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Câncer de mama: fisioterapia pode ajudar na recuperação antes e depois da cirurgia

Acompanhamento pode começar antes da cirurgia e seguir até a retomada das atividades
Câncer de mama: mulher com as mãos apoiando o peito, imagem sobre fisioterapia na recuperação antes e depois da cirurgia, em fundo claro.

O câncer de mama exige cuidados que vão além do diagnóstico e do tratamento contra o tumor. Cirurgias, radioterapia e outras etapas podem provocar dor, perda de força, dificuldade para movimentar o braço e alterações que interferem diretamente na rotina da paciente.

Nesse processo, a fisioterapia pode acompanhar a mulher desde antes da cirurgia até a retomada das atividades pessoais, profissionais e de lazer. O objetivo é preservar movimentos, identificar alterações precocemente e ajudar na recuperação da autonomia.

Segundo Mariana Machado de Moraes Oliveira, gerente de Fisioterapia do Hospital IGESP Litoral, o trabalho não deve começar apenas quando aparece algum problema.

“A fisioterapia não atua apenas quando uma limitação já está instalada. Ela pode acompanhar a paciente em diferentes etapas do tratamento, desde o pré-operatório até a retomada das atividades, contribuindo para a identificação precoce de alterações, orientação adequada e recuperação funcional”, explica.

Câncer de mama: por que fazer fisioterapia antes da cirurgia?

A fisioterapia antes da cirurgia ajuda a entender como está o corpo da paciente e cria uma referência para acompanhar a recuperação depois do procedimento. No pré-operatório, o fisioterapeuta pode avaliar:

  • Mobilidade dos braços e dos ombros;
  • Força muscular;
  • Postura;
  • Capacidade para realizar atividades da rotina.

“O acompanhamento fisioterapêutico no pré-operatório permite avaliar mobilidade dos braços e ombros, força, postura e capacidade funcional, estabelecendo também uma referência para acompanhar a recuperação após a cirurgia”, afirma Mariana.

Na prática, essa avaliação funciona como uma espécie de ponto de partida. Depois da cirurgia, o fisioterapeuta consegue comparar como a paciente estava antes do procedimento e acompanhar sua evolução.

Esse também é o momento de receber orientações sobre movimentos e cuidados que poderão fazer parte da recuperação.

“Nesse momento, a paciente pode receber orientações sobre exercícios e cuidados que serão importantes no pós-operatório, preparando-a para participar de forma mais segura e ativa do processo de reabilitação”, completa.

Câncer de mama
Foto: Freepik

O que pode mudar no corpo depois da cirurgia?

Algumas alterações físicas podem aparecer após a cirurgia para tratamento do câncer de mama. Entre as mais comuns estão:

  • Dor;
  • Redução dos movimentos do braço e do ombro;
  • Perda de força;
  • Mudanças na postura;
  • Aderências na região da cicatriz;
  • Dificuldade para realizar atividades do dia a dia.

A aderência cicatricial acontece quando os tecidos ao redor da cicatriz ficam mais presos, o que pode provocar desconforto e limitar movimentos.

“Após a cirurgia podem ocorrer dor, redução da mobilidade do braço e do ombro, diminuição da força, alterações posturais, aderências cicatriciais e dificuldades para realizar atividades do dia a dia”, explica Mariana.

A fisioterapia trabalha justamente para recuperar essas funções aos poucos.

“A fisioterapia atua na recuperação progressiva da mobilidade, força e função, além de identificar precocemente alterações e tratar possíveis complicações. O objetivo é favorecer um retorno seguro às atividades e recuperar a independência funcional da paciente.”

O que é linfedema após o câncer de mama?

O linfedema é um inchaço provocado pelo acúmulo de líquido nos tecidos. Ele pode aparecer principalmente no braço ou na mão. Entre os sinais estão:

  • Inchaço;
  • Sensação de peso;
  • Tensão;
  • Desconforto no braço ou na mão.

O problema pode surgir quando a drenagem linfática fica prejudicada. Isso pode acontecer após a retirada de linfonodos, também conhecidos como gânglios, ou por efeito da radioterapia.

