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Fábrica clandestina de fuzis em Santa Bárbara: Justiça manda trio de volta à prisão

Dinael Enrique Borges, Anderson Custódio Gomes e Lucas Gonçalves Silva haviam conseguido liberdade provisória dias antes. Decisão cita risco de fuga e continuidade dos crimes
Fábrica clandestina de fuzis em Santa Bárbara: fotografia mostra dezenas de fuzis e peças de armas apreendidas sobre o chão de um ambiente investigado pela polícia

A Justiça Federal revogou a liberdade provisória de três acusados de integrar uma organização criminosa que fabricava e comercializava armas de fogo de uso restrito. Com a decisão, Dinael Enrique Borges, Anderson Custódio Gomes e Lucas Gonçalves Silva voltaram à prisão preventiva. A investigação relaciona o trio a uma fábrica clandestina de fuzis descoberta em Santa Bárbara d’Oeste (SP), em agosto de 2025.

O Ministério Público Federal (MPF) recorreu da decisão que havia permitido a soltura dos acusados. Em seguida, a juíza federal Geraldine Vital, da 8ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro (RJ), analisou o recurso e apontou fatores que justificariam a retomada das prisões.

Justiça aponta motivos para nova prisão

A Justiça havia concedido liberdade provisória aos três acusados após o encerramento da fase de instrução do processo. Na ocasião, a decisão considerou que a coleta de provas havia terminado e que o risco de continuidade dos crimes poderia ter diminuído.

No entanto, ao analisar o recurso do MPF, a juíza destacou três circunstâncias:

  • Produção de fuzis em escala industrial: segundo a acusação, os armamentos abasteciam a criminalidade violenta do Rio de Janeiro.
  • Continuidade das atividades: a decisão aponta indícios de que o grupo manteve a fabricação por mais de dois anos, inclusive sob o comando de um investigado que cumpria prisão domiciliar por condenação pelo mesmo crime.
  • Risco de fuga: informações de inteligência indicaram a possibilidade de fuga de integrantes da organização.

Diante desses elementos, a Justiça Federal determinou novamente a prisão preventiva de Dinael, Anderson e Lucas.

Polícia Federal descobriu fábrica clandestina em Santa Bárbara

A Polícia Federal descobriu o esquema em agosto de 2025, durante uma operação que localizou uma fábrica clandestina de fuzis AR-15 em Santa Bárbara d’Oeste. Na mesma investigação, os agentes apreenderam 183 armas em uma loja de Americana (SP).

Segundo a Polícia Federal, a empresa usava a produção de peças aeronáuticas como fachada. Entretanto, os investigadores identificaram uma estrutura voltada à fabricação de fuzis.

Além disso, a operação encontrou máquinas, ferramentas e moldes usados na produção. As peças apreendidas, conforme as informações do caso, seriam suficientes para montar 80 fuzis.

Grupo é acusado de fornecer armas para facções

De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal, a organização criminosa fabricava e comercializava armas de fogo de uso restrito. A investigação aponta que o grupo fornecia armamentos para facções criminosas de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Para manter a atividade, os envolvidos exerciam funções diferentes. Entre elas estavam a administração do espaço, a operação das máquinas, o recebimento de peças e o transporte dos armamentos.

A denúncia também aponta Silas Diniz Carvalho como um dos chefes da organização. Os demais acusados teriam participado de diferentes etapas do esquema.

Polícia apreende armas e peças em local que seria ligado à Fábrica clandestina de fuzis em Santa Bárbara d’Oeste, com muitos fuzis e equipamentos de fabricação. Foto: Polícia Federal.
Polícia apreende armas, peças e equipamentos que seriam utilizados na fabricação clandestina de fuzis em Santa Bárbara d’Oeste. Foto: Polícia Federal.

Oito acusados participaram de audiência em agosto

O processo tramita na Justiça Federal do Rio de Janeiro. Em 6 de agosto de 2026, oito dos dez acusados participaram de audiência de instrução e julgamento.

Na ocasião, a Justiça ouviu:

  • Silas Diniz Carvalho;
  • Marcely Ávila Machado;
  • Walcenir Gomes Ribeiro;
  • Janderson Aparecido Ribeiro de Azevedo;
  • Anderson Custódio Gomes;
  • Wendel dos Santos Bastos;
  • Dinael Enrique Borges;
  • Lucas Gonçalves Silva.

Por outro lado, Gabriel Carvalho Belchior e Diego José Santana não prestaram depoimento porque as autoridades não os localizaram.

Após o encerramento das audiências, a Justiça Federal informou que o processo seguirá para a fase de diligências. Depois disso, as partes apresentarão alegações finais e, por fim, o juiz poderá proferir a sentença.

Outro acusado responde por remessas de peças dos EUA

Em julho de 2026, a Justiça Federal tornou réu Luiz Carlos Siqueira. Segundo a denúncia, ele recebia remessas postais dos Estados Unidos com peças destinadas à fabricação de armas.

A acusação aponta que pelo menos duas remessas apreendidas continham mais de 100 peças de armamentos.

Como a Justiça aceitou a denúncia contra Siqueira posteriormente, o processo dele tramita separadamente. Por esse motivo, ele não participou das audiências realizadas em agosto.

Entenda como funcionava a fabricação dos fuzis

A Polícia Federal encontrou máquinas e equipamentos de alta precisão no endereço investigado. Os envolvidos utilizavam o processo de usinagem para transformar blocos de metal em componentes dos armamentos.

Além das máquinas, os investigadores identificaram softwares e ferramentas usados na fabricação das peças.

Segundo a acusação, a estrutura permitia produzir fuzis em escala industrial. A Polícia Federal também já havia apreendido armas fabricadas no Brasil por meio de impressoras 3D, mas o material encontrado em Santa Bárbara d’Oeste apresentava componentes metálicos no padrão do fuzil AR-15.

O que acontece agora?

Com a nova decisão judicial, Dinael Enrique Borges, Anderson Custódio Gomes e Lucas Gonçalves Silva voltam a cumprir prisão preventiva.

Agora, o processo continuará na Justiça Federal do Rio de Janeiro. A próxima fase inclui diligências e alegações finais. Em seguida, o juiz deverá analisar as provas e decidir os próximos encaminhamentos.

Presunção de inocência: os quatro acusados têm direito à defesa e devem ser considerados inocentes até eventual condenação definitiva.


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Autor

  • Luana Gasparetto

    Jornalista e radialista, com experiência em produção de conteúdo multiplataforma, elaboração de pautas, entrevistas e cobertura jornalística, com foco em informação de interesse público, comunicação digital e jornalismo investigativo. É autora do livro-reportagem “Borboletas de Concreto: desvelando as marcas deixadas nos corpos de ex-detentas e suas metamorfoses” e pós-graduanda em Gestão de Rádio e Mídias Audiovisuais.

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