O mesmo lugar onde Marilda Freitas Dias, de 79 anos, e um motorista de aproximadamente 90 anos se encontravam para atividades de estimulação cognitiva agora está fechado por luto. A idosa foi atropelada pelo colega na tarde desta quarta-feira (26), em Santos, no litoral de São Paulo, e morreu horas depois.
Conforme noticiado anteriormente, o caso aconteceu na Rua Tolentino Filgueiras, conhecida como a “Rua Gastronômica”, no Gonzaga, e foi registrado por câmeras de monitoramento obtidas pelo VTV News. O Honda HR-V saiu de ré de um estabelecimento e atingiu três motocicletas estacionadas. Na sequência, avançou pela via, atropelou três pedestres e bateu contra um Jeep Compass antes de parar (veja mais abaixo).
Marilda foi socorrida em estado grave e levada à Santa Casa de Santos, mas não resistiu aos ferimentos. As outras três vítimas – um homem de 57 anos e duas mulheres, de 38 e 33 anos – também foram encaminhadas ao hospital pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e receberam alta após exames.
O motorista recebeu alta do Hospital São Lucas na noite de quarta-feira (26), após ser levado à unidade por ter passado mal depois do acidente. Segundo a Polícia Civil, a principal hipótese investigada até o momento é de que ele tenha sofrido um mal súbito antes de perder o controle do veículo.
Colegas de clínica
Conforme apurado pelo VTV News, o motorista e Marilda eram alunos do Supera Santos, curso de estimulação cognitiva, também conhecido como “ginástica para o cérebro”. A metodologia é voltada ao desenvolvimento de habilidades mentais e socioemocionais e tem a terceira idade entre os públicos atendidos.
No dia do acidente, os dois chegavam à unidade para participar de uma atividade. O VTV News esteve no local nesta quinta-feira (27) e constatou que a unidade permanece fechada em razão do luto pela morte da aluna. O estacionamento exclusivo para alunos também ficou danificado após a colisão.
Em nota à reportagem, o Supera afirmou ter recebido com “profunda tristeza” a notícia da morte de Marilda e disse estar oferecendo apoio às famílias, às demais pessoas envolvidas e à comunidade da unidade.
“Por respeito às famílias e à privacidade de todos os envolvidos, não faremos especulações nem divulgaremos informações pessoais sobre o ocorrido. Neste momento, acima de qualquer outra consideração, permanecemos unidos no cuidado com as pessoas e no respeito à vida e à memória de nossa aluna”,
informou a instituição.
A unidade informou ainda que pretende retomar as atividades nesta sexta-feira (28), com cuidado e acolhimento aos alunos e colaboradores. O acidente foi registrado pelo 7º Distrito Policial (DP) de Santos como homicídio e lesão corporal culposos na direção de veículo automotor, e a investigação segue.

Motorista pode não ser indiciado
Nesta quinta-feira (27), a filha do motorista esteve no 7º DP. Caso se sinta melhor, ele deve prestar depoimento à Polícia Civil ainda hoje. Segundo a delegada Daniela Lázaro, titular da unidade, o idoso está abalado e ainda não sabe da morte de Marilda. A delegada afirmou que, diante das circunstâncias apuradas até o momento, existe a possibilidade de o motorista não ser punido pelo acidente. Ela explicou que o papel da Polícia Civil é concluir a investigação e encaminhar o caso à Justiça, que avaliará as circunstâncias da ocorrência.
“Acredito que não vai ser punido. Foi uma fatalidade, essa é a palavra. O nosso papel é instaurar um inquérito, ouvir as pessoas e mandar para o Fórum. O juiz vai analisar, mas não acredito que vai aplicar uma penalidade”,
afirmou a delegada ao VTV News.
