A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta segunda-feira, a Operação Wi-Fi Livre para apurar irregularidades na contratação e execução de serviços da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) de São Paulo. Vinculado à operação está o Instituto Conhecer Brasil (ICB), que é o principal investigado.
Um dos alvos é Karina Ferreira da Gama, dona do Instituto Conhecer e responsável pelo filme sobre a família Bolsonaro, Dark Horse. O ICB foi contratado por R$ 108 milhões para implantar, executar e realizar a manutenção de pontos de internet gratuita do programa Wi-Fi Livre na capital paulista.
Buscas e apreensões
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), a investigação apura suspeitas de fraudes no contrato.
“Também são cumpridas diligências em endereços ligados a empresas que teriam sido subcontratadas para a implantação dos serviços. Houve ainda busca na Secretaria Municipal para obtenção de contratos, prestações de contas e documentos relacionados ao termo de colaboração”, informou a SSP em nota.
Por determinação judicial, as equipes cumprem mandados de busca e apreensão para recolher documentos físicos e digitais, equipamentos eletrônicos, registros financeiros e outros materiais que possam contribuir para o avanço das investigações. Não há mandados de prisão. “As diligências prosseguem“, completou a secretaria.
A suspeita é de que o dinheiro desviado do programa Wi-Fi Livre tenha sido usado para financiar o documentário do ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com as investigações, os recursos teriam sido repassados para uma produtora que também pertence a Karina.
Prefeitura de SP nega irregularidades
Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que está colaborando com as investigações e que todo o material requisitado nesta manhã já havia sido disponibilizado às autoridades. Além disso, o município reforçou que as informações são de acesso público por meio do sistema de prestação de contas.
“A administração ressalta que o programa funciona normalmente na cidade e pode ser acompanhado em tempo real no link
wifilivrecomunidades.org/sp. Por volta das 9h desta segunda-feira, dos 3,2 mil pontos contratados pela prefeitura, apenas 52 estavam off-line e passavam por manutenção. Não houve pagamento por parte da administração para 5 mil pontos. O aditivo em questão é exclusivamente para a manutenção dos 3,2 mil pontos já instalados nas comunidades periféricas da cidade.”
A gestão municipal reforçou que toda a prestação de contas — contendo documentos, notas fiscais e contratos — está disponível no sistema SEI, que é público, e que o processo foi acompanhado pelo Tribunal de Conas do Município (TCM). A prefeitura também repudiou o que chamou de “ilações de desvios de recursos públicos”, defendendo que o contrato com o Instituto Conhecer Brasil seguiu rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade.
Defesa do cronograma e custos
Por fim, a administração paulistana lembrou o histórico da contratação para afastar as suspeitas de ligação com a produção audiovisual.
“Vale lembrar que o chamamento público, aberto por 30 dias para qualquer entidade interessada, ocorreu em 2024, quando não havia sequer a produção do filme mencionado, e o processo cumpriu todas as exigências legais. Para 2026, o custo estimado na parceria com o instituto corresponde a R$ 1.280,80 por ponto/mês, significativamente menor do que as propostas recebidas em 2022, que foram de R$ 2.026,26 e R$ 5.092,14 por ponto/mês”, concluiu a prefeitura.