A investigação da Operação Helmintos aponta que os quatro principais alvos do núcleo ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) teriam funções diferentes dentro do esquema suspeito de movimentar cerca de R$ 1 bilhão em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Dois deles foram presos nesta quinta-feira (3).
Segundo a Polícia Civil, a estrutura seria dividida entre pessoas responsáveis pela captação e lavagem dos valores e outras encarregadas da movimentação financeira. São eles: Anderson Roberto Braghine, o “Fio”; Alexander Miguel da Silva, o “Gordão”; Leonildo Marinho de Andrade, o “Nenê”; e Ronaldo Yuzo Sekiya, o “Japonês”.
O dinheiro teria origem no tráfico de drogas e, para tentar esconder essa procedência e dar aparência legal aos recursos, o grupo teria utilizado imóveis e empresas, além de familiares e pessoas que seriam usadas como “testas de ferro”. O objetivo seria dificultar a identificação dos verdadeiros proprietários dos bens.
Quem fazia o quê, segundo a polícia?




- Anderson Roberto Braghine (Fio): chefe da organização criminosa, responsável por comandar a captação de valores provenientes do tráfico de drogas e a lavagem de dinheiro por meio de empresas e imóveis;
- Alexander Miguel da Silva (Gordão): um dos principais membros da organização, responsável por captar valores provenientes da venda de drogas em larga escala junto a integrantes do PCC, utilizando uma empresa “fantasma” e imóveis registrados por meio de procurações;
- Leonildo Marinho de Andrade (Nenê): principal operador financeiro, responsável por introduzir dinheiro em espécie no sistema financeiro, processo chamado de “capitalização”, e redistribuir os valores às chefias;
- Ronaldo Yuzo Sekiya (Japonês): “homem de confiança” da organização, atuando como operador financeiro ligado diretamente a Alexander.
Conforme apurado pelo VTV News, os dois presos durante a ação, até o momento, foram “Fio” e “Nenê”. A defesa de ambos ainda não foi localizada, mas o espaço segue aberto para eventuais manifestações.

Como o dinheiro era lavado?
O trabalho de investigação aponta que os recursos eram movimentados por meio de imóveis residenciais de alto padrão, quiosques públicos na orla de Praia Grande e empresas, incluindo bares, restaurantes e choperias. Os nomes desses estabelecimentos comerciais, contudo, não foram divulgados.

Pelo menos outras seis pessoas teriam participado do esquema, principalmente na ocultação de patrimônio e na movimentação dos recursos. Uma das investigadas é sócia de um dos quiosques de Praia Grande e, segundo a polícia, declarou renda de aproximadamente R$ 3,3 mil, mas movimentou cerca de R$ 51,2 milhões. A mulher seria esposa de um dos apontados como liderança do grupo e estaria fora do Brasil.
Há, também, uma possível relação entre o grupo e uma licitação para exploração de um quiosque na orla, que teria beneficiado pessoas ligadas aos investigados. Segundo a Prefeitura de Praia Grande, um agente da Polícia Civil foi até a Divisão de Compras e Contratação de Serviços, no Paço Municipal, para buscar informações sobre uma licitação relacionada à concessão de um quiosque, encerrada em setembro de 2020.
Influência política
Além da suposta lavagem de dinheiro, a Polícia Civil apura uma possível tentativa de ampliar a influência do grupo sobre a administração pública e a política de Praia Grande, pois o núcleo teria atuado para obter vantagens em licitações e financiado ou dado apoio financeiro a agentes políticos eleitos.
Ao todo, a Polícia Civil pediu medidas para atingir 29 imóveis relacionados aos investigados, além do bloqueio de contas e investimentos. A Operação Helmintos é conduzida pelo Departamento de Polícia Judiciária (Deinter-6) e cumpriu medidas judiciais em Praia Grande, Guarujá, Santo André e Santana de Parnaíba.

O que diz a Prefeitura de Praia Grande
Em nota à reportagem, a administração municipal destacou que “não houve cumprimento de mandado de busca e apreensão” no Paço e que o agente da Polícia Civil esteve no local para “solicitar informações acerca de uma licitação específica para exploração de um único quiosque situado na Orla”. O órgão também afirmou permanecer “à disposição das autoridades competentes para prestar todas as informações necessárias”.




