O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contestou nesta quarta-feira (13) o conteúdo do relatório anual do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que acusa o governo brasileiro de ter agravado a situação dos direitos humanos e restringido liberdades políticas no país. Segundo Lula, os EUA tentam “criar uma imagem de demônio” contra quem diverge de seus interesses geopolíticos.
A resposta foi dada durante evento em que o presidente anunciou um plano de reação ao tarifaço imposto aos produtos brasileiros pelo governo de Donald Trump. Em seu discurso, Lula rejeitou as alegações feitas por Washington:
“Ninguém está desrespeitando regras de direitos humanos como estão tentando apresentar ao mundo. Os nossos amigos americanos toda vez que resolvem brigar com alguém, eles tentam criar uma imagem de demônio contra as pessoas que eles querem brigar.”

Relatório aponta censura e repressão judicial
Divulgado na terça-feira (12), o relatório norte-americano afirma que “a situação dos direitos humanos no Brasil piorou ao longo do ano”, com críticas diretas à atuação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O documento sustenta que tribunais brasileiros teriam tomado “medidas amplas e desproporcionais para minar a liberdade de expressão e a liberdade na internet”.
O texto alega que o Judiciário brasileiro suprimiu “desproporcionalmente o discurso de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, bem como de jornalistas e políticos eleitos, muitas vezes em processos secretos sem as garantias do devido processo legal”. O relatório também aponta que conteúdos online foram restringidos sob a justificativa de “discurso de ódio”, expressão classificada como vaga e incompatível com os parâmetros internacionais de direitos humanos.
Antissemitismo e violência policial também são citados
Outro ponto abordado é o crescimento de manifestações antissemitas no Brasil após o início do conflito entre Israel e o Hamas, em outubro de 2023. Segundo o relatório, a Confederação Israelita Brasileira (Conib) e a Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) registraram 886 casos de antissemitismo entre janeiro e maio de 2024 — quase seis vezes mais do que no mesmo período do ano anterior. O documento vincula esse aumento a declarações do presidente Lula que compararam os ataques israelenses na Faixa de Gaza ao Holocausto.
O relatório também menciona denúncias de homicídios arbitrários cometidos por agentes de segurança pública em diferentes estados do país. Entre os episódios listados, estão operações policiais ocorridas em São Paulo, na Baixada Santista, no Rio Grande do Sul e em Roraima.