A multinacional Unilever denunciou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) a suposta presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em produtos da Ypê. As notificações foram feitas em outubro de 2025 e março deste ano, segundo documentos obtidos pela Folha de S.Paulo.
Dona de marcas como Omo, Comfort e Cif, a Unilever afirmou que realizou análises laboratoriais em itens da concorrente e identificou a presença do microrganismo, apontando um possível “iminente risco à saúde e segurança dos consumidores”.
O que diz a Unilever
Em nota enviada à imprensa, a companhia informou que realiza regularmente testes técnicos em produtos próprios e também em marcas concorrentes, classificando a prática como comum no setor.
“A depender dos resultados destes testes, em respeito ao consumidor, as autoridades competentes são notificadas”, afirmou a empresa.
A multinacional também destacou que eventuais investigações são conduzidas exclusivamente pelos órgãos responsáveis, que definem quais fiscalizações e análises serão realizadas.
“A companhia reafirma seu compromisso e prioridade absoluta e inegociável com a saúde e segurança dos consumidores”, concluiu a Unilever.
Primeira denúncia citou risco de infecções
A primeira denúncia foi apresentada em outubro de 2025 por meio do laboratório americano Charles River. No documento, a bactéria Pseudomonas aeruginosa foi descrita como um agente capaz de causar infecções em diferentes partes do corpo.
Segundo o relatório, o microrganismo pode se espalhar por contato com pele, mucosas, lesões ou objetos contaminados, podendo provocar problemas na pele, trato urinário, olhos e ouvido, além de apresentar resistência a antibióticos.
Ainda de acordo com a denúncia, a Unilever alegou que a Ypê já teria conhecimento do problema e iniciado um recolhimento voluntário de produtos em supermercados.
Segundo o documento, os novos lotes incluíam versões Tixan Ypê Primavera, Tixan Ypê Maciez, Tixan Ypê Express, Ypê Power Act e até um lote de detergente Ypê Lava-Louças Neutro.

Segunda análise identificou 14 lotes contaminados
Já a segunda denúncia, realizada em março deste ano com apoio do laboratório Eurofins, apontou a contaminação de 14 lotes de produtos Ypê pela mesma bactéria.
Os testes também teriam identificado, em sete desses lotes, vestígios genéticos de outros gêneros bacterianos.
Os lotes analisados pela Unilever na primeira denúncia teriam sido fabricados entre abril e setembro de 2025. Já os da segunda análise foram produzidos entre julho e novembro do mesmo ano.
Defesa da Ypê questiona regulamentação
A Química Amparo, fabricante da marca Ypê, encaminhou resposta à Senacon ainda em outubro de 2025. No posicionamento, a empresa afirmou ter recebido as denúncias com “surpresa e indignação”.
A companhia argumentou que não existe regulamentação específica da Anvisa estabelecendo limites para a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em produtos saneantes.
Segundo a defesa apresentada pela empresa, a proibição do microrganismo ocorre apenas em cosméticos, já que esses produtos permanecem em contato direto com a pele por períodos prolongados.
O VTV News procurou a Ypê novamente em busca de um posicionamento atualizado, mas ainda aguardava retorno até a publicação desta reportagem.

Anvisa mantém recomendação contra uso de produtos
A Anvisa também foi questionada sobre a possibilidade de as denúncias da Unilever terem contribuído para os testes que resultaram na suspensão de produtos Ypê com final de lote 1.
Até o momento, a agência informou que mantém a recomendação para que consumidores não utilizem os produtos da marca identificados com esse final de lote.
Segundo a Anvisa, já foram detectados mais de 100 lotes comprometidos e 76 irregularidades na fábrica da Química Amparo, localizada em Amparo, no interior de São Paulo.
A suspensão dos produtos chegou a ser temporariamente revertida pela empresa, mas a agência ainda deve julgar se mantém ou não a decisão.