Uma mulher de 46 anos, identificada como Ana Paula Pereira, foi presa em flagrante após matar o companheiro, Gabriel Alves Holanda, de 26, com um tiro no rosto, em Peruíbe, no litoral de São Paulo. Mesmo ferido, o jovem conseguiu sair do imóvel pedindo ajuda, mas não resistiu. O caso é investigado como homicídio.
Segundo apurado pelo VTV News, o casal havia se mudado recentemente de Joinville, em Santa Catarina, para Peruíbe, e estava morando provisoriamente na casa de uma tia de Gabriel, no bairro Jardim Veneza. A discussão começou após uma briga entre o cachorro do casal e o pit bull da parente, na noite da última segunda-feira (9).
O registro policial aponta que, após o ataque entre os animais, Gabriel teria ficado exaltado e feito ameaças, dizendo que mataria o pit bull e também familiares da tia, incluindo um jovem autista de 23 anos. O rapaz também teria ameaçado Ana Paula, o filho dela – fruto de outro relacionamento – e o pai da criança.
Como a polícia chegou até a autora
Durante a confusão, segundo o depoimento da mulher à Polícia Civil, Gabriel pegou uma faca e chegou a arremessá-la contra ela. Em seguida, ainda conforme o relato, ele teria conseguido puxá-la pela roupa através de uma janela da casa. Foi nesse momento que Ana Paula afirmou ter reagido e efetuado o disparo.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que policiais militares estavam em uma base móvel na Rua da Estação quando foram avisados de que um homem baleado pedia socorro. Pouco depois, os agentes foram informados de que a autora do disparo estaria na Rua Alfredo Fernandes, onde ela foi localizada.
Questionada, Ana Paula confessou o crime e disse que atirou durante uma discussão. A arma utilizada foi apreendida, assim como munições e duas facas. O local foi preservado para perícia do Instituto de Criminalística (IC), e ela passou por audiência de custódia, mas foi liberada para responder ao processo em liberdade.
Defesa
Ao VTV News, a advogada Thais Tiemi Tokuda afirmou que Ana Paula foi liberada em audiência de custódia.
“Desde o primeiro momento, a gente sustentou que a análise de um caso tão sensível não poderia se limitar à gravidade abstrata do crime, que é o homicídio consumado, e à formalidade do flagrante. A Ana Paula é primária, e ela não tem qualquer envolvimento com prática criminosa”, destacou Thais.
Marcelo Luiz de Carvalho Kono, que também representa a autora do disparo, reforçou que a prisão preventiva deve ser aplicada apenas em situações excepcionais.
“Ela não pode ser decretada apenas pela gravidade do crime ou pela comoção que o fato naturalmente gera. Entendemos que o Judiciário agiu com equilíbrio ao pô-la em liberdade mediante o cumprimento de determinadas condições”, acrescentou.