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TJ-SP mantém júri popular para acusado por morte de jovem no trânsito

Em mensagens anexadas ao processo, réu escreveu “eu 20 min antes da merda”, admitindo ter avançado o sinal vermelho

O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) negou, nesta quarta-feira (4), o recurso apresentado pela defesa de João Pedro Donatone e manteve a decisão unânime que o submete a júri popular pela morte de Caetano Ribeiro Aurungo. O jovem morreu em um acidente de trânsito ocorrido em outubro de 2024.

A sentença de primeiro grau já havia pronunciado o acusado, ao reconhecer indícios suficientes para que o caso fosse levado ao Tribunal do Júri. A defesa tentou desclassificar a acusação para homicídio culposo – o que retiraria o processo do julgamento por jurados -, mas o pedido foi rejeitado pela 11ª Câmara Criminal.

Segundo Yuri Cruz, advogado da família e assistente da acusação, o tribunal entendeu que há elementos que sustentam a acusação por dolo eventual. Em nota, ele afirmou que a decisão é “correta e juridicamente consistente”, pois a instrução reuniu indícios robustos de que o réu assumiu o risco de provocar a morte.

Situação processual

Na primeira decisão, o magistrado entendeu que não havia necessidade de prisão preventiva e aplicou medidas cautelares, como o monitoramento eletrônico. Ao analisar pedido de habeas corpus, a 11ª Câmara Criminal concluiu que não há constrangimento ilegal. Com a pronúncia mantida, sete jurados decidirão o futuro do réu.

O Ministério Público (MP-SP) afirma que as provas já reunidas indicam a responsabilidade de Donatone. Ainda faltam laudos complementares, como exame de DNA e perícia nos veículos. Para o órgão, porém, os elementos atuais são suficientes para levar o caso ao Tribunal do Júri.

A defesa do acusado foi procurada pelo VTV News para comentar o caso, mas não se manifestou até a última atualização desta reportagem. O espaço permanece aberto para posicionamento.

Jovem morre atropelado por motorista que avançou sinal vermelho no litoral de SP – Foto/reprodução

Relembre o caso

Caetano Ribeiro Aurungo tinha 21 anos e morreu na madrugada de 19 de outubro de 2024, após um grave acidente em Santos. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP), ele conduzia uma Honda/PCX pela Rua Conselheiro Lafaiete quando foi atingido por um I/VW Jetta, que teria avançado o sinal vermelho.

O Corpo de Bombeiros (Cobom) foi acionado por volta das 3h40 para atender à ocorrência. Quando a equipe chegou, profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) já estavam no local e constataram o óbito ainda na via pública. O motorista do carro, João Pedro, foi preso em flagrante.

Troca de mensagens

Depoimentos colhidos ao longo do processo indicam que João Pedro dirigia em alta velocidade e teria consumido bebida alcoólica antes do acidente. Embora o exame clínico realizado no Instituto Médico Legal (IML) tenha resultado negativo para embriaguez, o réu afirma a um amigo que ingeriu álcool naquela noite.

Segundo os autos, ele trocou mensagens com pelo menos quatro pessoas momentos antes e depois do acidente. Em um dos trechos, comenta que estava em uma casa noturna e menciona o consumo de bebida. Um amigo chega a dizer que levaria água para o “álcool cair”. Após o impacto, João teria admitido que avançou o sinal vermelho e pedido que o assunto fosse mantido em sigilo (leia a seguir).

Na conversa, João Pedro e um amigo falam sobre o acidente e chegam a colocar a culpa no motociclista atingido. É nesse contexto que o amigo comenta que levaria água para ajudar a diminuir o efeito do álcool.
Após o impacto, João enviou uma foto acompanhada da frase “eu 20 min antes da merda”, em referência ao próprio estado pouco antes do acidente. Em seguida, pediu ao amigo que mantivesse a situação em segredo.
João Pedro afirma, nas mensagens, que avançou o sinal vermelho, o que teria provocado a colisão da motocicleta contra a lateral do carro dele. “No resumo, eu tô errado”, escreveu ao amigo, que não foi identificado nos autos.

Quem era a vítima?

Caetano cursava Engenharia da Computação em uma universidade particular e morava com os avós paternos no bairro Aparecida, ao lado dos dois irmãos mais novos, de 14 e 11 anos. À VTV SBT, a avó contou que tinha a guarda legal dos netos, mas destacou que todos mantinham contato frequente com os pais biológicos.

O pai de Caetano morreu em agosto, após enfrentar problemas de saúde. Semanas antes, porém, ele havia voltado a morar com a mãe, o que possibilitou uma reaproximação com o filho. Segundo a avó, Caetano estava feliz com o convívio retomado – relação que foi interrompida pela doença e, depois, pela tragédia do acidente.


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Autor

  • Renan da Paz

    Jornalista com três anos de experiência em comunicação multiplataforma, com atuação em televisão (apresentação, reportagem, produção, direção, roteirização e edição), assessoria de imprensa e produção de conteúdo para redes sociais. Atualmente, é produtor na VTV SBT e repórter web do VTV News.

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