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Câncer de mama: da prevenção ao pós-tratamento, o que toda mulher precisa saber

Veja os principais cuidados em cada fase da doença
Câncer de mama: mulher usando fita rosa de conscientização, apontando para o laço no peito em campanha sobre prevenção e pós-tratamento.

O câncer de mama costuma vir acompanhado de muitas dúvidas. Antes mesmo de um diagnóstico, surgem perguntas sobre mamografia, nódulos, histórico familiar e prevenção. Quando a doença é confirmada, aparecem outras preocupações: qual será o tratamento, se haverá cirurgia, quais efeitos podem surgir e como fica a vida depois.

Em um momento que pode ser delicado para a paciente e para a família, ter acesso a informações claras ajuda a entender melhor cada etapa. E esse cuidado não termina no diagnóstico. Ele passa pelos exames, pela escolha do tratamento, pelo acompanhamento médico e também pelos impactos emocionais que podem aparecer ao longo do caminho.

No Brasil, o cenário reforça a importância desse cuidado. O Instituto Nacional de Câncer estima 78.610 novos casos de câncer de mama por ano entre 2026 e 2028. A doença também está entre as principais causas de morte por câncer entre as mulheres no país.

Por isso, durante o Outubro Rosa, a atenção se volta não apenas para a identificação precoce, mas também para fatores de risco, tipos de tratamento e qualidade de vida depois da doença.

A Dra. Tânia de Fátima Moredo, médica chefe da oncologia do Hospital IGESP e mestre em oncologia pela Faculdade de Medicina da USP, explica que identificar o tumor cedo faz diferença no tratamento. Segundo ela, os exames de rastreamento ajudam principalmente a reduzir as mortes provocadas pela doença.

Câncer de mama: quais sinais merecem atenção?

O câncer de mama acontece quando células anormais começam a se multiplicar de forma descontrolada na mama e formam um tumor maligno.

Entre os sinais que merecem avaliação médica estão:

  • Caroços na mama ou na axila;
  • Mudanças no formato do mamilo;
  • Retração da pele;
  • Secreção com sangue;
  • Pele com aparência de casca de laranja.

Nem todo nódulo significa câncer. No entanto, alterações persistentes precisam ser investigadas, principalmente quando o caroço é endurecido, aumenta de tamanho ou permanece por mais tempo.

A idade também influencia o risco. Segundo o Ministério da Saúde, a incidência cresce a partir dos 40 anos. Obesidade, consumo de álcool, tabagismo, sedentarismo e determinados fatores hormonais também podem aumentar a possibilidade de desenvolvimento da doença.

A Dra. Tânia destaca ainda que os casos hereditários representam uma parcela menor dos diagnósticos. Entre as alterações genéticas mais conhecidas estão as mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, responsáveis por ajudar a proteger as células contra alterações que podem favorecer tumores.

Mamografia é suficiente para detectar o câncer?

A mamografia é um dos principais exames para encontrar alterações na mama, mas nem sempre consegue mostrar tudo sozinha.

O exame utiliza raios X para produzir imagens do tecido mamário. Mulheres mais jovens costumam ter as chamadas mamas densas, ou seja, apresentam proporcionalmente mais tecido glandular e menos gordura. Essa característica pode dificultar a visualização de algumas alterações na mamografia.

Nessas situações, outros exames podem complementar a investigação.

A ultrassonografia das mamas pode ajudar a observar melhor nódulos e outras alterações. Já a ressonância magnética costuma ser utilizada em situações específicas, como mulheres com alto risco genético, necessidade de avaliar melhor um nódulo ou planejamento de uma cirurgia.

“Alguns cânceres de mama não são bem visualizados na mamografia”, explica a oncologista.

A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica recomenda mamografia anual entre os 40 e 74 anos. A partir dos 75 anos, a necessidade do exame deve considerar individualmente o estado geral de saúde e a expectativa de vida da paciente.

A médica também faz uma distinção importante: esses exames não impedem que o câncer de mama apareça. O objetivo do rastreamento é aumentar as chances de encontrar a doença mais cedo e, com isso, reduzir a mortalidade.

Paciente em exame de mamografia digital ao lado de profissional em clínica, utilizando equipamento de imagem com ambiente clínico ao fundo.
Foto: Unsplash

Quando é necessário fazer uma biópsia?

A biópsia entra em cena quando um exame físico ou de imagem encontra uma alteração suspeita.

Nesse procedimento, o médico retira uma pequena amostra do tecido para análise. É esse material que permite confirmar se existem células cancerígenas e identificar características importantes do tumor.

Essas informações ajudam a equipe médica a escolher o tratamento mais adequado para aquela paciente.

Quem precisa fazer teste genético?

Nem toda mulher com câncer de mama precisa realizar um teste genético. Segundo a Dra. Tânia, existem critérios específicos para investigar alterações hereditárias em genes como BRCA1, BRCA2, PALB2, CHEK2, ATM e TP53.

A investigação pode ser considerada, por exemplo, quando existem vários casos de câncer de mama ou ovário na mesma família, diagnóstico em idade jovem, câncer nas duas mamas, determinados tipos de tumor ou uma mutação genética já identificada em parentes próximos.

Quando uma mutação é encontrada, o resultado pode mudar a estratégia de acompanhamento. A paciente e, em determinados casos, seus familiares podem passar por um rastreamento mais intenso. Algumas pessoas de alto risco também podem discutir com a equipe médica medidas preventivas ou tratamentos específicos relacionados à alteração genética encontrada.

