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Ministério da Saúde suspende vacina contra a dengue do Butantan após sintomas severos

Pasta investiga 42 casos de reações adversas e duas mortes
Frasco da vacina contra a dengue do Instituto Butantan e seringa preparada para aplicação, representando o imunizante que teve a vacinação suspensa temporariamente pelo Ministério da Saúde.

O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A interrupção ocorreu nesta segunda-feira (8), após 42 pessoas apresentarem sintomas severos depois de receberem a dose. De acordo com a pasta, três pacientes foram internados e dois deles morreram.

Durante o anúncio, a ministra da Saúde, Nísia Trindade, informou que ainda não é possível concluir se os sintomas foram reações causadas diretamente pela vacina, mas ressaltou que a medida foi adotada por precaução.

“Essa descontinuidade tem como objetivo a ação de precaução, para que o Ministério da Saúde, a Anvisa e o Butantan aprofundem a investigação nos 42 casos de reações adversas. Queremos buscar fatores de risco nessas pessoas e realizar uma espécie de estudo de caso-controle”, afirmou em coletiva.

Em nota, o Instituto Butantan informou que a orientação ocorre em razão de alguns casos de reação adversa detectados em um universo de aproximadamente 500 mil vacinados, episódios que podem ou não estar relacionados ao imunizante. Além disso, destacou que a medida visa garantir a segurança da população nas próximas etapas da campanha.

“O Instituto Butantan mantém seu compromisso e rigor absolutos com a ciência e a saúde da população e irá seguir trabalhando para apoiar o Ministério da Saúde e a Anvisa, fornecendo todas as informações disponíveis sobre a vacina, realizando novos estudos e acompanhando o trabalho de farmacovigilância dos vacinados. Cabe ressaltar que a vacina teve eficácia global de 79,6% e de 89% contra a dengue grave em estudo publicado em revista científica internacional. Nos três municípios onde houve vacinação em massa da população – Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) –, o acompanhamento de farmacovigilância se mostrou positivo, sem casos importantes de reação adversa na população”, declarou o Butantan.

Quem foi imunizado pela vacina do Butantan deve se atentar aos sintomas por 21 dias.

Dentre eles estão: febre, dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência intensa, irritabilidade, sinais de desidratação e piora do estado geral.

Histórico da distribuição do imunizante

O imunizante do Butantan foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) em janeiro deste ano. Para iniciar a vacinação, a pasta começou a distribuição por três municípios-piloto: Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). Nessas regiões, o público-alvo é composto por adolescentes e adultos de 15 a 59 anos.

Já em fevereiro, a campanha foi estendida aos profissionais de saúde da atenção primária, com o objetivo de imunizar 1,2 milhão de trabalhadores da linha de frente de unidades e postos de saúde.

Casos notificados e evolução clínica

O primeiro caso registrado envolveu uma mulher de 39 anos que teve febre, dores musculares e náuseas seis dias após receber a dose da vacina. O quadro clínico evoluiu rapidamente para sintomas compatíveis com dengue grave e choque circulatório, tornando necessária a sua internação em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Após receber o tratamento adequado, a paciente apresentou melhora significativa e recebeu alta hospitalar.

Já o segundo caso, que resultou em morte, vitimou uma mulher de 48 anos. A paciente desenvolveu um quadro de dengue grave associado a um comprometimento neurológico — diagnosticado posteriormente como meningoencefalite — 19 dias após receber a vacina. De acordo com o Ministério da Saúde, as investigações continuam, mas ainda não é possível estabelecer um vínculo causal direto entre a vacina e a morte.

O terceiro caso também terminou em morte e teve como vítima um homem de 58 anos. Apenas cinco dias após a vacinação, o paciente iniciou um quadro febril que progrediu de forma agressiva para os sintomas de dengue grave, culminando em um choque refratário. Apesar das intervenções e do pronto atendimento médico recebido no hospital, o homem não resistiu e faleceu.


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Autor

  • Beatriz Santos

    Jornalista formada pela Universidade Santa Cecília em 2024. Atua com produção de conteúdo, redação e assessoria de imprensa.

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