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PL Antifacção poderia enfraquecer a Polícia Federal? Corporação diz que sim

Proposta original previa endurecimento de penas e fortalecimento das investigações, mas relatório apresentado no Congresso preocupa a corporação.
PF alerta para risco de enfraquecimento no combate ao crime com alterações no PL Antifacção

A Polícia Federal manifestou preocupação com as mudanças incluídas no relatório do Projeto de Lei Antifacção (PL 5582/25), em tramitação na Câmara dos Deputados, por entender que as alterações comprometem o enfrentamento às organizações criminosas no país.

Segundo uma nota publicada pela corporação, o texto apresentado modifica de forma estrutural o projeto original enviado pelo Poder Executivo, reduzindo a autonomia funcional da instituição e impondo restrições à execução de operações.

Pelas novas regras previstas, a PF dependeria de autorização prévia de governos estaduais para realizar investigações ou operações em suas jurisdições. O modelo, na avaliação de integrantes da corporação, representaria um retrocesso e colocaria em risco a eficácia de ações de grande escala, como a operação de agosto — classificada como a maior já realizada contra o crime organizado no Brasil.

Ameaça à autonomia institucional

O relatório apresentado no Parlamento prevê a supressão de competências da PF em áreas estratégicas, o que, segundo a instituição, fragiliza investigações de corrupção, tráfico de drogas, desvio de recursos públicos e crimes transnacionais. “A execução de operações depender da anuência estadual compromete diretamente a autonomia e o alcance da Polícia Federal”, avaliou um servidor ouvido pela reportagem.

Em nota oficial, a PF afirmou que continuará defendendo suas atribuições constitucionais e a preservação de sua autonomia funcional “para garantir o cumprimento da lei e a defesa da sociedade brasileira”.

Entenda o projeto

A proposta, de autoria do Executivo, cria a figura penal da facção criminosa e prevê penas de 8 a 15 anos de prisão para quem promover, constituir, financiar ou integrar tais grupos. Nos casos em que homicídios forem cometidos por ordem ou em benefício de facções, as penas podem chegar a 30 anos, sendo classificados como crimes hediondos.

O projeto também aumenta punições para chefes de organizações criminosas, permitindo o agravamento de até o dobro da pena, e amplia hipóteses de aumento quando houver participação de menores, envolvimento de agentes públicos ou ligação com organizações estrangeiras.

No entanto, o Projeto de Lei 5582/25 que está em fase de análise na Câmara vem sofrendo modificações e enxugamentos notórios, afastando-se da proposta original do Governo Federal.

Investigação e monitoramento

O texto original autoriza a infiltração de colaboradores civis em facções, além de prever o acesso a dados de geolocalização e registros de conexão mediante decisão judicial. Empresas de tecnologia, operadoras e plataformas digitais deverão disponibilizar informações de investigados nos últimos sete dias em casos de ameaça à vida ou integridade de pessoas.

A cooperação internacional será coordenada pela Polícia Federal, que centralizará o contato com forças estrangeiras. O projeto também prevê a criação do Banco Nacional de Facções Criminosas, para integrar dados de inteligência e investigações.

Combate ao poder econômico

Entre as medidas de asfixia financeira, o texto autoriza a intervenção judicial em empresas ligadas a facções e o bloqueio de operações financeiras. Contratos com o poder público poderão ser suspensos e agentes condenados por envolvimento com facções ficarão impedidos de contratar com o Estado por 14 anos.

A Secretaria Nacional de Políticas Penais estima que 88 facções e milícias atuam atualmente no território brasileiro, sendo que duas possuem alcance transnacional.

Durante discurso na Cúpula Celac-União Europeia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o país precisa de união institucional no enfrentamento ao crime: “As facções só serão derrotadas com o esforço conjunto de todas as esferas de poder. Diferenças políticas não podem ser pretexto para que deixemos de avançar.”


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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