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Paciente denuncia agressões durante atendimento médico em Itanhaém: ‘Pânico’

Uma enfermeira teria subido sobre o abdômen da paciente, que enfrentava fortes dores provocadas pela endometriose, durante a contenção

Uma paciente de 36 anos denunciou ter sido agredida por profissionais de enfermagem durante atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Belas Artes, em Itanhaém, na Baixada Santista. Ela afirma que procurou a unidade devido a dores intensas provocadas pela endometriose, doença ginecológica crônica, mas que teria sido “tratada como lixo” (veja a seguir).

Segundo Camila Souza de Araújo, de 36 anos, que estava na cidade para visitar a mãe, ela chegou à unidade na noite da última sexta-feira (23) sem conseguir andar. Enquanto era encaminhada para a sala de medicação, o marido permaneceu do lado de fora e a irmã ficou responsável pelo preenchimento da ficha de atendimento.

Camila afirma que, já na sala, quatro profissionais entraram no local. “Eram dois homens e duas mulheres, enfermeiros. Eles estavam conversando, rindo e mexendo no celular”, disse ao VTV News. Diante da suposta demora no atendimento e da intensidade da dor, ela relata que gritou por ajuda, sem resposta imediata.

Sequência de agressões

Ainda de acordo com a vítima, uma das enfermeiras se aproximou para iniciar o procedimento, mas ela teria recusado continuar a medicação diante do “cenário de indiferença”. Ao tentar se apoiar no suporte do soro, o equipamento caiu, e, segundo a denúncia, a profissional a empurrou, dando início à sequência de agressões.

A paciente relata que foi atingida com um soco no rosto por um dos homens e que uma das mulheres teria subido sobre sua barriga, mesmo sabendo do diagnóstico de endometriose. Ela afirma ainda que o marido, ao tentar defendê-la, foi contido com um “mata-leão” e perdeu a consciência durante a ação.

“Isso é um espancamento. Quatro pessoas fazerem isso com um ser humano não é normal. Eu estou com marcas no rosto, na boca e no nariz. Isso é covardia, pior que covardia”, afirmou. A vítima nega ter tido qualquer surto psicológico e acredita que, mesmo assim, as agressões não se enquadram em protocolos de contenção.

Mulher com endometriose acusa equipe de enfermagem de agressão em UPA – Foto: arquivo pessoal

‘Pânico de hospital’

Conforme o relato, a Polícia Militar (PM) foi acionada e compareceu à unidade, mas não houve resolução imediata da ocorrência. “A polícia ficou conversando com os profissionais da UPA. Parecia que eles se conheciam. Eu e meus familiares ficamos esperando, até que todo mundo fosse encaminhado para a delegacia”, afirmou.

Camila também informou que um boletim de ocorrência (BO) foi registrado. Após o ocorrido, ela e o marido retornaram à Capital, onde moram, para realização do exame de corpo de delito nesta segunda-feira (26).

A paciente afirma estar emocionalmente abalada e diz ter desenvolvido pânico de ambientes hospitalares. “Eu estou me sentindo acabada. Estou com pânico de hospital”, relatou. Diagnosticada com endometriose há três anos, Camila passou por cirurgia há quase dois anos e aguarda nova intervenção diante do avanço da doença.

Posicionamento

Procurada, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP) informou que, até o momento, não há registros oficiais do caso. A Prefeitura de Itanhaém, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, também foi contatada para comentar as denúncias envolvendo a UPA Belas Artes, mas não retornou até a última atualização desta reportagem.

O espaço segue aberto para manifestações da administração municipal e da unidade de saúde citada.

O que é endometriose?

Segundo o Ministério da Saúde, a endometriose é uma condição ginecológica crônica em que células semelhantes às que revestem o útero crescem em outras partes do corpo, como ovários, trompas, bexiga ou intestino. Esse tecido fora do útero responde às variações hormonais do ciclo menstrual e pode causar inflamação, dor intensa e formação de aderências, afetando a qualidade de vida da pessoa acometida.

Os sintomas mais comuns incluem cólicas menstruais severas, dor pélvica crônica, dor durante relações sexuais e dificuldades para engravidar, além de desconforto intestinal e urinário com padrão cíclico ligado ao ciclo menstrual. O diagnóstico pode ser desafiador e costuma envolver avaliação clínica e exames de imagem, e o tratamento pode ser clínico ou cirúrgico, conforme o quadro e indicação médica. Saiba mais abaixo:


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Autor

  • Redação VTV

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