“O linfedema é o acúmulo de líquido nos tecidos e pode causar inchaço, sensação de peso, tensão ou desconforto, principalmente no braço e na mão”, explica Mariana.

Segundo ela, o problema pode surgir “quando procedimentos como a retirada de linfonodos ou a radioterapia comprometem a drenagem linfática”.

Por isso, observar mudanças no braço, mão ou região próxima à cirurgia é importante durante a recuperação.

“O acompanhamento e a identificação precoce das alterações são fundamentais”, ressalta a fisioterapeuta.

Quando o linfedema aparece, o tratamento varia conforme cada paciente.

“Quando o linfedema já está presente, o tratamento é individualizado e pode incluir exercícios, compressão e outras técnicas específicas.”

Exercícios podem ser feitos durante a recuperação?

Sim, mas os exercícios precisam respeitar o tipo de cirurgia e a evolução de cada paciente.

Movimentos simples para recuperar a mobilidade do braço e do ombro podem fazer parte da reabilitação. Com o avanço da recuperação, também podem ser introduzidos fortalecimento muscular e atividades aeróbicas, como caminhadas.

“Exercícios simples de mobilidade do braço e do ombro e, posteriormente, fortalecimento progressivo e atividades aeróbicas, como caminhadas, podem fazer parte da recuperação”, explica Mariana.

No entanto, isso não significa que todas as pacientes devem seguir a mesma rotina.

A orientação leva em conta fatores como o tipo de cirurgia, se houve reconstrução da mama, a retirada ou abordagem dos linfonodos, a cicatrização, a presença de dor e possíveis limitações de movimento.

“Exercícios com maior amplitude, carga ou resistência devem ser individualizados e progredidos de acordo com a evolução de cada paciente”, destaca.

A orientação profissional também ajuda a evitar que a mulher force o corpo antes do momento adequado.

Câncer de mama: mulher usando fita rosa de conscientização, apontando para o laço no peito em campanha sobre prevenção e pós-tratamento.
Foto: Canva

Quando é possível voltar à rotina?

Não existe um prazo único para retomar todas as atividades depois do tratamento do câncer de mama.

A recuperação depende do tipo de cirurgia, do processo de cicatrização, de outros tratamentos realizados e da resposta do organismo de cada mulher.

“A retomada das atividades deve ocorrer de forma progressiva e não existe um prazo único para todas as pacientes”, afirma Mariana.

Para algumas mulheres, ações simples do cotidiano podem voltar rapidamente. Para outras, atividades que exigem mais força ou movimentação do braço podem precisar de mais tempo.

Nesse processo, a fisioterapia também acompanha a recuperação da confiança para voltar à rotina.

“A fisioterapia contribui para recuperar mobilidade, força, condicionamento e segurança para o retorno às atividades pessoais, profissionais e de lazer, favorecendo a independência, a autonomia e a qualidade de vida ao longo da recuperação.”

Reabilitação também faz parte do tratamento do câncer de mama

A recuperação funcional é uma das etapas do cuidado integral com a paciente. O Ministério da Saúde destaca que o tratamento do câncer de mama pode envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e reconstrução mamária, dependendo do tipo e do estágio da doença.

Além de combater o tumor, é importante observar como esses tratamentos afetam o corpo e a rotina.

É nesse ponto que a fisioterapia ganha espaço. O acompanhamento pode ajudar a identificar dificuldades logo no início, orientar movimentos de maneira segura e reduzir o impacto de algumas alterações físicas.

Para Mariana, a reabilitação não deve ser vista como uma etapa isolada.

“A reabilitação é parte importante do cuidado integral da paciente com câncer de mama.”

Durante o Outubro Rosa, a conscientização também passa por esse olhar mais amplo. Além da prevenção e do diagnóstico precoce, cuidar de quem enfrenta o câncer de mama significa acompanhar a recuperação, preservar funções do corpo e ajudar a paciente a retomar sua autonomia.

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Autor

  • Bruna Santos

    Jornalista e redatora com experiência em produção de conteúdo digital. Atuou em portais de notícia, rádio e agências, escrevendo para áreas como finanças, saúde, direito e bem-estar. Pós-graduada em Comunicação e Marketing, se especializou em produção de conteúdo informativo para sites.

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