A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) suspendeu as aulas e atividades acadêmicas desta terça-feira (27) no Campus Baixada Santista, em Santos, no litoral de São Paulo, em luto pela morte do estudante de mestrado Marcelo de Oliveira Rocha.
Marcelo morreu após ser agredido na madrugada de sábado (24), em Santos. Segundo a universidade, ele foi internado na Santa Casa de Santos e transferido, no domingo (25), para o Hospital São Paulo, unidade hospitalar universitária da Unifesp, onde morreu.
Em nota, a direção do Campus Baixada Santista, o Instituto Saúde e Sociedade (ISS) e o Instituto do Mar (IMar) informaram que a suspensão das atividades foi decidida em sinal de respeito e solidariedade aos familiares, amigos e à comunidade acadêmica.
Leia o trecho da nota:
“Em sinal de respeito e solidariedade à família, aos amigos e a toda a comunidade acadêmica, as aulas e demais atividades acadêmicas do Campus Baixada Santista estarão suspensas no dia 27 de outubro de 2026 (terça-feira). As direções reafirmam sua solidariedade aos familiares e amigos de Marcelo neste momento de dor e seguem acompanhando a situação em conjunto com a Direção do Campus, a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e Políticas Afirmativas (Praepa) e a Reitoria da Unifesp.”
Apesar da suspensão das atividades acadêmicas, o Restaurante Universitário funcionará normalmente para o jantar nesta terça-feira (27). Segundo a instituição, a medida busca atender às pessoas que precisarem do serviço diante da interrupção repentina das atividades.
Entenda o caso
Marcelo participava de uma apresentação da Banda Esquerdantina, em apoio à reeleição de Lula, nas proximidades da Avenida Conselheiro Nébias com a Rua Henrique Ablas, no bairro Vila Mathias. Por volta das 3h, ele se afastou do grupo para ir ao banheiro e não voltou.
Estranhando a demora, os amigos foram procurá-lo e o encontraram desacordado na esquina das duas vias, com sinais de espancamento. Um grupo de homens teria agredido o engenheiro e levado seu celular e outros pertences ainda não identificados.
Leia também:
“Seguiremos lutando por você”: amigos se despedem de Marcelo, morto durante ato pró-Lula
O crime foi registrado pelos próprios agressores em uma transmissão ao vivo no TikTok.
Diante disso, ele foi levado à Santa Casa de Santos, em seguida, transferido para o Hospital São Paulo, da Unifesp. Ele estava em estado grave e em coma induzido.
Nota de repúdio da banda e universidade
Em nota nas redes sociais, a Banda Esquerdantina lamentou a violência, cobrou rapidez na apuração e a punição dos envolvidos. “Manifestamos nossa solidariedade à vítima e seus familiares, bem como nosso firme repúdio à homofobia”, afirmou o grupo.
Com isso, a associação atlética do campus Baixada Santista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), onde Marcelo cursa mestrado em Ecologia Marinha, também se manifestou e expressou “enorme indignação”. Os estudantes cobraram apuração rigorosa e responsabilização dos autores.
Em seguida, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), emitiu uma nota oficial de repúdio, expressando sua solidariedade a Marcelo, seus familiares, amigos e colegas, com o desejo de sua recuperação.
“A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) manifesta seu profundo repúdio à violência sofrida por Marcelo de Oliveira Rocha, estudante da instituição, brutalmente agredido na madrugada deste sábado (24/10), em Santos, no litoral paulista. Marcelo permanece hospitalizado, e seu estado de saúde é motivo de grande preocupação para toda a comunidade universitária. A Unifesp expressa sua solidariedade a Marcelo, seus familiares, amigos e colegas, com o desejo de sua recuperação. A gravidade do ocorrido exige a apuração rigorosa das circunstâncias e motivações da agressão, bem como a identificação e responsabilização dos envolvidos. Independentemente das motivações que venham a ser esclarecidas, a violência não pode ser naturalizada ou tolerada. O respeito à vida, à integridade das pessoas e ao direito à participação na vida pública constitui fundamento indispensável da convivência democrática.”, informou a nota.

Banda Esquerdantina emite nota oficial sobre o caso. Foto: Reprodução/Banda Esquerdantina
Motivação ainda não foi confirmada
Inicialmente, o caso foi registrado como roubo com resultado de lesão corporal grave. A reportagem da VTV News procurou a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) para esclarecer a classificação da ocorrência e saber se o registro foi atualizado, mas não obteve resposta até a última atualização desta matéria.

Leia também:
“Seguiremos lutando por você”: amigos se despedem de Marcelo, morto durante ato pró-Lula
O crime foi registrado pelos próprios agressores em uma transmissão ao vivo no TikTok.