O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A decisão foi tomada após o registro de 42 casos de reações graves em pessoas que receberam a dose.
Segundo a pasta, pessoas já vacinadas devem ficar atentas ao surgimento de sintomas nos 21 dias seguintes à aplicação. Entre os sinais de alerta estão:
- febre;
- dor abdominal intensa e persistente;
- vômitos frequentes;
- tontura;
- sangramentos;
- sonolência excessiva;
- irritabilidade;
- sinais de desidratação.
Pessoas que apresentarem piora do estado de saúde devem procurar atendimento médico. A aplicação da vacina do Instituto Butantan permanece suspensa.
Apesar da suspensão, o Instituto Butantan destacou que a vacina apresentou eficácia global de 79,6% e de 89% contra casos graves de dengue, segundo estudo publicado em uma revista científica internacional. O monitoramento realizado nos municípios de Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), onde houve vacinação em massa, não registrou ocorrências relevantes de reações adversas na população acompanhada.
Enquanto as investigações prosseguem, a orientação aos estados e municípios é que as doses da vacina sejam mantidas em estoque e armazenadas na rede de frio até nova determinação. A distribuição do imunizante foi temporariamente interrompida, e as unidades que ainda possuem vacinas disponíveis devem mantê-las preservadas durante o período de suspensão.
A vacinação com o imunizante Qdenga, produzido pelo laboratório Takeda, continua normalmente e é recomendada para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, enquanto a vacina do Butantan é indicada apenas para pessoas a partir de 15 anos.
Campinas
De acordo com a prefeitura, os profissionais de saúde do município foram orientados a reconhecer sinais de alarme, notificar casos e encaminhar pacientes para atendimento clínico quando necessário.
A estratégia de vacinação com o imunizante teve início em Campinas no dia 10 de fevereiro deste ano, inicialmente voltada aos trabalhadores da atenção primária à saúde.
Desde o início da campanha, o município registrou 3.410 doses aplicadas e 448 notificações de Eventos Supostamente Atribuíveis à Vacinação ou Imunização (Esavi), sem registro de casos classificados como graves.