Novas capturas de tela obtidas pelo VTV News revelam mais mensagens atribuídas ao vereador Diego Gomes Vieira (PRD), de Praia Grande, supostamente enviadas a um adolescente. O parlamentar é investigado pela Polícia Civil sob suspeita de oferecer dinheiro a menores de idade em troca de sexo e de fotos íntimas, mas nega as acusações.
Em uma das conversas, que ocorreu em modo temporário, Vieira pede ao jovem “uma fotinha salva daquele jeito”. O adolescente questiona o que ele queria dizer e pergunta: “Que jeito?”. O vereador responde apenas “do melhor jeito”. Na sequência, o jovem pergunta se ele estava falando do pênis, e o parlamentar reage com risadas.
Ainda durante a conversa, o vereador envia uma foto em que aparece usando apenas cueca. A imagem também foi registrada pelo adolescente, que gravou a tela do celular durante a troca de mensagens, na noite do último 10 de fevereiro. O material foi encaminhado às autoridades responsáveis pela investigação.

Outras mensagens
O vereador passou a ser investigado após a descoberta de mensagens em que sugere fazer sexo oral em um adolescente dentro do próprio carro. Ele lamenta que os dois estejam longe e pede para que o jovem “dê um toque” quando estiver disponível, e oferece dinheiro em troca do encontro, com valores entre R$ 50 e R$ 200.
Além das propostas, o parlamentar também teria oferecido ingressos para shows e presentes, como chuteiras de futebol. Em uma das mensagens, o investigado envia emojis de cifrões logo após mencionar o ato sexual. As conversas foram descobertas pelos pais do adolescente, de 17 anos, após acessarem o celular do filho.


O caso foi registrado como favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual de vulnerável. “Quando eu olhei o teor das provas, eu falei ‘não só tá consumado, como é um crime gravíssimo’, porque é um menor. Menor relativamente incapaz”, disse a advogada das vítimas, Mayra Solani, em entrevista ao SBT.
Investigação
Equipes do 3º Distrito Policial (DP) cumpriram, no dia 20, mandados de busca e apreensão. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP), as ordens judiciais foram executadas em diferentes endereços ligados ao vereador, quando computadores e pen drives foram apreendidos e encaminhados para análise pericial.
Em nota, a defesa de Diego Gomes informou que o parlamentar entregou voluntariamente o aparelho telefônico e autorizou a entrada dos policiais na residência e no gabinete, colaborando com as autoridades. As medidas judiciais foram autorizadas após denúncias envolvendo, ao menos, quatro supostas vítimas.
Já a Câmara Municipal afirmou que mantém compromisso com a transparência e que vai colaborar com as investigações conduzidas pela polícia e pelo Ministério Público. O Legislativo destacou ainda que eventuais medidas institucionais seguirão o Código de Ética e Decoro Parlamentar, além das normas do Regimento Interno e da Lei Orgânica do município.
‘Armação política’
Em manifestação nas redes sociais, o vereador afirmou ser inocente, classificou as acusações como parte de uma “armação política rasteira” e defendeu que o objetivo dos denunciantes seria atingir sua imagem. “Querem acabar com a minha honra, mas acredito que o Poder Judiciário irá provar minha inocência“, declarou.
Vereador investigado é autor de ‘Lei Felca’ para combater pedofilia
Diego Gomes Vieira, de 31 anos, é autor da Lei Felca, criada para promover ações de enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes em Praia Grande. O projeto foi apresentado em agosto de 2025 e recebeu o nome do youtuber Felipe Bressanim Pereira, de 27 anos, que ganhou notoriedade após denunciar o influenciador paraibano Hytalo Santos por suposta exploração de menores.
A Lei Municipal 2.282/2025 foi sancionada pela prefeitura e entrou em vigor em outubro do mesmo ano. Conforme publicação no Diário Oficial de Praia Grande, a norma instituiu a campanha Maio Laranja com foco na conscientização e no combate à violência sexual infantojuvenil. Entre os objetivos estão:
- Conscientizar a população sobre a gravidade da violência sexual contra crianças e adolescentes;
- Incentivar denúncias e combater abusos, principalmente na internet;
- Reforçar a rede de proteção e o apoio psicológico às vítimas e famílias;
- Orientar crianças, adolescentes e pais sobre riscos digitais, como pornografia infantil e aliciamento virtual (grooming).