No Outubro Rosa, a atenção ao câncer de mama também envolve o período após a cirurgia. A dor depois da mastectomia pode exigir avaliação médica quando permanece ou apresenta características diferentes do esperado, pois alguns quadros podem se tornar persistentes.
Dor depois da mastectomia pode persistir
Uma revisão publicada em 2025 analisou 91 estudos e 26.132 pacientes. O trabalho encontrou prevalência média de 41,79% de dor crônica após mastectomia.
A pesquisa considerou dor na mama, parede torácica, axila, braço ou área doadora. Os pesquisadores também avaliaram casos com e sem reconstrução mamária.
O câncer de mama continua entre os tumores mais frequentes no Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados 78.610 novos casos por ano entre 2026 e 2028.
1. A dor passa de três meses
A duração do sintoma é um dos pontos que precisam ser observados. Quando a dor persiste ou retorna por mais de três meses, ela pode ser classificada como crônica.
O problema merece atenção principalmente quando começa a afetar o sono, os movimentos ou as tarefas diárias. A avaliação ajuda a diferenciar a evolução esperada da recuperação de outras causas.
2. Aparece queimação ou ardência
A sensação de queimação pode indicar uma alteração relacionada aos nervos da região operada. O sintoma pode aparecer no tórax, na axila ou no braço do mesmo lado da cirurgia.
O Ministério da Saúde também cita dor, dormência, inchaço e restrição de movimentos entre possíveis alterações no braço após o tratamento.
3. Surge sensação de choque ou fisgada
Choques elétricos, pontadas e fisgadas podem indicar dor neuropática. Esse tipo de manifestação pode ocorrer sem estímulo ou aparecer durante determinados movimentos.
A descrição detalhada do sintoma facilita a avaliação. O paciente deve informar o local, a frequência e as situações que provocam ou aumentam o desconforto.
4. Um toque leve provoca dor
A roupa ou um contato suave não costuma causar dor. Quando isso acontece após a cirurgia, existe uma alteração da sensibilidade que precisa ser relatada à equipe de saúde.
Formigamento e dormência também ajudam o profissional a entender o padrão do problema. Esses sinais podem orientar a investigação e a escolha do tratamento.
5. O desconforto limita a rotina
A dor merece atenção quando faz a pessoa evitar movimentos ou abandonar atividades habituais. A limitação prolongada também pode prejudicar a mobilidade do ombro.
O cuidado pós-operatório inclui controle da dor e acompanhamento da movimentação. O Ministério da Saúde recomenda atenção a complicações que envolvam dor ou restrição de mobilidade.
“Descrever a dor ajuda muito na avaliação. Saber onde ela aparece, há quanto tempo, se é uma queimação, um choque ou uma pontada e se existe alteração de sensibilidade são informações importantes para identificar o tipo de dor e definir o tratamento”, afirma o especialista.
Tratamento depende da causa da dor
A avaliação médica pode indicar diferentes formas de controle. Medicamentos, procedimentos, fisioterapia e reabilitação podem fazer parte do cuidado, conforme as características de cada paciente.
A prevenção e o controle da dor também começam no período cirúrgico. Estratégias anestésicas podem ser escolhidas pela equipe de acordo com o procedimento e as condições clínicas da paciente.
“A paciente pode acreditar que a dor faz parte do processo e que precisa simplesmente conviver com ela. Mas quando o sintoma persiste ou muda de característica, é importante conversar com o médico, porque existem formas de tratamento”, explica Jorge Luiz Andrade, médico anestesiologista, especialista em Dor e vice-presidente executivo da Unimed Nova Iguaçu.
Durante o Outubro Rosa, a informação sobre o pós-operatório amplia o cuidado para além do diagnóstico e do tratamento do tumor. A persistência de sintomas deve ser comunicada à equipe responsável pelo acompanhamento.
“Descrever a dor ajuda muito na avaliação. Saber onde ela aparece, há quanto tempo, se é uma queimação, um choque ou uma pontada e se existe alteração de sensibilidade são informações importantes para identificar o tipo de dor e definir o tratamento”, afirma o especialista.
A dor após a mastectomia pode ter diferentes causas. Por isso, a persistência ou mudança do quadro deve ser discutida com um profissional de saúde.




