O câncer de mama inflamatório pode surgir sem apresentar caroços, um dos sinais mais conhecidos da doença. Nessa forma rara e agressiva, os primeiros sintomas costumam aparecer na pele, com vermelhidão, inchaço e mudanças na aparência da mama.
O alerta ganha destaque durante o Outubro Rosa, mês dedicado à conscientização sobre o câncer de mama. Segundo a Mayo Clinic, o tipo inflamatório representa cerca de 1% a 5% dos diagnósticos e pode evoluir rapidamente, dificultando sua identificação.
A cirurgiã oncológica Tina Hieken, da Mayo Clinic, explica que os sintomas podem surgir em poucos meses. Além disso, como as alterações se parecem com inflamações comuns, algumas pacientes podem receber inicialmente outros diagnósticos.
Quais são os sintomas do câncer de mama inflamatório?
Os principais sinais do câncer de mama inflamatório são mudanças rápidas na cor, no tamanho e na textura da mama, mesmo quando não existe um nódulo perceptível.
Entre os sintomas que merecem atenção estão:
- Vermelhidão: a pele pode apresentar tons avermelhados, rosados ou arroxeados;
- Inchaço: uma das mamas pode aumentar de tamanho e ficar mais pesada;
- Alterações na pele: a região pode adquirir aparência semelhante à casca de laranja;
- Calor: a mama afetada pode apresentar temperatura mais elevada;
- Dor ou coceira: desconfortos também podem acompanhar as alterações;
- Mudanças no mamilo: pode ocorrer retração, fazendo com que ele fique voltado para dentro.
Algumas pacientes também apresentam aumento dos gânglios nas axilas ou próximos à clavícula.
“Quando há alterações na pele da mama, especialmente em mulheres que não estão amamentando e não apresentam vermelhidão associada à amamentação, isso pode ser um sinal de alerta de câncer e deve ser avaliado por um médico profissional”, afirma Tina Hieken.
Por que o câncer de mama inflamatório exige atenção?
O câncer de mama inflamatório tem evolução rápida e pode atingir outras regiões do corpo em menos tempo que os tipos mais comuns da doença.
As alterações na pele acontecem porque células cancerígenas bloqueiam pequenos vasos responsáveis pela circulação da linfa na região da mama. Esse processo provoca inchaço, vermelhidão e mudanças na textura da pele.
“No câncer de mama inflamatório, os sintomas podem se desenvolver em poucos meses”, explica Hieken.
A médica destaca que essa evolução é diferente daquela observada em pacientes que percebem um caroço e, somente depois de um período prolongado, apresentam alterações na pele.
Outro desafio é a semelhança dos sintomas com infecções, como a mastite. Por isso, mudanças persistentes ou que se intensificam precisam de investigação médica.
Como é feito o diagnóstico?
A investigação começa com a avaliação dos sintomas e pode incluir mamografia, ultrassom e ressonância magnética. A confirmação do câncer depende da análise de uma amostra de tecido, obtida por biópsia.
A ausência de um caroço não descarta a doença. Em alguns casos, as alterações também podem ser difíceis de identificar na mamografia.
Quando há suspeita de infecção, o médico pode indicar um tratamento inicial. Entretanto, se os sintomas não melhorarem ou continuarem avançando, é importante realizar uma nova avaliação, sem adiar a investigação.
Câncer de mama inflamatório tem tratamento?
Sim. O câncer de mama inflamatório tem tratamento, que geralmente combina medicamentos, cirurgia e radioterapia. A definição das etapas depende das características do tumor e de sua extensão.
De acordo com a Mayo Clinic, o tratamento costuma começar com medicamentos que atuam em todo o organismo, como quimioterapia, terapias direcionadas e, em alguns casos, imunoterapia.
Na sequência, a paciente pode passar por cirurgia para retirada da mama e dos linfonodos próximos. A radioterapia geralmente complementa o tratamento.
A especialista destaca que os avanços foram especialmente importantes para pacientes com tumores HER2-positivos, que podem receber medicamentos capazes de bloquear a ação dessa proteína.
“Isso tem representado uma grande vantagem e, de fato, melhorado os resultados para as mulheres”, afirma Hieken.
Os exames de imagem também evoluíram e permitem avaliar com mais precisão a extensão da doença, ajudando os médicos a definir o tratamento.
Durante o Outubro Rosa, a orientação é observar não apenas a presença de caroços, mas também mudanças repentinas na aparência das mamas. Vermelhidão, inchaço e alterações persistentes na pele devem ser avaliados por um profissional de saúde.
Leia também:




