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Outubro Rosa Pet: câncer de mama em gatas exige atenção rápida

Nódulos, fatores hormonais, castração e exames ajudam a entender os cuidados com a saúde mamária das gatas
Gata durante exame veterinário para identificação de alterações nas mamas

O Outubro Rosa Pet ganha atenção neste mês para alertar sobre os tumores mamários em gatos. A campanha destaca a necessidade de reconhecer alterações nas mamas e buscar avaliação veterinária, porque a doença pode avançar mesmo sem sinais aparentes.

Tumores mamários em gatas têm alta taxa de malignidade

Dados do Manual MSD de Veterinária indicam que entre 80% e 90% dos tumores mamários em gatos são malignos. A publicação também aponta que essas neoplasias podem atingir os pulmões e os linfonodos.

“Estudos de epidemiologia veterinária e dados do Manual MSD indicam que entre 80% e 90% dos tumores mamários identificados em gatas são malignos, enquanto em cadelas essa proporção fica em torno de 50%. Por isso, nove em cada dez gatas diagnosticadas apresentam quadros de alta gravidade, o que torna fundamental procurar atendimento ao menor sinal de nódulo”, explica Vinicius Gonzalez Peres Albernaz, professor do curso de Medicina Veterinária da UniCesumar Curitiba (PR).

A doença costuma atingir principalmente fêmeas que não passaram pela castração. A idade também interfere na ocorrência, com maior frequência em animais mais velhos.

O tamanho do nódulo ajuda no estadiamento

O Manual MSD informa que o tamanho da lesão participa da classificação clínica. Tumores menores que 2 centímetros integram o estágio I. Lesões entre 2 e 3 centímetros entram no estágio II. Acima de 3 centímetros, o tumor pode ser classificado no estágio III.

Mesmo assim, o tamanho não permite confirmar sozinho se uma alteração é benigna ou maligna. O diagnóstico depende da avaliação veterinária e, quando indicado, de exames das células ou do tecido.

Outubro Rosa Pet reforça atenção aos sinais

Um nódulo pode aparecer sob a pele na região das mamas. A lesão pode ser pequena, firme, móvel ou ficar presa aos tecidos. Feridas e alterações na pele também podem surgir conforme a doença evolui.

Gatos com doença avançada nem sempre apresentam sinais claros. O Manual MSD registra que parte dos animais com metástase distante pode continuar sem manifestações clínicas perceptíveis.

“Uma vez sabendo que nove em cada dez gatas com câncer de mama têm tumores malignos, qualquer nódulo detectado exige avaliação imediata. O tamanho do nódulo influencia a capacidade de tratamento, mas não altera a natureza maligna do tumor. Iniciar o protocolo clínico enquanto a lesão ainda é pequena aumenta as chances de sucesso”, afirma o docente.

Castração pode reduzir o risco de tumores mamários

A prevenção também envolve o controle da exposição hormonal. Segundo o Manual MSD, gatas castradas antes dos seis meses apresentam redução de 91% no risco de desenvolver tumores mamários. Antes dos 12 meses, a redução chega a 86%.

O uso de progestágenos também aparece entre os fatores associados ao desenvolvimento dessas neoplasias em gatos. Por isso, medicamentos hormonais devem ser usados somente com orientação veterinária.

“O principal fator de risco evitável para o aparecimento do tumor de mama em gatos de ambos os sexos é o uso de anticoncepcionais e injeções hormonais. A administração dessas substâncias eleva expressivamente o risco de desenvolvimento de neoplasias. Por outro lado, a castração precoce atua como medida preventiva eficaz. A realização do procedimento antes dos seis meses de vida reduz o risco de desenvolvimento de câncer de mama em gatas para 9%. Quando realizada antes de um ano de idade, o risco é de 14%”, diz Albernaz.

Qualquer alteração nas mamas merece avaliação profissional. O diagnóstico pode envolver exame físico, citologia, análise histológica e exames para verificar possível disseminação da doença.

No Outubro Rosa Pet, a observação das mamas faz parte dos cuidados com a saúde dos felinos. Ao perceber um nódulo ou outra alteração, o tutor deve procurar um médico-veterinário para definir a investigação adequada.

“Diante da identificação de qualquer volume anormal na cadeia mamária, a orientação é encaminhar o animal para consulta com um médico veterinário especialista em oncologia. A conduta terapêutica padrão envolve a remoção cirúrgica completa de ambas as cadeias mamárias e dos linfonodos regionais, podendo ser complementada por quimioterapia, terapias-alvo ou cuidados paliativos”, conclui o especialista da UniCesumar.


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Autor

  • Laís Seguin

    Formada em Jornalismo pela Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) e atua na imprensa desde 2021 como repórter de cotidiano, comportamento e variedades. Produz conteúdos voltados ao dia a dia da população, com foco em informação acessível e de interesse regional.

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