Um homem identificado como Rosemir Martins Neris é investigado pela Polícia Civil por suspeita de importunação sexual contra uma mulher em um ponto de ônibus na Avenida Francisco Glicério, em Campinas (SP). A denúncia ocorreu na noite de segunda-feira (14), apenas 11 dias depois de a Justiça publicar uma condenação contra ele por ato obsceno em um caso registrado em 2025.
A Polícia Civil informou que mantém quatro inquéritos contra Rosemir por suspeita de importunação sexual. Os registros envolvem uma ocorrência de 2024, uma de 2025 e duas de 2026, incluindo a denúncia mais recente.
Homem foi condenado por ato obsceno em caso de 2025
A condenação mais recente de Rosemir ocorreu por causa de um episódio registrado em 22 de julho de 2025, na Avenida Anchieta, em Campinas. Segundo a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), ele exibiu os órgãos genitais enquanto pessoas aguardavam um ônibus no local.
Uma mulher contou à Justiça que esperava o transporte quando outra pessoa perguntou se ela havia percebido algo estranho envolvendo o homem. Ao observar Rosemir, ela afirmou ter visto a exposição.
A mulher correu até uma viatura policial e comunicou o que havia ocorrido. Os agentes abordaram Rosemir, registraram a situação em vídeo e o prenderam em flagrante.
Durante o processo, Rosemir negou a acusação. Ele afirmou que o zíper da calça havia quebrado e que, por esse motivo, seu órgão genital ficou exposto de forma involuntária.
Inicialmente, o Ministério Público acusou Rosemir de importunação sexual. Ao analisar o caso, porém, a 3ª Vara Criminal de Campinas entendeu que a conduta não havia sido direcionada à vítima, requisito considerado necessário para caracterizar esse crime.
Com isso, a Justiça condenou o homem por ato obsceno. O juiz fixou a pena em cinco meses de detenção, no regime semiaberto, e destacou a reincidência do réu.
A decisão transitou em julgado. Como Rosemir havia ficado preso após a prisão em flagrante, inclusive durante alguns meses no Complexo Penal de Sorocaba (SP), ele já cumpriu a pena determinada pela Justiça.
Mulher denuncia nova ocorrência em ponto de ônibus
Na noite de segunda-feira (14), uma mulher de 24 anos procurou as autoridades após relatar uma nova ocorrência na Avenida Francisco Glicério.
Segundo o boletim de ocorrência, a mulher estava em um ponto de ônibus por volta das 20h12 quando viu o homem expondo os órgãos genitais. Ela também relatou que o suspeito começou a se masturbar enquanto a encarava.
A mulher pegou o celular para registrar a situação. De acordo com o relato, o homem correu e deixou o local.
Ela também contou que já havia visto o suspeito anteriormente naquele mesmo ponto de ônibus.

Relatos surgiram nas redes sociais
Após o episódio, a mulher publicou um vídeo nas redes sociais para contar o que havia acontecido. A publicação alcançou cerca de 450 mil visualizações e recebeu aproximadamente 12 mil curtidas.
Outras mulheres comentaram o vídeo e relataram situações semelhantes. Muitos dos relatos citam o mesmo ponto de ônibus.
Entre os comentários, aparecem referências a episódios que teriam ocorrido há mais de dez anos. Um dos relatos menciona uma situação semelhante dentro de um ônibus em 2014.
Em outra publicação, a autora do primeiro vídeo afirmou ter recebido relatos de diversas mulheres que dizem ter sido vítimas do mesmo homem. Segundo ela, apenas duas dessas mulheres registraram boletins de ocorrência e identificaram Rosemir pelo nome.
Polícia Civil investiga denúncia
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que registrou a ocorrência de segunda-feira como importunação sexual no 1º Distrito Policial de Campinas.
A Polícia Civil realiza diligências para esclarecer o caso e identificar o responsável pela ocorrência. Os outros três inquéritos envolvendo Rosemir também seguem em apuração.
A defesa de Rosemir, representada pelo advogado Reynaldo Cardarelli Filho, informou que não comentaria a condenação porque o processo tramita sob sigilo judicial.
Sobre os demais inquéritos e a ocorrência de 14 de setembro, o advogado disse que não se manifestaria sem conhecer formalmente os autos e sem atuar nos respectivos procedimentos. Segundo a defesa, cada acusação deve passar por análise individual, com respeito ao contraditório, à ampla defesa e às garantias processuais.




