Por quase uma semana, o corpo da mulher encontrada morta dentro de uma mala em Praia Grande, na Baixada Santista, permaneceu na casa onde ela morava com o companheiro. Durante esse período, vizinhos desconheciam seu paradeiro, familiares estavam distantes e o autor do crime – segundo a polícia, o próprio namorado – tentava esconder o cadáver.
Ao repórter Pietro Falbuon, o delegado responsável pela investigação, Luiz Ricardo de Lara Dias Júnior, explicou que o suspeito abandonou o corpo de Jane de Araújo Lima, de 46 anos, em um terreno baldio no bairro Ribeirópolis, em 2 de setembro. A mala exalava um cheiro forte e chamou a atenção de três crianças que brincavam nas proximidades.
O objeto estava fechado com cadeado, mas a senha foi deixada em um bilhete ao lado. Quando as crianças abriram a mala, encontraram o corpo em decomposição. Segundo a perícia, a mulher teria sido morta em casa cinco dias antes. A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Praia Grande investiga o caso como feminicídio (veja imagens a seguir).
O que levou a polícia até o suspeito?
Jane foi vista pela última vez em 27 de agosto. Naquele dia, vizinhos disseram ter presenciado uma briga violenta entre ela e o companheiro, Atílio. Depois disso, a mulher não foi mais vista no bairro. O VTV News apurou que o casal vivia um relacionamento instável, marcado por uso frequente de álcool e drogas, além de agressões e ameaças anteriores.
A Polícia Civil já havia encontrado boletins de ocorrência (BOs) que registravam situações anteriores de violência doméstica. Após matar a companheira a facadas, segundo a corporação, o suspeito vendeu os móveis da casa, fugiu para São Paulo e se escondeu na casa de uma das filhas. Com base nas provas, a Justiça autorizou sua prisão temporária.
O que a perícia encontrou na casa da vítima?
O imóvel passou por uma varredura com luminol [produto químico] em todos os cômodos, e os peritos encontraram vestígios de sangue humano no local que parecia ter sido recentemente limpo, justamente onde a vítima foi morta a facadas. Segundo o delegado, a faca usada no crime foi encontrada entre dois muros, em um espaço ao lado da casa.
A polícia ainda informou que a arma foi lavada e escondida dias depois do assassinato, em uma tentativa de ocultar provas. Jane e Atílio moravam juntos em Teresina, no Piauí, e há cerca de três anos ela se mudou para São Paulo a convite dele. Desde então, o casal passou por várias cidades até se estabelecer em Praia Grande há cerca de um mês.
Como a vítima foi identificada?
Dias antes de ser assassinada, Jane enviou um vídeo à filha, que mora no Maranhão, mostrando o interior da nova casa onde estava morando com o companheiro. Na gravação, uma das malas aparece em destaque e tem as mesmas características da que foi usada para ocultar o corpo. Assim que soube da morte da mãe, a filha compartilhou o vídeo com a polícia.
A identificação da vítima foi feita por exame papiloscópico do Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt (IIRGD), que cruzou as digitais no sistema AFIS. Segundo o delegado titular da DIG, “a identificação foi fundamental para iniciar as diligências, localizar a residência e ouvir vizinhos e familiares sobre o histórico de agressões”.
Atenção!


O suspeito confessou o crime?
Inicialmente, Atílio negou qualquer envolvimento no crime. Ele se apresentou ao 3º Distrito Policial (DP) de Praia Grande para “buscar informações” sobre o desaparecimento da companheira, sem saber que havia contra ele um mandado de prisão.
Confrontado com provas técnicas e testemunhais, o suspeito confessou o assassinato em detalhes, chorou e disse estar arrependido. Alegou que o crime ocorreu após uma discussão, influenciado pelo uso de álcool e drogas. Durante as diligências, mostrou como tudo aconteceu e indicou onde escondeu a faca usada no crime.