A primeira vítima do naufrágio de uma lancha no litoral de São Paulo foi identificada: Maria Aparecida da Silva Dias, de 56 anos. O marido dela, Lucídio Francisco Dias, e o filho, o veterinário Bruno Silva Dias, continuam desaparecidos. A embarcação, com os três ocupantes, sumiu no mar de Itanhaém, na Baixada Santista, no último sábado (23).
Segundo o Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar), a família saiu de Guarujá e navegava próximo à Ilha da Queimada Grande – conhecida como Ilha das Cobras – quando a lancha enfrentou mau tempo e deixou de responder. Um dos tripulantes da lancha, chamada Jany, pediu socorro a um proprietário da marina e, logo depois, perdeu contato.
Conforme apurado pelo VTV News, o alerta chegou ao GBMar por volta de 18h. A Jany, de aproximadamente 6,5 metros de comprimento, estava em área conhecida por baixa visibilidade, correntes fortes e histórico de acidentes. Desde então, Marinha, Corpo de Bombeiros (Cobom) e Força Aérea Brasileira (FAB) mobilizam meios marítimos e aéreos.
Corpo da mulher foi localizado e reconhecido
O corpo de Maria foi localizado no mar de São Sebastião, a cerca de 20 km da costa, com colete salva-vidas. Equipes do GBMar fizeram o resgate e o encaminharam ao IML de Caraguatatuba, onde familiares confirmaram a identificação.
Somente na tarde desta quarta-feira (27), outro corpo foi avistado na Ilha das Palmas, em Guarujá. Bombeiros e Marinha deslocaram equipe para fazer a retirada e a perícia inicial. A previsão, segundo o órgão, é de posterior encaminhamento ao IML da Praia Grande. O casco da embarcação também foi recuperado e mantém-se a operação de busca e salvamento ativa.
Lancha de família foi encontrada em alto-mar
Paralelamente às buscas pelas vítimas, a lancha Jany foi recuperada próximo à Praia da Baleia, em São Sebastião, a cerca de 11 km da costa nesta tarde. O casco foi avistado por uma aeronave SC-105 da FAB, reflutuado por mergulhadores do Grupamento de Patrulha Naval do Sul-Sudeste e embarcado no Navio-Patrulha Guajará.
A embarcação seguirá para a Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP) para perícia, e nenhuma vítima foi encontrada nas imediações do casco. Em nota, a Marinha informou que instaurou um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN) para apurar as causas e circunstâncias do naufrágio.
Como é a região onde lancha com três pessoas desapareceu?
A Ilha da Queimada Grande, conhecida como Ilha das Cobras, fica a 35 km do litoral de São Paulo, entre Itanhaém e Peruíbe. É coberta por Mata Atlântica, não tem praias e abriga milhares de cobras venenosas, incluindo a jararaca-ilhoa, espécie única do local. O acesso é restrito, e a região já registrou diversos naufrágios históricos.
Mesmo sendo perigosa, a ilha atrai mergulhadores por suas águas cristalinas e um recife de coral raro. Estima-se que existam cerca de 15 mil cobras no local, tornando-a uma das maiores concentrações do mundo. As queimadas antigas, visíveis do continente, deram origem ao nome “Queimada Grande”.

Quem são os tripulantes da lancha que naufragou no litoral de SP?
Segundo apurado pelo SBT Central, responsável pela região de Jaú, a família era natural de Matão, no interior de São Paulo, e se mudou para o Guarujá. O veterinário chegou à cidade há cerca de três anos, enquanto os pais, Lucídio e Maria Aparecida, decidiram se estabelecer no litoral há aproximadamente um ano.
Bruno é casado e pai de um menino de 11 anos. Junto com a esposa, ele abriu uma clínica veterinária no bairro Pitangueiras, em Guarujá, inaugurada em agosto do ano passado e que funciona 24 horas. Lucídio trabalhava durante o dia com conserto de equipamentos, como ar-condicionado e micro-ondas, e à noite auxiliava o filho na clínica veterinária. Já Maria Aparecida estava em processo de aposentadoria e ajudava nos cuidados com o neto.