Um turista de 41 anos foi sequestrado, agredido e extorquido por cerca de três dias após conhecer jovens durante um pagode em Bertioga, na Baixada Santista. A vítima foi mantida em cativeiro, ameaçada com arma de fogo e obrigada a realizar transferências bancárias via PIX. Os suspeitos foram presos em flagrante após ação das polícias Militar e Civil.
Segundo a investigação, horas depois da festa, o turista passou a circular de carro pela cidade com os jovens, consumiu bebidas alcoólicas e chegou a permitir que um deles assumisse a direção do próprio veículo. Durante esse período, ele foi submetido a sucessivos crimes. O caso só foi descoberto quando a vítima conseguiu pedir ajuda em uma rodovia.
O principal suspeito é um adolescente de 16 anos, apontado como responsável por planejar e executar o sequestro. Segundo o delegado Glaucus Vinícius Silva, o jovem recebeu a informação de que havia uma pessoa com grande quantia de dinheiro na região, acionou comparsas e organizou o crime. Apenas em transferências bancárias, o prejuízo chegou a R$ 100 mil.
Como o sequestro começou
O delegado explica que o turista havia escolhido Bertioga para aproveitar o período de Ano-Novo. Na última sexta-feira (2), ele foi a um pagode nas proximidades de uma adega, onde acabou chamando a atenção por conduzir um Volvo XC60 avaliado em cerca de R$ 300 mil. O menor apontado pela polícia já é conhecido por articular ações criminosas.
Conforme a investigação, o adolescente utilizou um aplicativo de mensagens para recrutar o próprio irmão, de 22 anos, e um motorista de aplicativo, de 28, com a promessa de ganhos fáceis ao longo da madrugada. Após horas de convivência no pagode, consumo de bebidas alcoólicas e circulação pela cidade, outros jovens se juntaram ao grupo.
Em um determinado momento, a vítima permitiu que um dos adolescentes assumisse a direção do veículo, o que facilitou a saída de Bertioga sem levantar suspeitas. Pouco depois, o grupo seguiu para Guarujá, onde o turista foi levado para uma residência e mantido. O imóvel pertencia a uma mulher que, ao saber crime, exigiu uma parte do dinheiro extorquido.
Período em cativeiro
Durante os dias em que permaneceu em poder dos sequestradores, a vítima relatou ter sido ameaçada, agredida e humilhada. Em um dos ocorridos, os criminosos chegaram a introduzir uma arma de fogo em sua boca, enquanto faziam ameaças desconexas. Paralelamente, os autores passaram a exigir transferências via PIX, utilizando o celular da vítima.
Entretanto, os criminosos enfrentaram dificuldades para acessar plenamente os aplicativos bancários, que exigiam reconhecimento facial. Enquanto a vítima permanecia trancada em um quarto, parte do grupo circulava pela cidade utilizando carros de aplicativo, indo a postos de combustível, lanchonetes, conveniências e pontos de venda de drogas.
O motorista de aplicativo envolvido relatou à polícia que foi contratado para uma espécie de diária, realizando diversos deslocamentos que exigiam rapidez, usavam vários celulares e pediam paradas constantes. Segundo o depoimento, os suspeitos também utilizaram o celular do motorista para realizar chamadas e conversas por aplicativos de mensagem.
Identificação dos suspeitos
Em diferentes momentos, a dinâmica do grupo chegou a levantar suspeitas de que algo irregular estava acontecendo. O veículo usado pelos suspeitos, inclusive, foi apreendido em uma abordagem da PM por irregularidades administrativas. Ainda assim, os envolvidos seguiram com a ação criminosa e passaram a articular a ocultação do carro da vítima.
Na manhã de segunda (5), o grupo abandonou o Volvo em uma área de mata, em Guarujá, com o objetivo de dificultar a localização do automóvel. Segundo relataram posteriormente à polícia, eles receberiam dinheiro pelo serviço. Pouco depois, uma equipe da PM encontrou o turista na Rodovia Cônego Domênico Rangoni “pedindo socorro desesperadamente”.
Em seguida, a Polícia Civil recebeu uma denúncia e localizou os suspeitos dentro de um GM Onix, nas proximidades do Hospital Santo Amaro. Durante a abordagem, os ocupantes acabaram confessando a participação no crime. Com as informações repassadas, os investigadores conseguiram identificar e chegar à residência usada como cativeiro.

Prisão dos envolvidos
A vítima foi achada posteriormente em Bertioga, no bairro Vila Edna, onde contou à polícia tudo sobre o sequestro. O veículo foi recuperado e devolvido ao proprietário, assim como parte do dinheiro subtraído. O local usado como cativeiro e os veículos envolvidos passaram por perícia técnica. As informações são do boletim de ocorrência (BO).
Diante das provas reunidas, a autoridade policial decretou a prisão em flagrante dos adultos envolvidos pelos crimes de roubo, extorsão e associação criminosa. Foram detidos Lucas de Jesus Almeida, Bruno de Souza Benjamim, Guilherme Henrique Almeida, Juan dos Santos Silva e Judy Stephanie Alves – além do adolescente, apreendido por ato infracional.
Após o resgate, o turista recebeu atendimento médico no Pronto-Socorro e, em seguida, foi encaminhado à delegacia. O caso foi registrado como roubo qualificado, extorsão mediante restrição de liberdade, associação criminosa e atos infracionais. Cartões bancários, celulares e o veículo do motorista de aplicativo foram apreendidos para auxiliar nas investigações.