A defesa da mulher que matou o pai a facadas em Itanhaém, na Baixada Santista, afirma que ela teve um surto psicótico e não estava plenamente consciente do que fez. O crime aconteceu em 16 de agosto. Após o homicídio, Carla Linhares, de 41 anos, foi vista nua pelas ruas e está presa desde então no Centro de Detenção Provisória da cidade (relembre a seguir).
A defesa de Carla é feita pelos advogados Alexander Neves Lopes e Tiago dos Santos Calejon. Ao VTV News, Lopes explicou que a avaliação psiquiátrica será fundamental para definir os próximos passos do processo. Segundo ele, já está claro que a cliente não tem condições de responder criminalmente, dado o estado psicológico em que se encontra.
“Pelo contato que tive com ela, entendo que se trata de um surto psicótico permanente. No momento oportuno, será instaurado um incidente, com análise de uma junta médica, para comprovar a inimputabilidade”, afirmou o advogado.
Justiça pode decidir por internação de mulher que matou o pai e foi vista nua
Carla afirmou à polícia ter sofrido abusos e exploração sexual do pai ao longo da vida, circunstância que, segundo a defesa, contribuiu para o agravamento do quadro. Diante disso, os advogados sustentam que a violência acumulada pode ter desencadeado o rompimento psicológico que levou ao crime.
O processo ainda está em fase inicial e deve avançar nos próximos dias com a denúncia do Ministério Público (MP). A defesa aguarda a formalização da acusação para que seja aberta a discussão sobre a condição de saúde mental da suspeita.
Caso a Justiça aceite o argumento de surto psicótico, Carla poderá ser considerada inimputável, o que pode resultar em medidas de segurança, como internação em hospital psiquiátrico ou tratamento ambulatorial, em vez de cumprimento de pena em presídio.
Por que mulher matou próprio pai no litoral de SP?
Em depoimento à Polícia Civil, a mulher relatou que cuidava diariamente do pai, administrando remédios, preparando refeições e acompanhando consultas médicas, além de trabalhar como designer têxtil em home office. Ela afirmou que não mantinha contato com a mãe e que os irmãos raramente a visitavam.
A autoridade policial também detalhou que o idoso tinha diversas comorbidades, incluindo pressão alta e diabetes, e havia perdido a fala recentemente. A sobrecarga, somada a supostos abusos sofridos na infância, teria motivado o crime: primeiro golpe na garganta e, em seguida, outros 20 desferidos no abdômen, sem que ele tivesse chance de se defender.

Pelada na rua, mulher confessou crime
Ela foi encontrada por agentes da Guarda Civil Municipal (GCM) exibindo as partes íntimas pelo Centro, próximo à orla da praia, e confessou ter matado o pai (assista ao vídeo no topo do texto). A mulher também indicou o endereço do apartamento onde morava com ele, na Avenida Condessa de Vimieiros, o que permitiu aos guardas localizar a cena do crime.
Após o crime, a mulher tentou se ferir introduzindo um pente na região íntima e golpeando o próprio corpo com um martelo, mas não conseguiu causar lesões graves. Conforme informado pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), a perícia recolheu a faca usada e dispositivos eletrônicos, como tablet, HDs e pen drives.