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Justiça nega prisão de homem que agrediu ex-companheira em Praia Grande

Segundo a decisão, investigado permanecerá livre após afirmar ter ciência das medidas protetivas

Não será preso o homem de 31 anos que agrediu a ex-companheira e fez ameaças de morte contra ela em Praia Grande, no litoral de São Paulo. O Tribunal de Justiça (TJ-SP) determina que o acusado permaneça em liberdade, sob o entendimento de que ele foi “solto em audiência de custódia, ciente das protetivas decretadas”.

Conforme já noticiado, a vítima, de 29 anos, foi agredida em frente à padaria onde trabalha, na Avenida Presidente Costa e Silva, no bairro Boqueirão, em 12 de maio. Testemunhas que presenciaram a cena contiveram o suspeito, que também acabou sendo agredido, até a chegada de equipes da Guarda Civil Municipal (GCM).

Em capturas de tela obtidas pelo VTV News, também é possível ver mensagens nas quais a mulher teria sido ameaçada de morte pelo suspeito, que afirmou ainda que ela seria “atacada” quando menos esperasse (leia abaixo). As mensagens teriam sido enviadas após o fim de um relacionamento que durou cerca de dois meses.

Diante do ocorrido, o Ministério Público (MP) se manifestou favoravelmente à prisão preventiva do investigado. O pedido foi analisado pelo juiz Eduardo Ruivo Nicolau, da Vara da Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, que recebeu a denúncia, mas decidiu indeferir a solicitação, em decisão nesta sexta-feira (22).

Violência

O vídeo já exibido pela reportagem mostra que o suspeito aguardava a saída da vítima do trabalho. Em determinado momento, os dois iniciam uma discussão, já que o homem insistia para que a mulher deixasse o local em sua companhia. Diante da recusa, ela foi atingida com um soco no rosto e caiu no chão.

Após a agressão, o suspeito foi perseguido por um grupo de pessoas e também acabou sendo agredido. A GCM foi acionada e precisou retirá-lo do local, já que ele havia se escondido dentro de uma loja de roupas para evitar agressões. O homem foi levado ao Pronto-Socorro (PS) Central e, depois, transferido ao Hospital Irmã Dulce.

A vítima foi encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Quietude e, posteriormente, também levada ao Hospital Irmã Dulce. O caso foi registrado na Central de Polícia Judiciária (CPJ) e como violência doméstica e lesão corporal. Em depoimento, o investigado assumiu a agressão e alegou ter agido em um “momento de descontrole emocional após provocações” da vítima.

Ameaças

De acordo com a defesa da vítima, após o fim do relacionamento, em fevereiro deste ano, o homem teria passado a fazer ameaças. Ele alegava ter sido traído e afirmava que, por isso, a mulher “pagaria com a vida”.

Alerta visual com o texto Atenção Imagens Fortes do portal VTV News para sinalizar conteúdo sensível.
Captura de tela de mensagens com ameaças de morte enviadas pelo ex-companheiro à vítima em Praia Grande.
Vítima relatou que vinha sendo perseguida pelo ex-companheiro desde término da relação – Foto: arquivo pessoal

Ministério Público

Na denúncia apresentada à Justiça, o Ministério Público (MP-SP) defendeu a prisão preventiva do investigado ao considerar que os elementos anexados ao processo indicariam “acentuado risco à integridade física e psicológica” da vítima. Segundo o órgão, a medida seria necessária diante da possibilidade de novos episódios.

De acordo com a promotoria, o pedido foi fundamentado em elementos reunidos ao longo da investigação, como boletim de ocorrência (BO), laudos periciais, depoimentos e demais informações anexadas aos autos. O documento também menciona que o investigado chegou a ser preso em flagrante.

Entre os argumentos apresentados pelo Ministério Público na última quarta-feira (20), estão:

  • a existência de uma suposta “escalada da violência” no caso;
  • a avaliação de que medidas cautelares e protetivas seriam insuficientes;
  • o risco de novas condutas contra a vítima;
  • a necessidade de preservar a ordem pública e garantir a segurança da mulher.

Ainda conforme a denúncia, as medidas determinadas anteriormente teriam se mostrado “inócuas diante do incessante anseio do acusado em se vingar da vítima em razão do rompimento do relacionamento”. O órgão afirmou ainda que a prisão preventiva seria necessária para assegurar o andamento da investigação e permitir que a vítima prestasse depoimentos sem sofrer “qualquer tipo de influência externa negativa”.

Decisão

Na decisão, o juiz escreveu que o investigado “foi solto em audiência de custódia recentemente, ciente das protetivas decretadas. Assim, salvo melhor juízo, não há motivo para a decretação de prisão preventiva neste momento”. O magistrado também negou outro pedido do Ministério Público, afirmando que o próprio órgão possui competência para requisitar a instauração de inquérito policial.

Apesar da negativa em relação à prisão, a Justiça considerou existir material suficiente para dar continuidade ao processo. No documento, o magistrado cita a presença de “prova da existência do(s) crime(s) e indícios da autoria”, determinando a citação do acusado para apresentação da defesa e o prosseguimento das próximas etapas processuais.

Registro de agressão sofrida por mulher atingida com soco no rosto pelo ex-companheiro no litoral de São Paulo.
Mulher foi agredida com um soco no rosto ao sair do trabalho em Praia Grande – Foto: Canal5 Web TV

O que diz a defesa

Em nota ao VTV News, os advogados Matheus Tamada e Thyago Garcia, que representam a vítima, manifestaram “preocupação com a decisão que indeferiu o pedido de prisão preventiva do investigado, especialmente diante da gravidade dos fatos apurados e da repercussão social do caso”.

A defesa afirmou manter confiança de que o “Ministério Público, na qualidade de fiscal da lei, adotará as medidas recursais cabíveis visando à reanálise da decisão judicial, considerando os elementos constantes nos autos e a necessidade de resguardar a integridade da vítima e a ordem pública”.

Os advogados também informaram que “a defesa seguirá acompanhando atentamente o andamento processual, promovendo as medidas jurídicas pertinentes e instigando a interposição de recurso em relação ao indeferimento da prisão preventiva, na busca pela adequada aplicação da justiça”.

A defesa do suspeito não foi localizada pelo VTV News, mas o espaço para manifestações permanece aberto.

Como denunciar casos de violência contra a mulher


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Autor

  • Renan da Paz

    Jornalista com três anos de experiência em comunicação multiplataforma, com atuação em televisão (apresentação, reportagem, produção, direção, roteirização e edição), assessoria de imprensa e produção de conteúdo para redes sociais. Atualmente, é produtor na VTV SBT e repórter web do VTV News.

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