O bancário Thiago Arruda Campos Rosas vai a júri popular por atropelar e matar o cantor de pagode Adalto Mello enquanto dirigia embriagado, em São Vicente, no litoral de São Paulo. A decisão foi proferida pela Justiça e permite que o acusado aguarde o julgamento em liberdade. A data da sessão ainda não foi definida.
Como já noticiado, Adalto, de 39 anos, conduzia uma motocicleta quando foi atingido pelo carro dirigido por Thiago, em dezembro de 2024. O bancário chegou a ser preso na época, mas deixou a prisão em maio de 2025 após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares.
Na sentença, o juiz Alexandre Torres de Aguiar, da 1ª Vara Criminal de São Vicente, entendeu haver indícios suficientes de autoria e materialidade para levar o caso ao Tribunal do Júri por homicídio qualificado. O magistrado destacou que o acusado ingeriu bebida alcoólica e, ainda assim, decidiu assumir a direção do veículo.
Risco assumido
Ao justificar o envio do caso ao júri popular, o juiz também destacou elementos que indicam uma condução incompatível com as condições da via. Segundo a decisão, Thiago teria escolhido trajetos potencialmente mais perigosos e mantido velocidade incompatível com a dos demais veículos que trafegavam pelo local.
Um laudo elaborado pelo Instituto de Criminalística (IC) reforçou essa linha de entendimento. O documento apontou que a dinâmica do acidente, os danos encontrados, a posição dos vestígios e a existência de uma lombada permitiram concluir que o veículo era conduzido em velocidade incompatível com a permitida na via.
Apesar disso, os peritos afirmaram que não foi possível determinar a velocidade exata do automóvel. O limite máximo no trecho era de 50 km/h. Imagens de câmeras de monitoramento que circularam nas redes sociais à época – e que foram reproduzidas pela reportagem – também registraram o momento do acidente. Veja:
O que dizem os advogados?
A advogada assistente de acusação, Sabrina Dantas, afirmou ao VTV News nesta terça-feira (19) que a expectativa da família de Adalto é de que o Tribunal do Júri reconheça a gravidade do caso. Segundo ela, o julgamento representa um momento importante para que os fatos sejam analisados pela sociedade.
A advogada também destacou, por meio de nota, que a família espera uma resposta da Justiça diante das circunstâncias do caso. “O Júri Popular representa a voz da sociedade, e esperamos que a decisão reflita o compromisso com a vida, a responsabilidade no trânsito e o combate à impunidade”, afirmou.
Por outro lado, a defesa de Thiago Arruda Campos Rosas informou à equipe de reportagem que já apresentou recurso contra a decisão que levou o caso ao Tribunal do Júri. O advogado Mário Badures afirmou que a determinação não é definitiva e ainda será analisada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
Segundo a defesa, a conclusão adotada nesta etapa do processo não condiz com o entendimento jurídico sustentado pelos advogados. Em nota, Mário Badures afirmou que há elementos que apontariam para uma conduta culposa e declarou que “não houve dolo eventual”, defendendo que o motorista “jamais agiu com indiferença” diante do resultado ocorrido.

Quem era Adalto Mello?
Cantor e compositor de pagode, Adalto se apaixonou pela música ainda na infância. De acordo com a família, ele aprendeu a tocar cavaco observando seu pai e, desde jovem, se dedicou à carreira musical, se apresentando em eventos e comércios. Também se formou em Educação Física e trabalhou em várias empresas.
Apesar disso, nunca abandonou o seu amor pela música, sempre conciliando o trabalho com ensaios e apresentações à noite. Para ele, a música era um sonho a ser vivido e não apenas uma fonte de dinheiro. Segundo a mãe do artista, Adalto era apegado à família e sempre procurava transmitir amor e bondade.