A Polícia Civil cumpriu, na manhã desta sexta-feira (20), mandados de busca e apreensão contra o vereador Diego Gomes Vieira (PRD), de 31 anos, em Praia Grande, na Baixada Santista. O parlamentar é investigado após ser denunciado por oferecer dinheiro a menores de idade em troca de sexo, mas nega as acusações.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP), os mandados foram cumpridos por equipes do 3º Distrito Policial (DP) em diferentes endereços ligados ao investigado. O VTV News apurou que computadores e pen drives foram apreendidos e encaminhados à perícia, tanto na residência quanto no gabinete do parlamentar.
As medidas foram autorizadas após denúncias envolvendo, ao menos, quatro relatos de suposto favorecimento à prostituição. A advogada Mayra Solani, que representa a família de um adolescente de 16 anos, afirma que o vereador teria oferecido dinheiro em troca de sexo oral. As conversas foram anexadas ao boletim de ocorrência.
‘Só a m*mada tava bom’
Essas mensagens teriam sido enviadas no modo “visualização única”, recurso que faz fotos e conteúdos desaparecerem após serem abertos. Além de ofertas em dinheiro, que variariam entre R$ 50 e R$ 200, também teriam sido prometidos presentes, como chuteiras de futebol e convites para eventos musicais (leia abaixo).


O conteúdo foi descoberto pelos pais do adolescente no último dia 9, após acessarem o celular do filho. Apesar da idade, a vítima é considerada relativamente incapaz pela legislação por ainda ser menor de idade. O caso foi registrado como favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual de vulnerável.
“Quando eu olhei o teor das provas, eu falei ‘não só tá consumado, como é um crime gravíssimo’, porque é um menor. Menor relativamente incapaz”, disse a advogada Mayra Solani, em entrevista ao SBT.
Posicionamento
O VTV News entrou em contato com a Câmara Municipal de Praia Grande, por e-mail e ligação telefônica, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Já a Prefeitura, também contatada, informou que eventuais esclarecimentos sobre a operação devem ser solicitados à Polícia Civil e à própria Câmara.
O que diz o vereador?
Em manifestação nas redes sociais, o vereador afirmou ser inocente, classificou as acusações como parte de uma “armação política rasteira” e defendeu que o objetivo dos denunciantes seria atingir sua imagem. “Querem acabar com a minha honra, mas acredito que o Poder Judiciário irá provar minha inocência“, declarou.
A defesa do vereador, representada pelo advogado Marco Antonio, foi procurada na última segunda-feira (16). À época, o profissional afirmou que “serão adotadas todas as medidas legais cabíveis para o devido esclarecimento dos fatos e para a preservação da honra e da imagem do vereador, diante da denunciação caluniosa“.
Paralelamente à investigação conduzida pela Polícia Civil, uma denúncia foi encaminhada ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que avaliará a eventual instauração de procedimento próprio. A corporação informou que as apurações seguem sob sigilo para preservar as vítimas e garantir a coleta de provas.
Vereador investigado é autor de ‘Lei Felca’ para combater pedofilia
Conhecido como “tio da creche“, Diego Gomes Vieira, de 31 anos, é autor da Lei Felca, criada para promover ações de enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes em Praia Grande. O projeto foi apresentado em agosto de 2025 e recebeu o nome do youtuber Felipe Bressanim Pereira, de 27 anos, que ganhou notoriedade após denunciar o influenciador Hytalo Santos por suposta exploração de menores.
A Lei Municipal 2.282/2025 foi sancionada pela prefeitura e entrou em vigor em outubro do mesmo ano. Conforme publicação no Diário Oficial de Praia Grande, a norma instituiu a campanha Maio Laranja com foco na conscientização e no combate à violência sexual infantojuvenil. Entre os objetivos estão:
- Conscientizar a população sobre a gravidade da violência sexual contra crianças e adolescentes;
- Incentivar denúncias e combater abusos, principalmente na internet;
- Reforçar a rede de proteção e o apoio psicológico às vítimas e famílias;
- Orientar crianças, adolescentes e pais sobre riscos digitais, como pornografia infantil e aliciamento virtual (grooming).