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Lula reage a plano dos EUA e chama família Bolsonaro de ‘falsos patriotas’

Critica acontece após EUA classificar facções criminosas como terroristas
Montagem fotográfica com o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro, representando o embate político sobre a soberania nacional e a classificação de facções criminosas.

O governo do presidente Lula manifestou-se nesta sexta-feira (29) e, em nota, criticou a família Bolsonaro, classificando-os como “falsos patriotas” por defenderem a designação de facções criminosas como organizações terroristas internacionais.

O comunicado ocorre um dia após a Casa Branca anunciar que, a partir do dia 5 de junho, as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) serão classificadas como terroristas pelos EUA.

De acordo com a nota, o pedido por tal classificação abre caminho para uma eventual intervenção estrangeira em território brasileiro.

Além disso, o texto cita integrantes da família Bolsonaro como “traidores”. O governo brasileiro afirma ainda que combate o crime organizado, milícias e facções, e que enfrentar essas organizações é prioridade do Estado.

No decorrer da nota, o Executivo faz duras críticas à família Bolsonaro e menciona a viagem do senador Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, ocorrida nesta semana. Na ocasião, o senador afirmou em coletiva ter pedido ao presidente Donald Trump uma intervenção contra as facções.

“É deplorável que, mais uma vez, integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender a intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no episódio do tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país”, diz um trecho da nota.

O documento pontua, por fim, que a ação dos EUA representa um possível retrocesso no combate ao crime, gera risco à vida das pessoas e trará prejuízos econômicos ao país, reforçando que a soberania nacional é inegociável.

Leia a nota completa

“O Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias. Enfrentar essas organizações criminosas com firmeza é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro.

O terror causado por essas organizações em comunidades busca obter lucro através do crime, especialmente pelo tráfico de drogas e armas, e não pode ser confundido com o tipo de ação por motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional.

A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros.

É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país.

Aprovamos recentemente uma lei de combate às facções e milícias com penas que chegam a até 80 anos de prisão – a maior prevista em toda a legislação brasileira. O Governo do Brasil conduz o programa “Brasil contra o Crime Organizado”, que combate as facções e milícias desde o seu braço armado nas esquinas até o seu andar de cima.

O crime organizado não respeita fronteiras e seu combate exige ação conjunta. Construímos, ao longo de décadas, parcerias com vários países, inclusive com os Estados Unidos. O Brasil apresentou em 16 de abril deste ano, ao Departamento de Estado dos EUA, uma proposta focada na inteligência e na cooperação internacional que inclui ampliação dos controles sobre a lavagem de dinheiro praticada no exterior e sobre o tráfico de armas enviadas ao Brasil.

Qualquer colaboração internacional para o combate às facções será bem-vinda. Seguimos dispostos a construir soluções conjuntas benéficas aos países envolvidos. Mas não aceitaremos o uso de medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar a nossa soberania e a nossa economia.

Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime. Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX, que incomodam interesses estrangeiros.

Em resumo, trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao país. A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança”.


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Autor

  • Beatriz Santos

    Jornalista formada pela Universidade Santa Cecília em 2024. Atua com produção de conteúdo, redação e assessoria de imprensa.

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