Como funciona o tratamento do câncer de mama?

O tratamento depende do tipo e do tamanho do tumor, do estágio da doença e das características de cada paciente.

Entre as possibilidades estão:

  • Cirurgia: retira o tumor e, em alguns casos, parte ou toda a mama;
  • Radioterapia: usa radiação para destruir células tumorais que possam ter permanecido na região;
  • Quimioterapia: utiliza medicamentos que circulam pelo organismo para destruir células cancerígenas ou impedir seu crescimento;
  • Hormonioterapia: bloqueia a ação de hormônios que podem estimular alguns tipos de câncer de mama;
  • Terapias-alvo: atuam em características específicas das células tumorais, buscando atingir o câncer de forma mais direcionada.

A cirurgia pode preservar parte da mama ou exigir sua retirada total, conhecida como mastectomia.

A Dra. Tânia explica que, em determinados casos, também é possível utilizar uma terapia neoadjuvante. Apesar do nome técnico, a ideia é simples: trata-se de uma terapia feita antes da cirurgia, como quimioterapia ou hormonioterapia, com o objetivo de diminuir o tumor.

“Uma arma poderosa para preservar a mama em tumores grandes é o uso de terapia neoadjuvante”, afirma a especialista.

Reconstrução da mama pode ser feita junto com a cirurgia?

Em muitos casos, sim. Entretanto, a decisão precisa ser individualizada. Segundo a médica, tanto a retirada total quanto algumas cirurgias parciais podem provocar mudanças importantes na aparência da mama. Essas alterações também podem afetar emocionalmente a paciente.

Por esse motivo, a reconstrução pode acontecer imediatamente após a cirurgia para retirada do tumor. Em situações específicas, porém, a equipe pode decidir realizá-la posteriormente.

“A indicação da reconstrução é sempre individualizada”, explica a Dra. Tânia.

No SUS, existem procedimentos de reconstrução mamária para mulheres que passaram por mastectomia, inclusive em situações nas quais a reconstrução ocorre no mesmo ato cirúrgico.

Câncer de mama
Foto: Freepik

Quais são os efeitos colaterais do tratamento?

Os efeitos colaterais variam conforme o tipo de tratamento, a dose utilizada e a resposta de cada paciente.

TratamentoPossíveis efeitos colaterais
CirurgiaDor, inchaço, limitação temporária dos movimentos do braço e alterações de sensibilidade na região operada
RadioterapiaCansaço, vermelhidão, ressecamento ou irritação da pele na área tratada
QuimioterapiaFadiga, queda de cabelo, náuseas e redução temporária das células de defesa do organismo
HormonioterapiaOndas de calor, dores nas articulações e secura vaginal
Terapias-alvoPodem causar diarreia, reações na pele e, em alguns casos, alterações cardíacas
Conjugados anticorpo-fármaco (ADCs)Podem provocar fadiga, náuseas, alterações no sangue, formigamento nas mãos e pés e problemas oculares, dependendo do medicamento

Os chamados ADCs são medicamentos que combinam um anticorpo, responsável por reconhecer determinadas células tumorais, com uma substância que atua contra o câncer. Na prática, o tratamento tenta levar o medicamento de forma mais direcionada até essas células.

A Dra. Tânia ressalta, porém, que não existe uma lista única de efeitos colaterais para todas as pacientes. Cada medicamento e cada estratégia de tratamento podem provocar reações diferentes, por isso a equipe médica deve orientar individualmente sobre o que pode acontecer em cada caso.

O cuidado termina depois do tratamento?

Não. Mesmo depois de finalizar cirurgia, quimioterapia, radioterapia ou outras terapias, a paciente continua sendo acompanhada.

O objetivo é observar sua recuperação e identificar precocemente uma eventual recidiva, nome dado quando o câncer volta após o tratamento.

Segundo a Dra. Tânia, o acompanhamento inclui consultas e exames periódicos e pode continuar por cinco a dez anos, dependendo do tipo de câncer de mama.

Esse período também envolve a adaptação às mudanças provocadas pela doença e pelo tratamento. Alguns efeitos podem ultrapassar a parte física e atingir outras áreas da vida, como:

  • Autoestima: mudanças na mama, cicatrizes ou queda de cabelo podem afetar a forma como a paciente se enxerga;
  • Imagem corporal: alterações no corpo podem exigir um período de adaptação;
  • Sexualidade: sintomas hormonais, secura vaginal e mudanças emocionais podem interferir na vida íntima;
  • Saúde emocional: medo de a doença voltar, ansiedade e insegurança também podem aparecer durante o acompanhamento.

Por isso, o cuidado depois do câncer não precisa ficar restrito aos exames. Quando necessário, suporte psicológico e acompanhamento de diferentes profissionais podem ajudar a paciente a lidar com as mudanças e retomar a rotina com mais segurança.

O Outubro Rosa reforça justamente essa visão mais ampla: cuidar do câncer de mama começa com informação e atenção aos sinais, passa pelo diagnóstico e tratamento e continua mesmo depois que a fase mais intensa da terapia termina.


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Autor

  • Bruna Santos

    Jornalista e redatora com experiência em produção de conteúdo digital. Atuou em portais de notícia, rádio e agências, escrevendo para áreas como finanças, saúde, direito e bem-estar. Pós-graduada em Comunicação e Marketing, se especializou em produção de conteúdo informativo para sites.

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