. Vizinho da família, ele é investigado por suspeita de estupro de vulnerável e foi localizado em uma residência na Rua Diana, no bairro Laranjeiras, em Itanhaém, durante o cumprimento de um mandado de prisão expedido pelo Anexo de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Peruíbe, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

O filho de João, de 47 anos, que também é investigado no caso, permanece em liberdade.
Como era a rotina da menina
Ao VTV News, a delegada revelou que a menina vivia em uma situação de isolamento social. Samyra estava havia alguns meses sem celular, depois que o aparelho foi danificado pela própria mãe e, segundo a polícia, tinha uma vida social restrita, sem amigas da mesma idade e com poucas presenças na escola.
“Ela era uma aluna praticamente ausente, pouquíssimas presenças durante o ano letivo. Situação semelhante à do irmão caçula. Não é comum uma criança de dez anos chegar a essa situação. Então precisa ser averiguado”,
afirmou a delegada na época.
Investigação
Os celulares de Samyra, da mãe e dos dois vizinhos foram apreendidos e serão periciados para a extração de mensagens, arquivos e outros dados que possam auxiliar na apuração.
Além das circunstâncias da morte, a DDM de Peruíbe investiga possíveis crimes de estupro de vulnerável e favorecimento à prostituição. As investigações continuam e, até o momento, não houve conclusão sobre a responsabilidade criminal dos envolvidos. A perícia dos celulares pode esclarecer o caso.
Como denunciar casos de violência contra crianças e adolescentes
Casos de violência física, psicológica, ameaças, abuso, violações de direitos ou situações que coloquem crianças e adolescentes em risco podem ser denunciados por diferentes canais de atendimento. As denúncias podem ser feitas de forma anônima. Os principais canais são:
- Disque 100 – serviço nacional de denúncias de violações de direitos humanos;
- Polícia Militar – pelo telefone 190, em casos de emergência;
- Polícia Civil – presencialmente em delegacias;
- Conselho Tutelar – responsável por acompanhar situações que envolvam menores;
- Delegacias especializadas como as Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) e unidades de proteção à criança e ao adolescente.
Segundo especialistas, denúncias podem ser fundamentais para interromper ciclos de violência, garantir proteção às vítimas e auxiliar investigações. Mesmo em casos de suspeita ou quando não há confirmação dos fatos, informações podem contribuir para o acionamento da rede de proteção.




