Indicação visual de conteúdo ao vivo no site
Indicação visual de conteúdo ao vivo

Celular de Dr. Jairinho: Justiça anula decisão que autorizava acesso aos dados

Por unanimidade, desembargadores entenderam que a autorização para acessar os dados foi concedida por um juízo sem competência para analisar o caso
Foto de identificação de Dr. Jairinho com fundo azul e escala de medidas, indicando um contexto de decisão da Justiça sobre acesso a dados. Jairinho

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) anulou a autorização para quebrar o sigilo e extrair os dados de um celular apreendido com o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, dentro de uma unidade prisional. A 7ª Câmara Criminal tomou a decisão por unanimidade na quarta-feira (12).

A polícia penal encontrou o aparelho em 1º de julho, durante uma revista no Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, no Rio de Janeiro. Segundo o TJ-RJ, um juízo sem competência para analisar o caso autorizou o acesso ao conteúdo. Naquele momento, o processo já estava na fase de execução provisória da pena.

Celular estava em cela coletiva

A polícia penal encontrou o aparelho dentro de uma pasta colocada acima da cama usada por Jairinho em uma cela coletiva.

Dois dias depois, o Ministério Público pediu autorização para acessar o conteúdo do celular e extrair todos os dados. A 2ª Vara Criminal da Capital autorizou a medida.

No entanto, a defesa de Jairinho contestou a decisão. Os advogados alegaram que o caso ocorreu dentro do sistema penitenciário e depois do julgamento pelo Tribunal do Júri. Por isso, segundo a defesa, a questão deveria seguir as regras da execução penal.

TJ-RJ questiona competência do juízo

Ao analisar o habeas corpus apresentado pela defesa, os desembargadores concluíram que o juízo do Tribunal do Júri não tinha competência para autorizar a quebra do sigilo.

De acordo com o acórdão, após o início da execução provisória da pena, as autoridades responsáveis pela execução penal devem analisar fatos novos que ocorram dentro do sistema prisional.

Além disso, o tribunal destacou que a Justiça precisa definir a competência antes de autorizar uma diligência. Portanto, um juiz não pode justificar sua competência com base no resultado que uma investigação poderá encontrar posteriormente.

Leia mais:

Tribunal suspende acesso aos dados

Com a decisão, o TJ-RJ proibiu o acesso, a análise e o uso dos dados extraídos do celular a partir da autorização anulada. O tribunal também determinou que as autoridades preservem o aparelho e toda a cadeia de custódia relacionada a ele.

Ainda assim, a decisão não impede o Ministério Público de apresentar um novo pedido para acessar os dados. Nesse caso, a Vara de Execução deverá analisar a solicitação e verificar se existe fundamentação para autorizar a medida.

Por outro lado, os desembargadores não analisaram outros argumentos apresentados pela defesa, como a falta de justa causa, possíveis violações ao contraditório e questionamentos sobre a cadeia de custódia. O colegiado considerou esses pontos prejudicados após reconhecer a incompetência do juízo que autorizou a quebra do sigilo.

Jairinho recebeu pena de mais de 43 anos

Em 4 de junho, o 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro condenou Jairinho a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo relacionados à morte de Henry Borel.

No mesmo julgamento, os jurados retiraram a acusação de homicídio doloso contra Monique Medeiros, mãe de Henry. Ela recebeu pena de 1 ano e 4 meses de detenção, em regime aberto, por omissão diante das torturas sofridas pelo filho.

Como ela já havia permanecido presa durante o processo, a Justiça considerou a pena cumprida. Tanto o Ministério Público quanto a defesa de Jairinho recorreram da sentença.


Continua após a publicidade

Autor

  • Luana Gasparetto

    Jornalista e radialista, com experiência em produção de conteúdo multiplataforma, elaboração de pautas, entrevistas e cobertura jornalística, com foco em informação de interesse público, comunicação digital e jornalismo investigativo. É autora do livro-reportagem “Borboletas de Concreto: desvelando as marcas deixadas nos corpos de ex-detentas e suas metamorfoses” e pós-graduanda em Gestão de Rádio e Mídias Audiovisuais.

VEJA TAMBÉM

Morte de nutricionista no Guarujá: Montagem com a imagem do carro amassado após acidente com danos na frente e um retrato do homem identificado como Murilo Rabello Abite, associado ao caso no Guarujá.

Motorista vira réu após acidente que matou nutricionista de 25 anos no Guarujá

mãe deixa crianças sozinhas em Engenheiro Coelho: Registro do cenário após incêndio com paredes e móveis queimados, entulho e danos em um cômodo, mostrando prejuízos na área afetada e marcas do fogo.

Após incêndio, mãe admite que deixou filhos sozinhos para ir a forró

assalto a farmácia em Mogi Guaçu: Câmeras de segurança registram dupla armada em corredor de farmácia, com pessoas rendidas entre prateleiras, durante o assalto em Mogi Guaçu.

Dupla armada assaltam farmácia e rende clientes em Mogi Guaçu

Carreta pega fogo após pane e interdita pista da D. Pedro I, em Campinas

Carreta pega fogo após pane e interdita pista da D. Pedro I, em Campinas

Gostaria de receber as informações da região no seu e-mail?

Preencha seus dados para receber toda sexta-feira de manhã o resumo de notícias.