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Reality vira caso de polícia após denúncias de estupro e sexo sem consentimento

Mulheres disseram à BBC News que foram estupradas durante as filmagens de “Casamento à Primeira Vista”; programa foi tirado do ar
Reality vira caso de polícia após denúncias de estupro e sexo sem consentimento

Aviso: esta reportagem contém relatos de supostos crimes sexuais e má conduta

A emissora britânica Channel 4 retirou do ar, na segunda-feira (19), todas as temporadas anteriores do reality show “Casamento à Primeira Vista”, um dos programas de maior audiência da rede. A decisão ocorre após uma reportagem da BBC revelar denúncias de estupro e de atos sexuais não consensuais durante as gravações da atração.

Segundo a BBC News, duas mulheres afirmaram ter sido estupradas durante a produção do programa, enquanto uma terceira relatou um episódio de ato sexual sem consentimento. As denunciantes alegam que a produção falhou em oferecer proteção adequada e suporte diante das situações relatadas.

O reality é produzido pela empresa independente CPL para o Channel 4, emissora pública britânica financiada por publicidade. Em resposta às denúncias, o canal informou que iniciou, em abril, uma revisão dos protocolos de bem-estar e segurança voltados aos participantes e colaboradores da produção.

A reportagem da BBC também ouviu representantes jurídicos da CPL, que defenderam os procedimentos adotados pela empresa. Segundo os advogados, o sistema de proteção oferecido pela produtora seria um “padrão ouro” e teria sido aplicado de forma apropriada em todos os casos mencionados.

As acusações

As três mulheres ouvidas pela BBC fazem acusações contra os homens com quem formaram casal no programa e afirmam ter decidido falar porque acreditam que deveriam ter recebido maior proteção.

Uma delas disse querer que a CPL Productions deixe de “permitir que pessoas sejam feridas”.

  • Uma mulher afirmou que o homem apresentado como seu marido no programa a estuprou e ameaçou atacá-la com ácido. Ela agora pretende mover uma ação judicial contra a CPL.
  • Outra mulher relatou ao Channel 4 e à CPL, antes da exibição do programa, que havia sido supostamente estuprada pelo homem com quem formou um casal. Mesmo assim, os episódios em que ela aparece foram exibidos.
  • A terceira mulher, Shona Manderson, a única das três identificada publicamente, acusou o homem apresentado como seu marido no reality, Bradley Skelly, de ejacular dentro dela sem o seu consentimento.

As defesas

Os advogados do homem apresentado como marido da primeira mulher no reality afirmaram que ele nega a acusação de estupro e sustenta que todas as relações sexuais foram totalmente consensuais. Segundo eles, ele também negou ter sido violento ou feito ameaças contra ela.

Os advogados do homem que formou casal com a segunda mulher disseram que ele contestou partes do relato apresentado por ela. Segundo a defesa, a relação sexual começou de forma consensual, mas ela teria demonstrado, por meio da linguagem corporal, que não consentia mais, e ele teria interrompido o ato imediatamente.

Bradley Skelly afirmou ter entendido que Shona Manderson havia consentido que ele ejaculasse dentro dela naquela noite. Em comunicado, ele negou categoricamente “qualquer acusação de má conduta sexual” e também rejeitou a alegação de que fosse “controlador”.

Segundo Skelly, a relação dos dois “era baseada em consentimento mútuo, cuidado e afeto”.

Denúncias sérias

Alex Mahon, que presidiu executivamente o Channel 4 entre 2017 e 2025, classificou as denúncias como “muito sérias e preocupantes”. Em depoimento a parlamentares britânicos, ela afirmou que os episódios foram tratados com seriedade e que os protocolos de cuidado evoluíram ao longo dos anos, mas ressaltou que, diante da gravidade das acusações, é necessário reavaliar os procedimentos adotados.

Em relatório divulgado em 2024, o Channel 4 destacou que “Casamento à Primeira Vista” liderou a audiência de streaming da emissora, acumulando dez temporadas exibidas na TV e na plataforma digital.

Caso de polícia

O ministro da Segurança do Reino Unido, Dan Jarvis, disse estar “extremamente preocupado” com as acusações reveladas pela investigação da BBC e pediu que o Channel 4 e a CPL apurem completamente os fatos.

“Também diria que, dada à gravidade dessas acusações, é muito provável que o caso seja encaminhado à polícia, que ficará responsável pela investigação”, acrescentou.

O Channel 4 informou ainda que as acusações envolvem um pequeno número de ex-colaboradores do programa e afirmou que os denunciados negam as irregularidades.

O Ministério da Cultura, Mídia e Esporte do Reino Unido defendeu uma investigação completa, com colaboração de todas as partes envolvidas.

“Todos que trabalham e participam da televisão devem ser tratados com dignidade e respeito em todos os momentos. Seu bem-estar e segurança são fundamentais”, afirmou um porta-voz.

Já o órgão regulador da mídia britânica, Ofcom, informou que acompanhará o caso e analisará os resultados da revisão conduzida pelo Channel 4.

Como é o programa

O “Casamento à Primeira Vista” reúne desconhecidos escolhidos por especialistas que se conhecem e se casam no primeiro encontro. O formato integra uma franquia internacional presente em países como Estados Unidos e Austrália.

Os “casamentos” exibidos no reality não têm validade legal, mas o público acompanha os casais em uma “lua de mel” antes de passarem a morar juntos e lidar com o relacionamento, tudo isso sendo filmado quase diariamente.


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Autor

  • Rosa Santos

    Jornalista com pós-graduação em marketing e especialista em gestão de comunicação. Apaixonada por conectar marcas ao seu público-alvo por meio de conteúdo relevante e estratégias eficientes. Também amante da literatura e do entretenimento.

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