Um novo exame de sangue para câncer de pâncreas conseguiu identificar cerca de 87% dos casos nos estágios iniciais da doença. O resultado faz parte de um estudo internacional publicado na revista científica Nature Medicine.
Chamado PANXEON, o teste ainda é experimental. A expectativa dos pesquisadores é que ele ajude a encontrar a doença antes do surgimento de sintomas, quando existem mais possibilidades de tratamento.
O estudo envolveu 1.785 pessoas e avaliou pacientes com e sem a doença em diferentes grupos de risco.
Como funciona o exame para câncer de pâncreas?
O PANXEON procura diferentes sinais relacionados ao tumor em uma amostra de sangue.
O exame analisa microRNAs encontrados no sangue e em pequenas partículas liberadas pelas células, além da proteína CA19-9, já utilizada na avaliação de pacientes com alterações pancreáticas.
Depois, um sistema de inteligência artificial reúne os resultados e calcula uma pontuação de risco para câncer de pâncreas.
A proposta não é substituir exames de imagem ou outros métodos de diagnóstico. O teste poderia funcionar como uma ferramenta para indicar quais pacientes precisam passar por uma investigação mais detalhada.
O que o estudo descobriu?
Nos pacientes com câncer nos estágios 1 e 2, o PANXEON identificou corretamente a doença em aproximadamente 87% dos casos.
A taxa de falso positivo ficou em cerca de 3% entre pessoas consideradas de baixo risco e chegou a aproximadamente 16% entre pacientes de alto risco.
Outro resultado chamou a atenção dos pesquisadores. O teste conseguiu identificar em mais de 64% dos casos uma alteração chamada displasia de alto grau.
Essa condição é considerada pré-cancerígena e pode aparecer em pessoas com determinados cistos no pâncreas.
Por que detectar a doença cedo faz diferença?
O câncer de pâncreas costuma ser descoberto em fases mais avançadas, já que os primeiros sinais podem ser discretos ou até inexistentes.
Por isso, pesquisadores buscam formas de identificar a doença antes que ela se espalhe para outras partes do corpo.
O PANXEON pode ser especialmente útil, no futuro, para pessoas com histórico familiar ou risco hereditário da doença, além de pacientes com cistos pancreáticos ou pancreatite crônica.
Exame ainda precisa passar por novos estudos
Apesar dos resultados positivos, o PANXEON ainda não é um exame de rotina disponível para a população.
Os próprios pesquisadores destacam que serão necessários estudos maiores antes que a ferramenta possa ser incorporada à prática médica.
Por enquanto, os resultados indicam que um simples exame de sangue pode se tornar uma nova ferramenta para ajudar médicos a identificar pacientes que precisam de investigação adicional.
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