Dormir ao lado de quem se ama costuma ser associado a conforto, intimidade e conexão. Os sussurros antes de dormir, os abraços sonolentos e a simples sensação de saber que a outra pessoa está ali ajudam muitos casais a fortalecer o vínculo no dia a dia. E não é segredo que uma boa noite de sono contribui para dias melhores, mais paciência e relacionamentos mais saudáveis.
Mas, para alguns casais, dividir a mesma cama nem sempre significa descansar bem. Ronco, diferença de rotina, mexer demais durante a noite, disputa por cobertor e até temperaturas diferentes no quarto têm levado cada vez mais pessoas a aderirem ao chamado “divórcio do sono”, prática em que parceiros escolhem dormir separados para melhorar a qualidade do descanso.
Segundo uma pesquisa da Academia Americana de Medicina do Sono, 31% dos adultos nos Estados Unidos já dormiram em outro quarto ou em outra cama para conseguir dormir melhor.
E, ao contrário do que muita gente imagina, o motivo nem sempre envolve brigas ou afastamento emocional. Em muitos casos, o problema está no ronco, nos horários diferentes, no uso do celular antes de dormir ou até na disputa pelo cobertor durante a madrugada.

Segundo a Dra. Monica Andersen, Diretora de Ensino e Pesquisa do Instituto do Sono, dormir separado não deve ser encarado automaticamente como um problema no relacionamento.
“Dormir separado não precisa ser interpretado como sinal de crise. Em alguns casos, pode ser justamente uma forma madura de cuidar da saúde e preservar a convivência”, explica.
O que é o “divórcio do sono”?
O “divórcio do sono” acontece quando o casal decide dormir em camas ou quartos separados para evitar interrupções durante a noite e melhorar a qualidade do sono.
Apesar do nome chamar atenção, a prática não significa necessariamente falta de intimidade ou problemas amorosos. Em muitos casos, a decisão surge após noites seguidas de sono ruim, cansaço e irritação no dia seguinte.
A Dra. Monica explica que hoje existe uma consciência maior sobre os impactos do sono na saúde física e emocional.
“Dormir bem não é luxo, é saúde”, afirma a especialista.
Ronco, temperatura e rotina estão entre os maiores problemas
O ronco aparece como um dos principais motivos que levam casais a dormirem separados. Dados do estudo EPISONO, conduzido pelo Instituto do Sono, mostram que cerca de 42% dos paulistanos relataram roncar três ou mais vezes por semana.
Além disso, a apneia obstrutiva do sono também pode transformar a convivência noturna em um desafio. Segundo a especialista, muitos casos sequer são diagnosticados.
Mas os problemas não param por aí. Diferenças de rotina, temperatura do quarto, luzes acesas, televisão ligada, pets na cama e filhos pequenos também entram na lista de fatores que prejudicam o descanso do casal.
“São pequenos desencontros cotidianos que, somados, podem prejudicar o descanso e a convivência”, explica Monica Andersen.
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Dormir mal pode aumentar conflitos no relacionamento
A qualidade do sono interfere diretamente no humor, na paciência e até na capacidade de lidar com conflitos.
De acordo com estudos citados pela especialista, noites mal dormidas podem reduzir a empatia entre casais e aumentar discussões no dia a dia.
Quando a pessoa dorme pouco ou acorda várias vezes durante a madrugada, o cérebro tende a funcionar sob maior estresse. Isso pode provocar irritação, ansiedade, dificuldade de concentração e desgaste emocional.
Uma metanálise publicada em 2025, reunindo mais de 43 mil participantes, apontou que relacionamentos saudáveis costumam estar ligados a uma melhor qualidade de sono. O contrário também acontece: conflitos frequentes podem piorar ainda mais as noites do casal.

Existem alternativas antes de separar os quartos
Nem sempre dormir em ambientes diferentes é a única solução. Especialistas afirmam que pequenas mudanças já podem ajudar bastante.
Entre as alternativas estão:
- Uso de colchões com menor transferência de movimento;
- Máscaras de dormir e tampões de ouvido;
- Controle da temperatura do quarto;
- Redução de telas antes de dormir;
- Uso de ruído branco;
- Horários mais alinhados para dormir.
Outra alternativa que ganhou popularidade é o chamado “método escandinavo”. A prática consiste em usar dois edredons separados na mesma cama, permitindo que cada pessoa tenha mais conforto térmico sem disputar cobertor durante a noite.
Em casos de ronco intenso ou suspeita de apneia, o ideal é procurar avaliação médica.
Quando procurar ajuda médica?
Alguns sinais podem indicar distúrbios do sono e precisam de atenção médica. Entre os principais sintomas estão:
- Ronco alto e frequente;
- Pausas na respiração durante o sono;
- Sensação de sufocamento à noite;
- Cansaço constante;
- Sonolência durante o dia;
- Dificuldade para dormir por vários dias seguidos;
- Dores de cabeça ao acordar.
Segundo a Dra. Monica Andersen, muitos casais conseguem voltar a dormir juntos após o tratamento correto de problemas como apneia do sono.
A especialista reforça que o mais importante é entender que cada casal funciona de uma forma diferente.
“Alguns casais melhoram com ajustes simples no quarto; outros precisam tratar ronco, apneia ou insônia; e alguns realmente dormem melhor em ambientes separados, mantendo a conexão afetiva em outros momentos”, conclui.
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