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Insulto racial durante o Bafta 2026 gera debate sobre o Tourette e ética da BBC

Ativista da Síndrome de Tourette foi embora do evento, emissora não cortou o áudio da insulta e público não reagiu bem
Insulto racial durante o Bafta 2026 gera debate sobre o Tourette e ética da BBC

Uma das maiores premiações de cinema do mundo teve que lidar com uma situação delicada durante e após a cerimônia. O Bafta 2026, que aconteceu no último domingo (22), foi palco de um insulto racial decorrente de um convidado que convive com a síndrome de Tourette, colocando o compromisso da transmissão da emissora BBC News na fogueira. 

Durante a edição deste ano do Bafta Film Awards, que foi realizada no Royal Festival Hall, em Londres, um insulto racial, que incluiu o uso da“n-word”, foi ouvido enquanto os atores Michael B. Jordan e Delroy Lindo, da obra “Os Pecadores”, apresentavam o vencedor da categoria de Melhores Efeitos Visuais. 

A manifestação partiu de John Davidson, ativista e tema principal do filme “I Swear”, que lida com a condição neurológica caracterizada por tiques motores e vocais involuntários, a síndrome de Tourette.

Após gritar um dos termos mais ofensivos da língua inglesa, que é considerado extremamente racista, o apresentador da cerimônia, Alan Cumming, agiu rapidamente e explicou para a plateia sobre a manifestação acidental e se desculpou caso alguém tivesse se sentido ofendido. 

Alan Cumming em destaque no Bafta 2026, cerimônia que debateu inclusão e síndrome de Tourette após incidente.
Alan Cumming (Imagem: Divulgação/ BBC News)

No entanto, a gravidade do caso pesa principalmente para a emissora britânica, BBC News, que acabou liberando o áudio do momento da ofensa ao ar, permanecendo disponível até o dia seguinte da premiação.

Erro na transmissão

Responsável pela cobertura oficial do evento, a emissora britânica opera com um atraso de duas horas (como se fosse um delay para o ao vivo), justamente para ter um tempo para edição, o que não acabou sendo aproveitado no recente caso envolvendo a exposição de Michael B. Jordan e Delroy Lindo, e claro, de John Davidson.

A janela de tempo tem como um dos objetivos filtrar cenas obscenas, linguagem ofensivas e imprevistos técnicos antes que seja passado para o publico. 

Ciente do erro, a BBC se desculpou em um comunicado oficial publico nesta segunda-feira (23), lamentando não ter removido o trecho do grave acidente antes da tranmissão no canal BBC One e na pltaforma IPlayer.

“Alguns espectadores podem ter ouvido uma linguagem forte e ofensiva. Isso surgiu de tiques verbais involuntários associados à síndrome de Tourette e, como explicado durante a cerimônia, não foi intencional”, afirmou a emissora.

A falta da correção da emissora gerou revolta imediata na mídia, já que o tempo de “margem de segurança” estabelecido para edição, com o prazo de duas horas, teria sido mais do que suficiente para a remoção do conteúdo, evitando maiores constrangimentos.

Ainda como retratação, a emissora retirou a gravação da cerimônia do catálogo do seu streaming para publicar uma nova versão, devidamente editada.

John Davidson, convidado com síndrome de Tourette, em foco após polêmica de insulto racial na cerimônia Bafta 2026.
John Davidson (Imagem: Divulgação/ BBC News)

John Davidson foi embora do Bafta

Envergonhado com a sua manifestação involuntária, o ativista John Davidson relatou ter ido embora antes do encerramento da cerimônia, afirmando estar “profundamente envergonhado”.

Em um comunicado oficial, ele também reforçou que o ocorrido é resultado da síndrome neurológica involuntária, Síndrome de Tourette, e que o que foi proferido não expressa sua opinião verdadeira. Davidson agradeceu à organização do Bafta pelo aviso prévio dado ao público sobre a sua condição e pelo pedido de desculpas imediato.

Reações x laudo médico

Mesmo cientes da condição do ativista, diversos convidados, incluindo figuras importantes da indústria cinematográfica, classificaram o ocorrido com “absurdo” e “inaceitável”, como foi o caso da reação dos atores Jamie Fox e Wendell Pierce.

Já Hannah Beachler, produtora e designer de produção, criticou o pedido de desculpas da emissora na hora do episódio, classificando-o como “protocolar”. A produtora ainda ressaltou que a frase “se alguém se sentiu ofendido” acabou minimizando a gravidade do insulto e de como deveria ser corrigido, mesmo que de forma acidental.

A situação vivida no Bafta 2026 dividiu o debate de uma forma complexa, com aqueles que declaram o apoio à infeliz situação, explicando como os tiques involuntários não refletem os valores pessoais dos indivíduos que convivem com a síndrome; e do outro, pessoas argumentando como o termo, mesmo que proferido de forma acidental, já esta enraizado no comportamento humano ligado à violência racial, e que tanto a emissora, quanto a organização do evento, deveriam se responsabilizar com os danos causados.


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Autor

  • Pietra Mesquita

    Jornalista formada pela PUC-Campinas, com experiência em produção de conteúdo, redação, redes sociais e atuação jornalística multiplataforma. Interessada por cinema, entretenimento e cultura digital.

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