Nesta quinta-feira (4) a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), aprovou a convocação da quebra do sigilo telemático, bancário e fiscal do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro e também convocou o governador de Minas Gerais (MG), Romeu Zema (Novo) para prestarem esclarecimentos.
A CPMI do INSS foi instaurada em agosto deste ano para investigar fraudes envolvendo descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas. Desde então, com o auxílio da Policia Federal estão deflagrando empresas durante a Operação Sem Desconto.
Dessa maneira, Vorcaro e Zema entraram na mira da CPMI com acusações de possíveis irregularidades em empréstimos consignados para beneficiários do INSS. O banqueiro chegou a ser preso pela Polícia Federal em novembro acusado de fraude em operações no mercado financeiro que podem somar R$ 12 bilhões. Atualmente ele usa tornozeleira eletrônica.
Convocação do Vorcaro
Segundo o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), Vorcaro precisa ser convocado pois o Banco Master é um dos que mais registram reclamações sobre empréstimos consignados.
“[A convocação] é necessária para prestar esclarecimentos acerca da atuação da instituição na oferta de produtos financeiros a aposentados e pensionistas, incluindo o crédito consignado, que possam justificar o elevado número de reclamações recebidas pela Secretaria Nacional do Consumidor, a Senacon, nos últimos anos”, justificou.

Também houve a aprovação do envio do relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre as movimentações bancárias do empresário. Além da convocação de dirigentes dos bancos Daycoval, Pan, Agibank, e BMG. Por outro lado, foram rejeitados os requerimentos para convocar dirigentes dos bancos Santander, Crefisa, C6 e da Zema Financeira.
Romeu Zema
A solicitação para ouvir Romeu Zema foi apresentada pelo deputado Rogério Correia (PT-MG). A família do governador possui o Grupo Zema, composto por empresas que operam em cinco ramos diferentes. Dessa maneira, Correia afirma que a Zema Financeira foi uma das beneficiárias pela Medida Provisória (MP) 1.106 de 2022, do governo Jair Bolsonaro, que permitiu empréstimos consignados a beneficiários do Bolsa Família, à época chamado de Auxílio Brasil.

“Zema foi uma das poucas instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central a oferecer a linha de crédito, que desconta a parcela direto do pagamento feito pelo governo para famílias vulneráveis em até 40% do valor do benefício”, escreveu o parlamentar mineiro.
Em nota à CPMI, Zema pediu para não ser convocado e informou que não está mais na empresa de finanças após vencer a eleição em outubro de 2018.
“O requerente absolutamente nada pode esclarecer ‘acerca da atuação da instituição na oferta de produtos financeiros a aposentados e pensionistas, incluindo o crédito consignado”, informou a defesa de Zema.